segunda-feira, 5 de outubro de 2009

E há Taylor na escrita

Ler eletriza os circuitos do pensamento, recruta o pulso para a mecânica da escrita, faz com que os dínamos da alma movimentem as polias dos dedos para fabricar textos. A palavra é a matéria-prima da indústria do conhecimento. O escritor é o operário da sintaxe: pressiona os botões da máquina da forma, produz estilo, faz a rotação das manivelas da gramática, põe em tensão a seqüência de bielas do conteúdo, lubrifica as peças alfabéticas, diminui o atrito da linguagem. Revisa as construções frasais na esteira das linhas de produção. Aciona as correntes de transmissão de idéias. Usa as alavancas do dicionário, se preciso. Monitora a qualidade dos vocábulos, agrupa-os em categorias, em setores semânticos afins. Aumenta a velocidade dos tornos ortográficos: dá acabamento ao sentido. O signo está pronto para consumo. A empresa de transporte chama-se livro.

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