quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Estereofonia


Aposto em uma construção dialética de visões de mundo. Proponho a plasticidade do pensamento: as afirmações categóricas podem inibir a criatividade. Tenho sempre em mente uma frase: se rigor metodológico funcionasse, as escolas e as universidades gerariam mais escritores (revolucionários, portanto) e menos papagaios. Faço aulas expositivas, apresento autores (quanto melhores leitores, melhores escritores) e sugiro que os integrantes compartilhem o que produziram, não importando o gênero, crônica, conto, poesia, axioma, artigo científico, monografia, dissertação, tese etc. Além disso: "Todos devem deixar alguma coisa para trás quando morrem, dizia meu avô. Um filho, um livro, um quadro, uma casa ou parede construída, um par de sapatos. Ou um jardim. Algo que sua mão tenha tocado de algum modo, para que sua alma tenha para onde ir quando você morrer. E quando as pessoas olharem para aquela árvore ou aquela flor que você plantou, você estará ali. Não importa o que você faça, dizia ele, desde que você transforme alguma coisa, do jeito que era antes de você tocá-la, em algo que é como você depois que suas mãos passaram por ela. A diferença entre o homem que apenas apara gramados e um verdadeiro jardineiro está no toque, dizia ele. O aparador de grama podia muito bem não ter estado ali; o jardineiro estará lá durante uma vida inteira". (p. 192). (A citação veio do livro: BRADBURY, Ray (1920-). Fahrenheit 451: a temperatura na qual o papel do livro pega fogo e queima. Tradução Cid Knipel, prefácio Manuel da Costa Pinto. São Paulo: Globo, 2003).

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