quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Minha dissertação: Ensaios em psicanálise e literatura


Os Ensaios em psicanálise e literatura evocam, pelo estilo, a estética e o espírito do pensamento em ato e buscam a um só tempo uma maneira de escrever que não se converta ao que critica. O autor, no primeiro capítulo, toma de empréstimo a personagem de um conto do escritor Jorge Luis Borges para problematizar a memória na contemporaneidade. No capítulo seguinte, faz uma autópsia sobre as motivações da escrita estimulada pela leitura. E no último capítulo, inspirado em Roland Barthes, Gaston Bachelard, Eduardo Galeano e na obra As Cidades Invisíveis, de Italo Calvino, resgata dos capítulos anteriores emblemas e questões abordadas de forma indireta e as transforma em crônica, poemas, axioma e narrativas ficcionais. A unidade e a diversidade interpenetram-se ao longo das páginas, e o leitor ou leitora é quem fará os elos e os incorporará à sua visão de mundo.

Ao invés de reproduzir o discurso que trata da miséria, por exemplo, o autor escreveu uma narrativa ficcional em que a estética da depauperação emergiu da trama. Para não repetir o que já foi dito sobre a violência, três poemas a invocaram. Sem que se devassasse As Cidades Invisíveis, de Calvino, uma outra cidade, também inventada, surgiu a partir da leitura do livro. Esfacelar uma obra não diz nada a respeito dela, só se fica com as partes formais, decomponíveis, que passam a pertencer à área da propedêutica, e isso não é grande coisa. Então, com a ausência de vocábulos herméticos e de toda a algaravia científica que, muitas vezes, eclipsam mais do que elucidam, pois, como Cortázar (1999) já apontou: “É horrível falar de um jasmim com termos que servem para explicar um motor a diesel” (p. 235), o autor problematizou, de forma plástica, o que se dispôs a pensar. Evitou discussões sincrônicas; preferiu uma modalidade mais anárquica nas exposições efetuadas, até porque a dissertação se movimentou no campo experimental da escrita e se propôs a estender as fronteiras do discurso acadêmico, a partir de uma ruptura em ato dos circuitos de repetição do mesmo. Em nenhum momento, o receptor foi subestimado, porque a validade da pesquisa se concentra nele, em suas percepções. Por isso, dentre outros casos, a palavra autoria não foi utilizada: para o bom leitor, o silêncio é ruidoso; o que está oculto tem mais significado e riqueza do que aquilo que se mostra sem esforço. Afirmações categóricas podem ter sido feitas nas páginas precedentes, mas, como há de se suspeitar, os juízos devem ser relativos, por trazerem à tona o ponto de vista do autor, que se expressou da forma que considerou a melhor possível. Às vezes, justificar o porquê de se pensar de um jeito e não de outro se torna estéril, visto que, com o passar dos anos, se acumulam experiências que se confundem com certezas, e tudo o que é humano só tem uma garantia: a morte. E se o que foi escrito for realmente importante, outros sucederão com novas idéias e proposições o que aqui foi abordado, sem que se neutralizem as diferenças ou se institucionalize um saber, e isso é o suficiente.


Leia na íntegra os Ensaios em psicanálise e literatura:


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