terça-feira, 27 de outubro de 2009

O homem que soube calar



Juan Rulfo disse o que tinha para dizer em poucas páginas, puro osso e carne sem gordura, e depois guardou silêncio.
Em 1974, em Buenos Aires, Rulfo me disse que não tinha tempo para escrever como queria, por causa do trabalhão que tinha em seu emprego na administração pública. Para ter tempo precisava uma licença e essa licença tinha de pedi-la aos médicos. E a gente não pode, me explicou Rulfo, ir ao médico e dizer: “Me sinto muito triste”, porque por essas coisas os médicos não dão licença. (p. 122).


Extraído do livro: Galeano, Eduardo. Dias e noites de amor e de guerra. Tradução de Eric Nepomuceno. Porto Alegre: L&PM, 2002.

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