domingo, 22 de novembro de 2009

O fazedor, Jorge Luis Borges


video

Eu adivinhava nela uma intensidade que era totalmente estranha à erótica, e a temia (Borges, p. 18).

Os homens inventaram o adeus porque se sabem de algum modo imortais, embora se julguem contingentes e efêmeros (p. 24 e 25).

Que títulos são esses para a lembrança? Eu vivo e seguirei vivendo por muitos anos na memória das pessoas (p. 27).

A coragem é uma questão de resistência; uns agüentam mais, outros menos, mas cedo ou tarde todos fraquejam (p. 28).

E agora quero que me apaguem, que me dêem outro rosto e outro destino. Não sei quem será o outro, o que farão comigo, mas sei que não terá medo (p. 28).

Vai ver não estou afeito a estar morto, mas estes lugares e esta discussão me parecem um sonho, e não um sonho sonhado por mim, e se sim por outro, que ainda está por nascer. (p 29).

Sabe que o morto é ilusório, como também o são a espada sangrenta que lhe pesa na mão e ele mesmo e toda a sua vida pretérita e os vastos deuses e o universo. (p 32).

Essas coisas, agora, são como se não tivessem sido. (p. 37).

O sonho de um é parte da memória de todos (p. 38).

Cruz, laço e flecha, velhos utensílios do homem, hoje rebaixados ou elevados a símbolos; não sei por que me maravilham, quando não há na Terra uma só coisa que o esquecimento não apague ou que a memória não altere e quando ninguém sabe em que imagens o traduzirá o futuro. (p. 39).

Os homens perderam um rosto, um rosto irrecuperável. (p. 42).

Talvez um traço do rosto crucificado espreite em cada espelho; talvez o rosto tenha morrido, se apagado, para que Deus seja todos (p. 43).

Do livro: BORGES, Jorge Luis Borges (1960). O fazedor. Tradução Josely Vianna Baptista. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

Nenhum comentário:

Postar um comentário