quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O Grande Gatsby, Francis Scott Fitzgerald


Seu coração batia cada vez mais rápido, à medida que o alvo rosto de Daisy se aproximava do seu. Sabia que, ao beijar aquela garota, unindo para sempre suas visões indescritíveis ao hálito perecível de Daisy, seu espírito jamais se entregaria a traquinagens, como o espírito de Deus. Aguardou, pois, um momento, atento ao diapasão que soara sobre uma estrela. E então, beijou-a. Ao toque de seus lábios, ela desabrochou como uma flor, e a corporificação foi completa.
Em meio de tudo o que ele disse – e até mesmo em meio de sua espantosa sentimentalidade – eu recordava algo... um ritmo fugitivo, um fragmento de palavras perdidas, que eu ouvira, havia muito, algures. Por um momento, uma frase procurou formar-se em minha boca, e meus lábios se entreabriram como os de um mudo, como se houvesse neles maior esforço do que poderia produzir um súbito sopro de ar. Mas não produziram som algum – e aquilo de que quase me lembrei permaneceu para sempre incomunicável (p. 97).

FITZGERALD, F. Scott. O Grande Gatsby. Tradução de Brenno Silveira. 6ª edição. Rio de Janeiro: Editora Record.


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