sexta-feira, 5 de março de 2010

O amor é uma parábola, Bruno Tolentino


O amor é uma parábola, a instante tradução
do real em metáfora; no entanto, não importa
se a aparição que se desvela quando a porta
se escancara entre os mundos, é uma alucinação

ou uma sombra tangível: o ser é uma porção
incerta do invisível e o olho não suporta,
muito menos retém-no, o impacto da visão;
o olhar humano dói mais fundo quando corta

a escuridão ao meio e penetra-a e não toca
sequer seus pirilampos, nem mesmo uma variante
da noite e seus relâmpagos: um corpo deslumbrante

pode se encher de luz primeva, mas a boca
é a entrada da treva, e o mais puro diamante
não cruza nunca o espelho nem tem valor de troca...

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