quinta-feira, 11 de março de 2010

Silvia Saint, Alexei Bueno


Teu santo nome veste
A quintessência bruta
Da arquetípica puta,
Vênus baixa e celeste.

Áurea cachorra, vaca,
Por que é que os lábios tremem
Vendo em teu rosto o sêmen
Como uma vítrea laca?

Sêmen geral, das turbas
Em teu suor diluído,
No sorriso vendido
Com que os mortos perturbas.

Exatidão vivente,
A luz pisa em teus passos,
Nos teus cílios devassos,
No olhar que arde e consente.

Cadela de ouro, glória
Pueril, sórdida e santa,
Asco que envulta e encanta,
Deusa auto-entregue À escória.

Deusa, deusa mil vezes,
Deusa de uma e mil faces,
Das rameiras rapaces, das cortesãs soezes.

Da assíria e de Corinto,
De Suburra e Pompéia,
Em ti toda a alcatéia
Uiva o olvidar do instinto.

Deusa mordível, puta
Vinda a sorri do Letes,
Talvez um dia aquietes
Tua carne alva e corrupta?

Jamais, deusa, não traias
Teus pobres fiéis que babam,
Que em êxtase se acabam
Por ti, pelas tuas aias.

Louro véu do universo,
Sacra estátua e cadela,
Pisa esta alma que vela
Teu sonho áureo e perverso.

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