domingo, 16 de maio de 2010

Os Sofrimentos do jovem Werther, Wolfgang Goethe



Maio, 4

“... os mal entendidos e a indolência talvez produzam mais discórdias no mundo do que a duplicidade e a maldade; pelo menos, estas duas últimas são mais raras” (p. 14; 1o parágrafo).

Maio, 10

“ ‘Oh! Se tu pudesses exprimir tudo isso! Se tu pudesses exalar, sequer e fixar no papel tudo quanto palpita dentro de ti com tanto calor e plenitude, de modo que essa obra se tornasse o espelho de tua alma, como tua alma é o espelho de Deus!... ‘ meu amigo!... Este arroubamento me faz desfalecer, sucumbo sob a força dessas visões magníficas” (p. 15; 2o parágrafo).

Maio, 15

“As pessoas de condição elevada mantêm habitualmente uma fria reserva para com a gente comum, só pelo temor de diminuir-se com essa aproximação. Além disso, há os imprudentes que só fingem condescência para melhor ferir, com seus modos arrogantes, agente humilde” (p. 16; 1o parágrafo).

“Bem sei que não somos, nem podemos ser todos iguais” (p. 17; 2o parágrafo).

Maio, 17

“És um insensato em busca daquilo que não se encontrar neste mundo” (p. 18; 2o parágrafo).

Maio, 22

“A vida não passa de um sonho. Mais de uma pessoa já pensou isso... Quando vejo os estreitos limites onde se acham encerradas as faculdades ativas e investigadoras do homem e como todo o nosso labor visa apenas satisfazer nossas necessidades, as quais, por sua vez, não têm outro objetivo senão prolongar nossa mesquinha existência; quando verifico que nosso espírito só pode encontrar tranqüilidade, quanto a certos pontos das nossas pesquisas, por meio de uma resignação povoada de sonhos, como um presidiário que adornasse de figuras multicoloridas e luminosas perspectivas as paredes de sua cela...Concentro-me e encontro um mundo em mim mesmo! Mas, também aí, é um mundo de pressentimentos e desejos obscuros e não imagens nítidas e forças vivas. Tudo flutua vagamente nos meus sentidos e assim, sorrindo e sonhando, prossigo na minha viagem através do mundo” (p. 19; 1o parágrafo).

“As crianças – todos os pedagogos eruditos estão de acordo a este respeito – não sabem a razão daquilo que desejam; também os adultos, da mesma forma que as crianças, caminham vacilantes e ao acaso sobre a terra, ignorando, tanto quanto ela, de onde vêm e para onde vão. Não avançam nunca segundo uma orientação segura; deixam-se governar, como as crianças, por meio de biscoitos, pedaços de bolo e vara. E, como agem por essa forma, inconscientemente, parece-me, portanto, que se acham subordinados à vida dos sentidos” (p. 20; 2o parágrafo).

“... Também é ditosa a gente que, emprestando nomes pomposos às suas ocupações e até às suas paixões, conseguem fazê-las passar por gigantescos empreendimentos destinados à salvação e prosperidade do gênero humano...Mas aquele que humildemente reconhece o resultado final de toda as coisas vendo, de um lado como o burguês facilmente arranja o seu pequeno jardim e dele faz um paraíso e de outro, como o miserável, arfando sob o seu fardo, segue o seu caminho sem revelar-se, mas aspirando todos, do mesmo modo, a enxergar ainda por um minuto a luz do Sol...E assim, quaisquer que sejam os obstáculos que entravem seus passos, guarda sempre no coração o doce sentimento de que é livre e poderá, quando quiser, sair da sua prisão” (p. 20; 2o parágrafo).

Maio, 26

“Não obstante, diga-se o que se disser, toda a regra destrói o verdadeiro sentimento e a verdadeira expressão da natureza” (p. 22; 2o parágrafo).

Maio, 30

“Trata-se apenas de reconhecer o que é belo e ousar expressá-lo... Para dar interesse a qualquer manifestação da natureza, serão precisos sempre enfeites e arrebiques?” (p. 24; 1o parágrafo).

“... seria preciso que eu tivesse dons de um grande poeta para pintar a você, de modo eloqüente, a expressão dos seus gestos, o som harmonioso da sua voz, o fogo interior que brilhava nos seus olhos. Não! Palavra alguma pode exprimir a ternura que transparecia com seus gestos e no seu rosto; por mias que me esforçasse, seria sempre opaco e pesado... Em toda aminha vida, nunca vi tão ardente paixão e tão alvoroçado desejo aliados a tanta pureza...A imagem dessa paixão acompanha-me por toda a parte” (p. 25; 3o parágrafo).

Junho, 16

“... Conheci alguém que tocou meu coração” (p. 26; 1o parágrafo).

“Quantas vezes absorvido em minha admiração pelo sentido de suas frases, sequer cheguei a ouvir as palavras de que ela se servia” (p. 31; 3o parágrafo).

“... porque, nesse momento, a seus olhos tudo o mais é como se não existisse” (p. 32; 1o parágrafo).


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