quarta-feira, 16 de junho de 2010

Carmina Burana, Carl Off



Fortuna, Imperatriz do Mundo/ Fortuna, Imperatrix Mundi

“... Vida detestável, ora maltratas ora exaltas como o Sol derrete o gelo, assim dissolves a miséria e o poder”. / “...Vita detestabilis, nunc obdurat et tunc curat ludo mentis aciem, egestatem, protestatem dissolvit ut glaciem” (p. 15, 1a estrofe).

“Roda da sorte, monstruosa giras. Insensível, má e volúvel. Velada me persegues, me atormentas e por tua causa tudo perco, a saúde inclusive e a vida”. / “Sors immanis et inanis rota tu volubilis, status malus,, vana salus semper dissolubilis, obumbrata et velata michi quoque niteris; nunc per ludum dorsum nudum fero tui sceleris. Sors salutis et virtutis michi nunc contraria, est affectus et defectus semper in angaria” (p. 15, 2a estrofe).

“Nesta hora, sem mais demora lamentamos juntos o destino que esmaga o bravo”. / “Hac in hora sine mora corde pulsum tangite; quod per sortem sternit fortem” (p. 15, 3a estrofe).

“Lamento os golpes da sorte com os olhos plangentes. Ora ela me rouba os dons pródigos e tudo me tolhe”. / “Fortune plango vulnera stillantibus ocellis, quod sua michi munera subtrahit rebellis. Verum est, quod legitur fronte capillata, sed plerumque sequitur occasio calvata” (p. 15 e 7, 4a estrofe).

“Certa vez estava eu entronizado pela sorte, coroado por uma guirlanda de prosperidade. No auge da minha felicidade fui derrubado e roubado de toda minha glória”. / “In fortune solio sederam elatus, prosperatis vario flore Coronatus; quisquid tamen flouri felix et beatus, nunc a summo corrui gloria privatus” (p. 15, 7, 5a estrofe).

“Corre a roda da sorte; um cai outro se eleva. Em desconforto está o rei. Deixemos que ele perceba sua ruína, pois sob o eixo da roda lemos o nome de Hécuba”. / “Fortune rota volvitur: descendo minoratus; alter in altum tollitur; nimis exaltatus rex sedet in vertice – caveat ruinam! Nam sub axe legimusHecuban reginam” (p. 15 e 7, 6a estrofe).

Na Primavera / Primo Vere

“A face brilhante da Primavera mostra-se ao mundo, afastando o frio do inverno. Flora reina em seus mantos coloridos, Febo ri-se a seus pés e de flores cercado. Aspira Zéfiro a sua fragrância. Que haja uma competição, tendo por prêmio o amor. O rouxinol emite seu canto, os prados sorriem, voam os pássaros. Prometem as donzelas mil alegrias”. / “Veris leta facies mundo propinatur hiemalis acies victa iam fugatur, in vestiu vario Flora principatur, nemorum dulcisono que cantu celebratur. Flore fusus gremio Phebus novo more risum dat, hoc vario iam stipatur flore. Zephyrus nectareo spirans in odore. Certatim pro bravio curramus in amore. Cytharizar cantico dulcis philomena, flore rident vario prata iam serena, salit cetus avium silve per amena, chorus promit virginum iam gaudia millena” (p. 15 e 8, 7a estrofe).

“... Ama-me com fidelidade, sente a adoração constante do meu coração. Estou contigo, mesmo se distante. Quem partilha do meu sentimento a tortura do amor conhece”. / “Ama me fideliter, fidem mean nota de corde totaliter et ex mente tota. Sum presentialiter absens in remota, quisquis amat taliter, volvitur in rota”(pg. 16 e 8, 8a estrofe).

“Miserável é aquele que não ama, não se deixa possuir pelo desejo...” / “illi mens est misera, Qui nec vivit, nec lascivit...” (p.16 e 9, 9a estrofe).

Por que meu amor não volta? Ela se escondeu, pobre de mim quem me amará?”. / “...Wa ist min geselle alse lange? Der ist geriten hinnen, o wi, wer sol mich minnen?” (p. 16 e 9, 10a estrofe).


Na Taberna/ In Taberna

“Com ira e amargor falo a mim mesmo, feito de matéria cinza dos elementos. Sou como uma folha com que o vento brinca. Se um sábio constrói sua casa sobre uma rocha, eu, tolo, sou como um rio que corre sem definido rumo” / “Estatuans interius ira vehementi in amaritudine loquor mee menti: factus de materia, cinis elemneti, similis sum folio de quo ludunt venti. Cum sit enim proprium viro sapienti supra peram ponere sedem fundamenti, stultus ego comparor fluvio labenti, sub eodem tramite nunquam permanenti” (p. 17 e 10, 12a estrofe).

“Sou levado como um barco sem piloto, como ave que plana sem destino. Nada me retém, nada me prende. Olho para os meus semelhantes e aos depravados me junto. É muito pesada, sobre eu, a carga no coração. O que Vênus exige é suave labor. Nunca mora, o amor em corações covardes. Na estrada sem fim, movo-me como me ordena minha juventude. Ligado ao vício, despreocupa-me a virtude. Sou ávido mais por alegria do que por bem-estar; moro na alma, cuido só do meu corpo” / “Feror ego veluti sine nauta navis, ut per vias aeris vaga fertur avis; non me tenent vincula, non me tenet clavis, quero mihi similes et adiungor pravis. Mihi cordis gravitas res videtur gravis; iocus est amabilis dulciorque favis quicquid Venus imperat, labor est suavis, que nunquam in cordibus habitat ignavis. Via lata gradior more iuventutis, implicor et vitiis immemor virtutis, voluptatis avidus magis quam salutis, mortuus in anima curam gero cutis” (p. 17 e 10, 13a estrofe).

A Corte do Amor

“Que fizestes, ó infame destino? Tiraste todos os prazeres desta vida!” / “Quid fecisti sors turpissima? Nostre vite gaudia abstulisti omnia!” (p. 18 e 11, 15a estrofe).

“Por vossos lindos rostos minhas lágrimas brotam. Há um gelo em vosso coração. Um beijo só me devolveria à vida”/ “Tua pulchra facies, me fay planszer milies, pectus habet glacies. A remender, statim vivus fiercem per un baser”(pg. 19 e 12, 17a estrofe).

“Meu coração suspira. Anseio por tua beleza. Grande é minha miséria... Minha amada não vem. Teus olhos brilham como os raios de sol, como relâmpagos na noite. Que os deuses olhem com bondade para o meu desejo...” / “circa mea pectora multa sunt suspiria. De tau pulchritudine, que me ledunt misere...min geselle chumer niet. Tui lucent oculi sicut solis radii, sicut splendor fulguris lucem donat tenebris. Vellet Deus, vellent dii, quod mentre propossui...” (p. 19 e 13, 19a estrofe).

“Mais rubra que as rosas, mais alva que o lírio, mais bela que tudo o mais, sempre te glorificarei!” / “Rosa rubicundior, lilio candidior, omnibus formosior, semper in te glorior!” (p. 19 e 13, 21a estrofe).


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