quinta-feira, 10 de junho de 2010

Utopia ou O Tratado da melhor forma de governo, Tomás Morus



A maioria das pessoas ignora as letras; muitos as desprezam. Um bárbaro rejeita como grosseiro tudo o que não é francamente bárbaro. Os semiletrados desprezam como vulgar tudo o que não sobeja em termos esquecidos. Há os que amam somente o antigo. (p. 13).

Assim presta-se aos anciões a homenagem que lhes é devida, e a satisfação deles é partilhada por todos. (p. 88).

A natureza, como a mais generosa das mães, pôs a nosso alcance imediato o que ela nos deu de melhor, o ar, a água, a própria terra, ao mesmo tempo, afasta de nós as coisas vãs e inúteis. (p. 92).

Uma propensão marcada para a vida intelectual. (p. 96).

Ou, se te é não apenas permitido, mas ordenado, propiciá-lo aos outros como um bem, então não há por que não concedê-la primeiramente a ti mesmo, que tens o direito de ser tão benévolo contigo quanto com os outros. (p. 100).

Mas roubar o prazer de outrem ao buscar o seu é verdadeiramente uma injustiça, enquanto privar-se de algo em favor de outrem é verdadeiramente um ato humano e generoso. (p. 101).

Sem ter de pagá-lo com um sofrimento. (p. 102).

Eles se crêem munidos de uma superioridade real, quando esta é apenas ilusória, e levantam a crista, convencidos de terem acrescentado algo a seu valor. (p. 102).

Abster-se enfim dos prazeres cujos maléficos teria de reparar. (p. 108).

Mas, quando a um mal sem esperança se acrescentam torturas perpétuas, os sacerdotes e os magistrados vêm ver o paciente e lhe expõem que ele não pode mais realizar nenhuma das tarefas da vida, que ele se torna um peso para si mesmo e para os outros, que ele sobrevive à sua própria morte, que não é sensato alimentar por mais tempo o mal que o devora, que ele não deve recuar diante da morte, já que a existência lhe é um suplício, que uma firme esperança o autoriza a evadir-se de uma vida que se tornou um flagelo ou a permitir que os outros o livrem dela: que é agir sabiamente pôr um fim, pela morte, ao que deixou de ser um bem para ser um mal; e que obedecer aos conselhos dos sacerdotes, intérpretes de Deus, é agir da maneira mais santa e piedosa. (p. 114 e 115).

Uma desgraça da qual é inocente (p. 119).

São chamados pais e se comportam como se o fossem. (p. 119).

Tendo a lei por objeto unicamente lembrar a cada um seu dever, dizem eles, uma interpretação demasiado sutil, que poucos são capazes de compreender, só poderá instruir uma minoria, enquanto sua significação, resgatada por um espírito simples, é clara para todos. De que serve para a massa, isto é, para a classe mais numerosa e que tem a maior necessidade de regras, a existência de leis, se as que existem só têm sentido nas intermináveis discussões de personagens engenhosos, leis inacessíveis ao julgamento sumário do povo simples e muito menos a pessoas cuja vida está inteiramente ocupada em ganhar o pão? (p. 120 e 121).

Às forças próprias e aos ódios dos dois partidos em confronto, juntaram-se as paixões e os recursos dos povos vizinhos. (p. 124).

Pusessem fim a calamidades que nasciam umas das outras. (p. 125).

Procuram homens de bem para ter como amigos. (p. 129).

A vitória sendo arrancada dos que acreditavam tê-la e os vencedores se descobrindo vencidos. (p. 132).

Suplentes sucedem aos titulares à medida que estes morrem. (p. 142).

Mesmo a pobreza, que parece ter o dinheiro por remédio, desaparecerá assim que ele tiver sido abolido. (p.152).

Trechos do livro: MORUS, Sir Tomás. Utopia. Tradução de Paulo Neves. Porto alegre: L&PM, 2006.

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