segunda-feira, 5 de julho de 2010

O sonho de Borges e a memória impessoal, Paulo Fernando Monteiro Ferraz e Edson Luiz André de Sousa




O SONHO DE BORGES E A MEMÓRIA IMPESSOAL


EDSON LUIZ ANDRÉ DE SOUSA é Psicanalista. Membro da APPOA. Professor do PPG Psicologia Social e PPG Artes Visuais UFRGS. Doutor em Psicanálise e Psicopatologia pela Universidade de Paris 7. Coordena, junto com Maria Cristina Poli, o LAPPAP (Laboratório de Pesquisa em Psicanálise, Arte e Política) – UFRGS,. Pesquisador do CNPQ. Professor Visitante na Deakin University, Melbourne e no 17, Instituto de Estudos Críticos, Cidade do México. Autor dos livros Freud (Editora Abril, SP, 2005); Uma invenção da Utopia (Lumme Editor, SP, 2007); e Freud: Ciência, Arte e Política, escrito junto com Paulo Endo (L&PM, Porto Alegre, 2009). Em pós-doutorado em Paris na Université de Paris VII e na Ecole des Hautes Etudes em Sciences Sociales (2009). Membro da Society of Utopian Studies.

PAULO FERNANDO MONTEIRO FERRAZ é Psicólogo. Mestre em Psicologia Social e Institucional (UFRGS). Ex-bolsista da CAPES. Coordenador da Oficina de Produção psicanalítica e literária no Instituto Bion e no ESIPP. Aluno do curso de especialização em psicoterapia de orientação psicanalítica (ESIPP). Membro efetivo da Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul. Membro do laboratório de pesquisa psicanalítica, arte e política (LAPPAP/ UFRGS). Membro do Laboratório Interdisciplinar de pesquisa em sono (LIPS/ UFRGS). Integrante do Núcleo de Atividades Expressivas Nise da Silveira – Acervo (Hospital Psiquiátrico São Pedro). Ex-aluno da oficina literária do Charles Kiefer.

Resumo:O artigo transita no elo entre a Psicanálise e a Literatura e toma de empréstimo o personagem de um conto do escritor Jorge Luis Borges para problematizar a memória e a singularidade em meio às atuais operações mercantis.
Palavras-chave: Psicanálise. Literatura. Impessoalidade. Singularidade. Mercado. Utopia.

BORGES' DREAM AND IMPERSONAL MEMORY

Abstract: This paper aproaches the link between literature and psychoanalysis and utilizes a character from a short story by Jorge Luis Borges for setting the context for a discussion on memory and the singularity among current mercantile transations.
Keywords: Psychoanalysis. Literature. Impersonality. Singularity. Market. Utopia.

O SONHO DE BORGES E A MEMÓRIA IMPESSOAL

“E agora quero que me apaguem, que me dêem outro rosto e outro destino. Não sei quem será o outro, o que farão comigo, mas sei que não terá medo”

(Borges, O fazedor, p. 28) (1)

Quando não sabemos que imagem nos habita, que discurso fala em nós, que movimento nos impulsiona a agir, temos a chance de falar, escrever, ler para suportar este desequilíbrio que está longe de ser acidental. É o inconsciente que nos constitui como sujeitos de linguagem; foi exatamente isto que Freud legou ao mundo quando construiu metodicamente os seus conceitos. O singular não exclui por questões de estrutura o Outro, este estranho que nos habita desde que balbuciamos pela primeira vez o potente significante ‘eu’. Portanto, a partir da psicanálise, o impessoal não se opõe ao que a psicologia do senso comum entende por pessoal. Este ‘si mesmo’ está condenado a um jogo de espelhos ao infinito e a sensação de identidade nada mais é do que uma interrupção arbitrária nesta série de derivações. Contudo, e este é o ponto fundamental, uma abordagem do impessoal tem que levar em conta, em alguma medida, o traço singular de cada ser falante. A questão seria a de saber como cada singular desenha seu campo de impessoal. Aqui encontraríamos sua estilística, ou então, para dizer de outra forma, o sintoma que é próprio de cada um.

Borges sonhou com um homem sem rosto que num quarto de hotel lhe oferecia a memória pessoal de Shakespeare. Magicamente, receberia dentro de si todas as relíquias de vida incrustadas no cérebro do escritor britânico. Ganharia um dos maiores prêmios. Se o sonho lograsse êxito, Borges, que já era um gigante, aumentaria de tamanho com a ajuda insólita do homem de faces apagadas.

O episódio que se sucedeu sob suas pálpebras, em uma noite de descanso em Michigan, deu origem a uma narrativa ficcional chamada A Memória de Shakespeare (2) . Nela, um solitário escritor, Hermann Sörgel, que se dedicou ao exercício pleno da leitura, passa a ser o receptáculo das lembranças de William Shakespeare. A trama, como se deduz, encontra-se envolta por uma aura fantástica, em que artifícios simples tratam de fenômenos complexos de forma orgânica e direta. O conto é considerado, pela sua perfeição, como sendo o último feito pelo punho do escritor sul-americano.

A partir de uma exegese dessa história brotada de um sonho, podemos inferir que nela residem emblemas latentes, chaves de uma compreensão da memória que cultivamos do mundo e de sua conjuntura atual. À luz da política, a alegoria dessa narração nos faz despertar a consciência para questões delicadas. Uma delas pode ser definida pelo seguinte enunciado: que memória a sociedade cria para nós? E sua variante: que sociedade se engendra com as nossas memórias?

Uma das amarras do controle é, sem dúvida, o circuito de trabalho-produção-consumo que nos captura de forma cruel. Parte desse controle é diretamente instituído pelas forças perversas da economia capitalista. Para citar apenas um exemplo, podemos evocar o que nos diz Noam Chomsky (3) (2003):

“Milhões de pessoas no mundo morrem de doenças que são curáveis e isto em função de cláusulas protecionistas, inscritas nos regulamentos da Organização Mundial do Comércio, que delegam às multinacionais o direito de fixar o preço na forma de grandes monopólios. Assim a Tailândia e a África do Sul, para citar apenas estes, possuem indústrias farmacêuticas capazes de produzir medicamentos que salvariam muitas vidas com uma pequena fração do preço decretado pelo monopólio, mas, sob a ameaça de sanções comerciais, eles não ousam fazer isto” (p. 45).

Enquanto o homem se extenua trabalhando em prol dos lucros, para ser economicamente rentável aos meios de produção capitalistas, visando ulteriormente o consumo de fetiches e de mercadorias cada vez mais sofisticadas, aliena-se de si mesmo e adoece sem se aperceber. A sociedade que arquitetamos quer nos colocar em vidros com tampas de aço; quer que sejamos espécimes em conserva, como os natimortos que estão à mostra nas prateleiras dos laboratórios, para serem sondados pela caterva de estudantes pernósticos. Em Uma invenção da utopia, Sousa (4) (2007) dissipou algumas névoas quando escreveu: “Vão sendo criados espaços de obediência, de servidão voluntária, de timidez, de descrédito das ações, da melancolia como a virtude serena do consumidor entregue aos fogos de artifício escancarados nas vitrines: aquários modernos do sonho” (p. 22).

O discurso de poder nos inocula a culpa; nos põe em dívida para com a ordem do sistema. Ora, a máquina burocrática nos obriga a uma disciplina espartana, voltada ao heroísmo e ao sucesso. É proibido arrostar os fracassos; melhor mesmo é esquecê-los. Mas as ruínas se alastram em progressões geométricas.

Há um mal crônico que nos assola, o da anestesia da singularidade. Os gestos tornaram-se maquinais, como se algo nos movesse por cordéis. Já não nos sentimos autores de nosso destino: tudo nos guia à estranheza. Nossa voz parece atrofiar-se aos poucos com esse sintoma social, pois a mercadoria, como um ventríloquo, se faz de intérprete e dá as legendas do desejo: ensaia responder quem somos, alude à nossa origem e indica o montante de dinheiro que dispomos para gastar. A estereofonia da alma cedeu lugar à esteira de produção, e a linguagem das transações comerciais infiltra-se, de modo sub-reptício, no dicionário de valores que portamos para nos orientar.

Joseph K., o protagonista do romance O processo (5) , de Franz Kafka, pode ilustrar o que até aqui foi mencionado. A identidade e o passado de K. estão sendo investigados. O drama do personagem consiste em não conseguir recordar que crime cometeu. Será posto em julgamento, e não intui o porquê. O território de sua liberdade foi demarcado; ele vai até onde lhe permitem ir. Transita em busca de si mesmo, porque parece ter se extraviado em algum espaço que agora lhe é obscuro. K. é uma incógnita, e sua memória é que está em xeque em uma complexa equação. O que foi feito não importa aos olhos da lei. Ele é culpado, e ponto final; culpado por ter aderido sem questionar o que lhe infligiram à força. Joseph K. recebeu a réplica de suas lembranças e desejos a fim de que não lhe surgisse a vontade de viver.

Outro exemplo pode ser extraído de Albert Camus, em O Estrangeiro (6) : Meursault é a encarnação do homem metido em uma vida anódina. Incapaz de fingir o que não sente, o personagem encontra-se à parte das convenções mundanas. Não vê como participar do jogo social e recebe como punição a morte. O mesmo se deu, em certa medida, com o personagem de Cervantes , Alonso Quijano, leitor de histórias fabulosas. Enfadado com a vida que levava, decidiu passar-se por louco, pois, assim, encarariam sem gravidade o absurdo em seus atos, e tudo lhe seria permitido. A insensatez, no caso, serviu como um artifício: tornou-se o passaporte para um mundo cuja razão jamais foi entronizada e nunca pôde ser soberana. Então, inventou uma cavalaria andante em que foi o único membro; arranjou um cúmplice para as aventuras, o fiel escudeiro, Sancho, e criou para si Dulcinéia, uma paixão inalcançável, que justificava todos os arroubos de genialidade e os delírios de sua engenhosa alma. Transformou-se, por obra do apetite pelo extraordinário, em Dom Quixote e arremeteu-se aos moinhos de vento para escandalizar a moral burguesa da época e provar à cultura que na sandice crepitava muita lucidez. Mas como estava destinado a fracassar, a ser incompreendido pelos conterrâneos, voltou ao princípio, e deixou que Dom Quixote o abandonasse para ceder lugar ao outro, ao arrazoado cidadão Alonso Quijano, e morreu. Sofremos então destes imperativos do funcionamento social que nos abstém de pensar.

E como ter uma memória que possa preservar algum traço de autoria e criação? Que relação ao mundo nos permitiria resistir à anestesia? Walter Benjamin já insistiu muito na força da narração como fundação de um lugar de sujeito e criação de uma história. Algumas dessas narrativas tomam a forma de livros, nem todas. Os livros condensam a herança de nossa espécie, porque alojam em suas páginas os traços da civilização. A leitura enaltece o homem, porque lhe dá um rosto, o diferencia do ordinário – assim o definiu a ética de Aristóteles. Ler e escrever são modos de criar a própria memória. Foi o que fez Primo Levi (8) ao narrar a jornada infernal pelos campos de concentração, no nazismo, em É isto um homem?

É preciso resgatar o passado (9) , não para homenageá-lo ou celebrá-lo, mas para ver o que produziu no presente, e em contato com a obra em questão podemos nos perguntar por que Levi escreveu o que testemunhou? A resposta é evidente: era sua única maneira de continuar vivo. Ele semeou nas palavras as dores, e toda a pletora de sofrimentos germina em nosso íntimo de forma aterradora. Anne Frank, ao tecer o seu diário, já traduzido em várias línguas, também nos fez herdeiros da catástrofe, o Holocausto, que ainda fervilha, de forma velada, na cultura vigorante e trespassará as malhas do tempo e das gerações, sob diferentes insígnias e estandartes. Há males que perduram sem que saibamos como desarraigá-los do coração dos homens.

Por isso é que a escrita transmite a modulação de uma voz ausente, que sensibiliza, humaniza e nos inspira civilidade, e todos que consagram a vida à escrita intuem isso. A sorte que nos reserva o futuro depende um pouco do que lembramos do passado. Ela parece ser o nexo que comunica as coisas: é solidária e fraterna para com o universo, porque na álgebra das diferenças encontra os pontos de semelhança. Põe às claras o incógnito que funde o universo ao que nós somos. A leitura nos volta para um exame de consciência: não nos deixa esquecer as selvagerias e nem permite que absolvamos os crimes cometidos contra a humanidade. Louis Marin (10) (1973), grande estudioso das utopias, afirma que a utopia inicialmente é um livro: “Em efeito, a leitura de um romance, de uma novela, de uma narrativa, mesmo de um conto ou de um mito é a reativação, evocação e a provocação a uma forma de existência particular daquilo que, antes da leitura, é um simples traço morto” (p.90).

A escrita acompanha o rio de Heráclito, cujo delta aflui em todos os séculos. A palavra anda de boca em boca, circula em todos os ares, se prende nas reentrâncias de qualquer superfície, mas, a despeito de tudo, é instrumento de dominação; não está livre dos interesses dos que lideram as comarcas, federações e entidades de todas as espécies. Mas também é aliada das transgressões: ajuda a criá-las e a replicá-las; é o réu e o juiz; tem as duas faces de uma moeda em seus valores; irmana os mundos e diminui distâncias; está em tudo e para todos e não é de ninguém; apóia os déspotas e os recrimina; elide e releva controvérsias; fornece imagens à aridez do espaço; critica a si própria e o conjunto em que pertence o homem: sua missão, dentre outras, consiste em devolver à vida o que não pode perecer e a sepultar o que já há muito nos empesta.

O homem precisa da literatura para se ligar ao insólito, para fazer contato com aquilo que desconhece em seus abismos. As palavras têm o poder de aguçar a sensibilidade, de batizar o que nos acomete sem que o saibamos. Não é à toa que abrimos um livro em busca do que o cotidiano não nos fornece, de respostas para o que julgamos além de nossas possibilidades. O livro guarda em sua etimologia a liberdade. É ele quem nos arranca da inércia; que imprime ao espírito o desejo de prosperar, de se exprimir com a linguagem e com o afeto. Uma sociedade afásica ou ágrafa sucumbiria à barbárie. As palavras deflagram as paixões recônditas que abrasam os seres. A leitura edifica o caráter, instaura uma ética, lapida a moral e exacerba o que há de melhor em cada um (assim se espera (11)) Não que isso seja a panacéia para os males mundanos. Um poema belamente escrito jamais irá conjurar a miséria que envolve o mundo. Nem mesmo os discursos mais eloqüentes, que exaltam o heroísmo e que fazem chamejar no peito dos indivíduos os ideais, são capazes de abrandar a brutalidade e a crueza de algumas existências subjugadas ao limite do sofrimento. A literatura não evitará que a espada de Dâmocles fique suspensa sobre nossas cabeças, não erradicará a fome, não debelará as enfermidades, não nos tornará mais dignos e nem mais felizes. No entanto, neste mundo em que grassam injustiças e terrores à revelia, em que as pessoas padecem de uma necessidade mórbida de triunfo e de consumo, é ela quem conspira contra a resignação endêmica que nos abate e que atiça nos cidadãos a capacidade reivindicativa e de protesto.

A leitura é um processo ativo de abstração: reescrevemos as obras, misturando-as às idiossincrasias que nos concernem, pois nos identificamos com as personagens e com as alegorias que cada trama agrega em seu núcleo. Além de nossas vidas, precisamos de vidas de celulose, virtuais, em que heróis e vilões têm autorização para desenhar em seus atos o que nos foi privado. Aí se dá um tipo de catarse: a concreção alucinatória dos desejos, posto que nos tornamos vários. O eu, ilusoriamente, se esboroa no processo de ler e o milagre da multiplicação da personalidade, ou melhor, do polimorfismo sexual se dá nas páginas de um romance, de um conto, de uma crônica etc. Há um quê de arcaico e de metafísico na leitura: a necessidade de domínio. Entre alguns indígenas, pairava a crença de que a ingestão de carne humana povoaria a vacuidade de seus espíritos com os atributos dos bravos guerreiros, mortos em batalhas. Assim como a antropofagia visava se assenhorear da essência mais nobre do outro, a leitura procura enriquecer-nos com ontologias diversas às que subsistem em nós. Os olhos, ao piscar, mastigam e deglutem as letras e transmitem ao eu a magia do outro, porque a escrita reúne tudo o que somos, e o que a linguagem professa repercute na estrutura que nos rege. A coisa, o real, a utopia, a formulação absoluta para as questões sem respostas são os elementos que nos movem, que nos incitam a caminhar ao encalço do que jamais se terá, mas que, mesmo assim, se ambiciona. Quem sabe o segredo de tudo não reside nisso: talvez sejamos as sobras do barro do universo criado por Deus e queiramos visitar outras galáxias e desbravar o que nos é obscuro para conhecermos a origem do que esteve sempre em nós: o desejo de ser em outras paragens, no não-lugar, no prometido e tão aclamado Paraíso? Nunca o saberemos, e em razão disso que o ente é, porque busca e rebusca o que crê lhe faltar.

Alguns livros, depois de fechados, se prolongam na consciência; chegamos a recriar de cabeça trechos e circunstâncias contidas ali. Ao imaginário somam-se outros matizes, formas e impressões que fazem a criatividade vicejar. As histórias encontram-se lastreadas com os mesmos embates da humanidade. Amiúde, reconhecemos a nossa própria imagem nas cenas inventadas pelos autores, “porque nós, leitores, como Narciso, gostamos de acreditar que o texto para o qual olhamos nos reflete” (Manguel, 1997, p. 299). Às vezes, até restituímos o equilíbrio a partir do desenlace de algumas narrativas ficcionais. Eis, então, o que Marcel Proust (12) escreveu: “A verdadeira vida, a vida por fim esclarecida e descoberta, a única vida, portanto, plenamente vivida, é a literatura”.

NOTAS

(1) J. L. Borges, O fazedor, tradução Josely Vianna Baptista, São Paulo, Companhia das Letras, 2008.

(2) J. L. Borges, A memória de Shakespeare, Espanha, Emecé, 2004.

(3) N. Chomsky, Noam, Sur le controle de nos viés, Paris, Editions Allia, 2003.

(4) E. Sousa, Uma invenção da utopia, São Paulo, Lumme Editora, 2007.

(5) F. Kafka, O Processo, trad. e posfácio Modesto Carone, São Paulo, Companhia das Letras, 1997.

(6) A. Camus, O estrangeiro, trad. de Valerie Rumjanek, 13ª ed., Rio de Janeiro, Record, 1993.

(7) M. Cervantes, Dom Quixote de la Mancha, Trad. Viscondes de Castilho e Azevedo, São Paulo, Abril Cultural, 1978.

(8) P. Levi, É isto um homem?, Rio de Janeiro, Rocco, 1988.

(9) Nas palavras de Galeano (1999), na obra De pernas pro ar: a escola do mundo ao avesso: “Recordar o passado, para nos livrarmos de suas maldições: não para atar os pés do tempo presente, mas para que o presente caminhe livre das armadilhas” (p. 216 e 217).

(10) L. Marin, Utopiques: jeux d’espaces, Paris, Les Éditions de Minuit, 1973.

(11) Pennac (1993) esclarece a ressalva que fizemos: “A idéia de que a leitura ‘humaniza o homem’ é justa no seu todo, mesmo se ela padece de algumas deprimentes exceções. Tornam-nos um pouco mais ‘humanos’, entenda-se aí por um pouco mais solidários com a espécie (um pouco menos ‘animais’), depois de termos lido Tchekhov” (p. 114).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

A. Camus, O estrangeiro, trad. de Valerie Rumjanek, 13ª ed., Rio de Janeiro, Record, 1993.

D. Pennac, Como um romance, trad. de Leny Werneck, Rio de Janeiro, Rocco, 1993.

E. Galeano, De pernas pro ar: a escola do mundo ao avesso, trad. de Sergio Faraco, 6ª ed., Porto Alegre, L&PM, 1999.

E. Sousa, Uma invenção da utopia, São Paulo, Lumme Editora, 2007.

F. Kafka, O Processo, trad. e posfácio Modesto Carone, São Paulo, Companhia das Letras, 1997.

J. L. Borges, A memória de Shakespeare, Espanha, Emecé, 2004.

J. L. Borges, O fazedor, tradução Josely Vianna Baptista, São Paulo, Companhia das Letras, 2008.

L. Marin, Utopiques: jeux d’espaces, Paris, Les Éditions de Minuit, 1973.

M. Cervantes, Dom Quixote de la Mancha, Trad. Viscondes de Castilho e Azevedo, São Paulo, Abril Cultural, 1978.

M. V. LLOSA, “A literatura e a vida”, in A verdade das mentiras, trad, Cordélia Magalhães, São Paulo, ARX, 2004, p.353.

N. Chomsky, Sur le controle de nos viés, Paris, Editions Allia, 2003.

P. Levi, É isto um homem?, Rio de Janeiro, Rocco, 1988.


Revista Polem!ca. Vol. 9, No 3 (2010).
http://www.polemica.uerj.br/ojs/index.php/polemica/issue/view/5/showToc

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