terça-feira, 31 de agosto de 2010

A Última Tempestade, William Shakespeare


“O céu derramaria breu escaldante se o mar não se elevasse até sua face para apagar o fogo. Como a vista dos que sofriam me era dolorosa! Um navio que levava pessoas boas reduzido a pedaços!... O herdeiro Ferdinando, com os cabelos em pé pulou primeiro e gritou: ‘O inferno está vazio. Os demônios estão soltos!’... Eu era então meu próprio soberano... dos seus ossos o coral nasceu” (Próspero).

“... Tudo marcha como na alma desejo”.

“Ambos estão rendidos. Devo dificultar para que a vitória fácil não desvaneça o prêmio”.

“O sono se aproxima. Por favor, senhor, não recuse a oferta. O sono pouco vem aos que sofrem e, quando o faz, conforta. Velaremos por sua segurança, senhor, enquanto descansa”.

“Claribel, a rainha de Túnis que mora além do mar nos devorou, para poder representar uma peça em que o passado é o prólogo e o futuro depende só de nós?”.

“Enquanto dorme tranqüilo, a traição está desperta... Os outros serão como gato lambendo leite, dançarão conforme nossa música. Há trabalhos fatigantes, mas a fadiga aumenta-lhe a atração. Muitos serviços fúteis são executados com nobreza e assuntos mínimos levam a ricos fins”.

“A muitas damas já dirigi olhares ternos e meus ouvidos ficavam presos à sua fala doce. Dotes me atraíram a muitas mulheres, mas você, tão perfeita e incomparável foi feita do que há de melhor. Admirável Miranda, por certo a perfeição da perfeição. Meu coração o aceita como a escravidão à liberdade”.

“Não tenha medo. A ilha é cheia de ruídos doces árias que só deleitam e não ferem. Às vezes, mil instrumentos ressoam aos ouvidos, vozes que me fazem dormir embora desperto de um longo sono. Vejo as nuvens que se afastam mostrando tesouros prestes a cair sobre mim e choro ao acordar, porque quero sonhar”.

“Mantenham a palavra. Refreiem os jogos amorosos. As juras mais fortes são como palha no fogo da paixão...” (Próspero).

“... Acabou a nossa festa. Esses atores como eu já disse, eram apenas espíritos e se perderam na transparência do ar. Chegará o dia em que as torres coroadas de nuvens, os suntuosos palácios, os templos solenes e até o globo suspenso e tudo que lhe pertence vão desaparecer como se dissolveu este espetáculo sem deixar rastro. Somos feitos da mesma matéria que os sonhos. E nossa vida pequena é cercada pelo sono” (Próspero).

SHAKESPEARE, William. A Última Tempestade. Porto Alegre: L&PM, 2002.

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