segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Creative writing, professor Chang-rae Lee



Chang-rae Lee, director of Princeton's Program in Creative Writing, brings the meticulous nature of his own novels to the classroom. Read more: http://www.princeton.edu/main/news/ar...

Entrevista com Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Outpatient Group Psychotherapy II, Irvin Yalom



Volume II in this Yalom group therapy series shows Dr. Yalom in action conducting a group session in an inpatient psychiatric setting, based on an adaptation of his Interpersonal Model of group psychotherapy. This highly structured approach helps to contain rather than escalate client anxiety, and can be adapted to work with a wide range of lower to mid-functioning populations in diverse clinical settings.

Outpatient Group Psychotherapy, Irvin Yalom



Volume I of this group therapy video series portrays a re-enactment of segments of group sessions over the course of a mixed adult outpatient psychotherapy group. You'll see how Yalom's interpersonal model is applied, and learn techniques to steer groups into the here-and-now so they remain dynamic, on-track, and powerfully therapeutic.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Terapeuta e paciente como “companheiros de viagem”, Irvin D. Yalom


André Malraux, romancista francês, descreveu um padre da zona rural que tinha ouvido confissões por muitas décadas e havia resumido aquilo que aprendera sobre a natureza humana da seguinte maneira: “Antes de mais nada, as pessoas são bem mais infelizes do que imaginamos... e não existe essa coisa de pessoa adulta”. Todo mundo – e isso inclui tanto os terapeutas quanto os pacientes – está destinado a experimentar não apenas a alegria da vida, mas também sua inevitável escuridão: desilusão, envelhecimento, doença, isolamento, perda, sensação de falta de sentido, escolhas dolorosas e morte.
Ninguém expressa esses sentimentos de maneira mais dura e sombria que o filósofo alemão Arthur Schopenhauer:

No início da juventude, quando contemplamos nossa vida vindoura, somos como crianças num teatro antes de a cortina subir, sentados lá animados e esperando ansiosamente pelo início da peça. É uma bênção que não saibamos o que vai acontecer. Pudéssemos prevê-lo, haveria ocasião em que as crianças poderiam parecer prisioneiros condenados, não à morte, mas à vida, e a ainda inteiramente inconscientes de qual o significado de sua sentença.

Ou, de novo:

Somos como cordeiros no campo, fazendo travessuras sob o olhar do açougueiro, que escolhe e separa um e depois outro para ser sua presa. Também é assim que, nos nossos dias bons, somos todos inconscientes do mal que o Destino pode ter reservado para n os – doença, pobreza, mutilação, perda da visão ou da razão.

Embora a concepção de Schopenhauer seja fortemente influenciada por usa própria infelicidade pessoal, ainda assim é difícil negar o desespero inerente à vida de todo indivíduo consciente de si próprio. Minha mulher e eu às vezes nos divertimos planejando jantares para grupos de pessoas que têm em comum propensões semelhantes – por exemplo, uma festa para monopolistas, ou narcisistas ardentes ou passivo-agressivos engenhosos que conhecemos ou, por outro lado, uma festa “feliz”, para a qual convidamos apenas as pessoas verdadeiramente felizes que conhecemos. Embora não tenhamos tido nenhuma dificuldade em completar a mesa para todos os outros tipos excêntricos, nunca fomos capazes de ocupar uma mesa inteira para a nossa festa de “pessoas felizes”. A cada vez que identificamos algumas pessoas de personalidade alegre e jovial e as colocamos numa lista de espera, enquanto continuamos nossa procura para completar a mesa, descobríamos que um ou outro dos nossos convidados felizes é eventualmente acometido por alguma grande adversidade da vida – freqüentemente uma doença grave ou a de um filho ou cônjuge.
Esta visão trágica, porém realista, da vida há muito influencia meu relacionamento com aqueles que buscam a minha ajuda. Embora haja muitas expressões para o relacionamento terapêutico (paciente/terapeuta, cliente/conselheiro, analisando/analista, cliente/facilitador e a mais recente – e , de longe, a mais repulsiva –, usuário/provedor), nenhuma delas transmite com precisão a minha percepção do relacionamento terapêutico. Em vez disso, prefiro pensar nos meus pacientes e em mim mesmo como companheiros de viagem, um termo que suprime as distinções entre “eles” (os aflitos) e “nós” (os que curam). Durante meu estágio de especialização, fui freqüentemente exposta à idéia do terapeuta integralmente analisado, mas, à medida que caminhei na vida, que formei relacionamentos íntimos com um bom número de meus colegas terapeutas, conheci os personagens veteranos no campo, fui convocado a ajudar meus ex-terapeutas e professores, e eu mesmo tornei-me professor e veterano, acabei percebendo a natureza mítica desta idéia. Estamos todos juntos nisso e, não existe nenhum terapeuta e nenhuma pessoa imune às tragédias inerentes à existência.
Um das minhas histórias prediletas de cura, encontrada em O jogo das contas de vidro, de Hermann Hesse, envolve Joseph e Dion, dois renomados curandeiros, que viveram em tempos bíblicos. Embora ambos fossem altamente eficientes, eles trabalhavam de maneiras diferentes. O curandeiro mais jovem, Joseph, curava através de uma escuta silenciosa, inspirada. Os peregrinos confiavam em Joseph. Sofrimentos e ansiedade despejados em seus ouvidos desapareciam como água na areia do deserto, e os penitentes saíam de sua presença leves e calmos. Por outro lado, Dion, o curandeiro mais velho, confrontava ativamente aqueles que buscavam sua ajuda. Ele adivinhava os pecados inconfessos deles. Era um grande juiz que punia, repreendia e retificava, e que curava por meio de uma intervenção ativa. Tratando os penitentes como crianças, ele dava conselhos punia com a determinação da penitência, ordenava peregrinações e casamentos, e obrigava os inimigos a fazerem as pazes.
Os dois curandeiros nunca se encontraram e trabalharam como rivais durante muitos anos, até que Joseph se tornou cada vez mais doente espiritualmente, caiu em melancólico desespero e foi assaltado por idéias de autodestruição. Incapaz de curar a si mesmo com os próprios métodos terapêuticos, ele partiu numa jornada rumo ao sul para buscar ajuda de Dion.
Em sua peregrinação, Joseph descansou uma noite num oásis, onde travou uma conversa com um viajante mais velho. Quando Joseph descreveu a finalidade e o destino de sua peregrinação, o viajante se ofereceu como guia para ajudá-lo na busca por Dion. Mais tarde, em meio à sua longa jornada juntos, o velho viajante revelou sua identidade a Joseph. Mirabile dictu: ele próprio era Dion – exatamente o homem que Joseph procurava.
Sem hesitação, Dion convidou seu mais jovem e desesperado rival à sua casa, onde viveram e trabalharam juntos por muitos anos. Dion pediu inicialmente que Joseph fosse um empregado. Mais tarde, ele o promoveu a estudante e, finalmente, a colega. Anos depois, Dion caiu doente e, em seu leito de morte, chamou seu jovem colega para que ouvisse uma confissão. Falou da antiga e terrível doença de Joseph e de sua jornada até o velho Dion para implorar ajuda. Falou sobre como Joseph tinha sentido que fora um milagre que seu companheiro de viagem e guia se revelasse ser o próprio Dion.
Agora que estava morrendo, tinha chegado a hora, disse Dion a Joseph, de quebrar seu silêncio sobre aquele milagre. Dion confessou que, naquela época, o encontro tinha lhe parecido um milagre, pois ele também tinha caído em desespero. Ele também sentia-se vazio e espiritualmente morto, e, incapaz de se ajudar, havia partido numa jornada em busca de ajuda. Naquela mesma noite em que eles tinham se conhecido no oásis, ele estava numa peregrinação em busca de um curandeiro famoso chamado Joseph.
A narrativa de Hesse sempre me comoveu de maneira incomum. Ela me parece uma declaração profundamente iluminada sobre dar e receber ajuda, sobre honestidade e duplicidade, e sobre o relacionamento entre o curador e o paciente. Os dois homens receberam uma ajuda poderosa, mas, de modos bem diferentes. O curandeiro mais jovem foi nutrido, acalentado, instruído, orientado e criado por um “pai”. Por outro lado, a ajuda que o curandeiro mais velho recebeu veio na forma de servir a um outro, de ganhar um discípulo de quem recebeu amor filial, respeito e alívio para o seu isolamento.
Mas, agora, reconsiderando a história, questiono se esses dois curandeiros feridos não poderiam ter prestado ainda mais serviços um ao outro. Talvez eles tenham perdido a oportunidade de algo mais profundo, mais autêntico, mais poderosamente transformador. Talvez, a terapia real tenha ocorrido na cena do leito de morte, quando eles abraçaram a honestidade, com a revelação de que eram companheiros de viagem, ambos simplesmente humanos, extremamente humanos. Os vinte anos de segredo, por mais úteis que tenham sido, podem ter obstruído e impedido uma forma mai profunda de ajuda. O que teria acontecido se a confissão de Dion no leito de morte tivesse ocorrido vinte anos antes, se o curandeiro e o doente tivessem se unido para enfrentar as perguntas que não têm respostas?
Tudo isso ecoa as cartas de Rilke a um jovem poeta, nas quais ele aconselha: “Tenha paciência com tudo que não foi resolvido e tente amar as próprias questões”. Eu acrescentaria: “Tente amar também os questionadores”.

Capítulo 3 do livro: YALOM, Irvin D. Os desafios da terapia. Trad. Vera de Paula Assis. Rio de Janeiro: Ediouro, 2006.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

História e Narração em Walter Benjamin, Jeanne Marie Gagnebin


Ao se tornar sinônimo de novo, o conceito de moderno assume uma dimensão certamente essencial para a nossa compreensão de modernidade, mas, ao mesmo tempo, uma dinâmica interna que ameaça implodir sua relação com o tempo. De fato, se o novo está, por definição, destinado a transformar-se no seu contrário, no não mais novo, no obsoleto e no envelhecido, então o moderno designa um espaço de atualidade cada vez mais restrito. Em outros termos, a linha de demarcação, outrora tão clara entre o moderno e o antigo, tende a apagar-se, pois o moderno se transforma cada vez mais rapidamente em seu contrário. Ao se definir como novidade, a modernidade adquire uma característica que, ao mesmo tempo, a constitui e a destrói. Essa dialética explica o ritmo ofegante que escande o cotidiano do pintor da vida moderna, sempre adiantado em relação a seus contemporâneos, mas sempre atrasado em relação à novidade fugaz. (p. 48).

A cidade moderna não é mais um simples lugar de passagem em oposição à estabilidade da Cidade divina, mas o palco isolado de um teatro profano onde a destruição acaba por vencer sempre. Nesse contexto, Benjamin realça a significação decisiva das grandes obras empreendidas por Haussmann no mesmo ano em que Baudelaire escreve “O Pintor da Vida Moderna”. A “reurbanização” de Paris destrói bairros inteiros, apaga o labirinto das ruazinhas medievais, abre grandes avenidas e alamedas “modernas”, num gesto arquitetônico no qual ruínas e fundações se confundem. Haussmann realiza materialmente a confluência entre o antigo e o moderno pela manifestação da fragilidade do presente: as ruínas do passado correspondem às de hoje; a morte não habita só os palácios de ontem, mas já corrói os edifícios que estamos erguendo. (p. 50).
A busca incessante do novo só é, pois, uma agitação irrisória que mal recobre a atividade subterrânea e tenaz de um tempo mortífero. Segundo Benjamin, esta compreensão da temporalidade é inseparável da produção capitalista, em particular do seccionamento do tempo no trabalho industrial e da transformação dos produtos da atividade humana em mercadorias, “novidades” sempre prestes a se transformarem em sucata. (p. 50).

A desvalorização dos objetos – até dos seres humanos, qual a prostituta – transformados em mercadorias, quebra a relação de imediaticidade do sujeito poético com as coisas e com as palavras que as dizem. Esta desvalorização é intensificada pela ação corrosiva do tempo que as transformações de Paris expõem como uma ferida ao olhar do poeta:

(Paris muda! Mas nada na minha melancolia
Mudou! Novos palácios, andaimes, blocos,
Antigas alamedas, tudo para mim se torna alegoria,
E minhas caras lembranças são mais pesadas que as rochas.)
(trad. J.M.G.) (p. 51).

A casa particular torna-se uma espécie de refúgio contra um mundo exterior hostil e anônimo. O indivíduo burguês, que sofre de uma espécie de despersonalização generalizada, tenta remediar este mal por uma apropriação pessoal e personalizada redobrada de tudo o que lhe pertence no privado: suas experiências inefáveis (Erlebnisse), seus sentimentos, sua mulher, seus filhos, sua casa e seus objetos pessoais. No texto “Sobre Paris, Capital do Século XIX”, Benjamin analisa, de maneira muito feliz, os interiores burgueses do fim do século, com seus móveis estofados, seus tapetes espessos, sua luz filtrada, suas fotografias e suas pinturas escolhidas, enfim, todos aqueles acessórios essenciais que deveriam sugerir uma intimidade que sumiu do mundo público; tais acessórios também têm a função de ressaltar a marca do seu proprietário, reduzido ao anonimato quando deixa sua moradia: “Habitar significa deixar rastros”, diz Benjamin. Despossuído do sentido da sua vida, o indivíduo tenta, desesperadamente, deixar a marca de sua possessão nos objetos pessoais: iniciais bordadas num lenço, estojos, bolsinhos, caixinhas, tantas tentativas de repetir no mundo dos objetos o ideal da moradia. Benjamin observa com humor que o veludo não é por acaso um dos materiais preferidos desta época: os dedos do proprietário deixam nela, facilmente, seu rastro. (p. 59 e 60).

Trechos do livro: GAGNEBIN, Jeanne Marie. História e Narração em Walter Benjamin. São Paulo: Editora Perspectiva, 1999.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Iranian female artists share their stories



An art exhibition in London has opened to coincide with International Women's Day.

'The Masques of Shahrazad' brings together the work of 28 prominent female Iranian artists.

Concursos literários

Participe de concursos literários:

http://www.meiotom.art.br/conlite.htm

Biblioteca Digital Mundial

Vale a pena conferir a Biblioteca Digital Mundial:
http://www.wdl.org/pt/

Core Colloquy: "Freud in the 21st Century: Psychoanalysis and/or Psychology"



Psychoanalysis expert Timothy L. Hulsey, VCU psychology professor and dean of the honors college engages students and faculty in the Core Course and the psychology, MLC and English departments in a general forum on the relationship between Freudian theory and mainstream American psychological science. The conversation includes the impact of early experiences on adult behavior, the nature of memory and conceptions of the self and society.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Reading Comprehension Strategies: how to teach reading sub-skills, John Conlon



The goal in teaching reading sub-skills is to increase a student's comprehension and vocabulary, and this can be done by using a variety of texts, such as textbooks, novels, poems, newspaper articles, diaries and advertisements. Teach children how to judge what text might be from the article's title with help from an English specialist and president of a theater group in this free video on reading.

Reading Comprehension Strategies: using Literature to teach reading, John Conlon



Literature can be used to teach children how to read by involving them in activities that establish positive attitudes towards reading. Discover how literature can help to free a child's imagination so that they can make their own interpretation with help from an English specialist and president of a theater group in this free video on reading.


John Conlon enjoyed 29 years as the performing arts professor at UMass Boston. He has a PhD in English and has been in theatre all his life.


quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Um dia você aprende que, William Shakespeare


Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma.
E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança.
E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.
E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam...
E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri- la de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.
Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobre que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida.
Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo à longas distâncias.
E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida.
E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendermos que os amigos mudam. E percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.
Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos.
Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser.
Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.
Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve.
Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.
Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências.
Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.
Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você já celebrou.
Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.
Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel.
Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém,algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo.
Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.
Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás,
Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.
E você aprende que realmente pode suportar ... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.
E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!
Nossas dádivas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Sonho de uma Noite de Verão, William Shakespeare


Primeiro Ato
Cena I

Teseu: “...Acorde o atrevido e frágil espírito do júbilo, expulse a melancolia daqui para os funerais. Essa pálida companhia não combina com nossa pompa (p. 7 e 8).

Egeu: “... esse enfeitiçou o coração de minha criança... Tu à luz do luar cantaste, ao pé de sua janela, com voz dissimulada, versos de dissimulado amor e roubaste para ti os afetos de sua fantasia com braceletes tecidos de teus cabelos, anéis, bugigangas, palavras imaginosas, truques, doces baratos, ramalhetes de florzinhas, gulodices, todos mensageiros de muita força e prevalência sobre uma juventude ainda não calejada. Com astúcia surrupiaste o coração de minha filha...” (pg. 8 e 9).

Hérmia: “... Suplico à sua Graça que me perdoe, desconheço que forças me fazem audaciosa e, tampouco, sei por que isso diz respeito à minha modéstia, estar aqui, em vossa presença, a advogar minhas idéias...” (p.10).

Teseu: “... Questione seus desejos, tenha em mente a sua pouca idade, examine com cuidado seu temperamento e sua estirpe, o sangue que lateja em suas veias... Porém, mais mundanamente feliz é a rosa destilada que aquela que, murchando em seus castos espinhos, cresce, vive e morre em abençoada solteirice” (p. 10).

Lisandro: “... E ela, doce dama, baba-se por ele, pôs-se devotadamente doida de amor por ele, idolatra-o, esse homem maculado e inconstante” (p. 12).

Teseu: “... estando por demais ocupado com meus assuntos pessoais, disso me esqueci completamente... (p. 12).

Lisandro: “Pois então, meu amor! Por que tens as faces tão pálidas? Como pode acontecer de as rosas desmaiarem tão rápido?” (p. 13).

Hérmia: “Possivelmente por falta de chuva, coisa que eu poderia muito bem garantir-lhes com a tempestade de meus olhos” (p. 13).

Lisandro: “... Em todas as histórias e romances que eu pudesse ter lido, que eu pudesse ter ouvido me contarem, a trajetória de um amor verdadeiro nunca transcorreu em caminhos suaves...” (p. 13).

Lisandro: “Ou, se havia uma compaixão no escolher! Guerra, morte ou doença sitiando aquele amor, tornando-o momentâneo como o som, veloz como uma sombra, curto como todos os sonhos, breve como um relâmpago na mais fuliginosa das noites, o relâmpago que, num ímpeto apaixonado, mostra o céu e terra e, antes que um homem tenha a capacidade de dizer ‘Olha!’, devoram-no os beiços da escuridão. Com essa rapidez, o que era brilhante alcança a ruína” (p. 14).

Hérmia: “Mas, então, se amantes fiéis sempre foram traídos, isso é uma lei do destino. Assim sendo, ensinemos nós com paciência e esta nossa provação, porque é de costume carregar essa cruz, tão devida ao amor como os pensamentos e sonhos e suspiros, desejos e lágrimas, todos acompanhantes, coitados, de nossa imaginação (p. 14).

Hérmia: “... Juro-te, elo arco mais forte de Cupido, por sua melhor seta de ponta dourada, pela simplicidade das pombas de Vênus, por tudo que faz as almas entrelaçarem-se, por tudo que faz os amores prosperarem e pelo fogo em que ardeu a rainha de Cartago quando o falso troiano foi avistado partindo sob velas enfunadas... por todos os juramentos que os homens já quebraram em todos os tempos. Porque muitos mais eles são do que contaram as mulheres ao longo dos tempos... nesse exato lugar que me indicaste, amanhã estarei seguramente para contigo encontrar-me” (p. 15).

Helena: “... Ah, como é feliz a tua beleza! Teus olhos são estrela-guia e o doce ar em tua boca, mais melodioso que a cotovia aos ouvidos de um pastor quando o trigo aparece verdejante, quando surgem nos espinheiros os primeiros botões de flor. As enfermidades são contagiantes; mas, ah, contagiosa fosse a formosura, gostaria eu de contagiar-me de tuas palavras... Meus ouvidos deveriam infectar-se de tua voz e, meus olhos, dos teus olhos. Minha boca deveria contagiar-se de doce melodia de tua boca...ensina-me com que artes tu balanças os movimentos do coração de Demétrio” (p. 16).

Hérmia: “Quanto mais o detesto, mais ele vem atrás de mim” (p. 16).

Helena: “Quanto mais o quero, mais ele me detesta” (p. 16).

Hérmia: “... por mais encantos que tenha o meu amor, ele conseguiu transformar o paraíso num inferno” (p. 17).

Lisandro: “... a você nossos planos revelaremos: amanhã à noite, quando Febe contemplar o próprio rosto, prateado, no espelho das águas, decorando com pérolas liqüefeitas a grama, de tantas folhas cortantes composta, naquela hora que sempre oculta os amantes em fuga pelos portões...” (p. 17).

Hérmia: “E na floresta, onde seguidas vezes ti e eu, sobre canteiros de pálidas prímulas, costumávamos nos deitar, aliviando nossos corações de seus doces segredos... Devemos deixar passar fome nossos olhos. Que careçam eles daquilo que alimenta os amantes, até amanhã na escuridão da meia-noite” (p. 18).

Helena: “Como são felizes uns, muito mais que outros podem ser!... Ele não quer saber daquilo que todos, menos ele, sabem... O amor não enxerga com os olhos e sim com a mente, por isso pinta-se cego o Cupido alado. Tampouco a mente do Amor tem faro para qualquer discernimento. Com asinhas e sem olhos, representa a pressa da imprudência. Dizem, portanto que o Amor é uma criança; porque, ao escolher, ele é tantas vezes enganado. Como meninos travessos numa brincadeira quebram as próprias promessas, assim o menino Amor comete perjúrio em todo o canto.... minhas lindas gotas de amor viraram fumaça ” (p.18 e 19).

Cena II

Fundilho (p. 21):
As pedras pesadas,
tremores irados,
Das portas das jaulas
Abriram cadeados.
Brilhou de mui longe
O carro de Apolo;
E pôs e dispôs
Das Parcas bobocas.

Segundo Ato
Cena I

Fada: “Por cima dos vales, por cima dos montes, através de espinhos, através de flores, por cima de muros, por cima de paliçadas, através do fogo, através da água, Eu passeio por todo o lugar, mais veloz que a esfera lunar...Sou eu a orvalhar, nela, o olhar que faz a grama verdejar. As prímulas, belas e altas, real guarda, têm manchas nas jaquetas douradas: São rubis, um imperial favor; Nessas pintas reside seu sabor. Procuro pingentes, gotas orvalhadas em orelhas de prímulas, pérolas penduradas...” (p. 26).

Bute: “... ela forçosamente segura o rapaz amado, enfeita-o com coroas de flores e faz dele a sua maior alegria. Desde então eles jamais se encontram – em nenhum arvoredo, em nenhum gramado, nem perto de uma fonte límpida, nem sob o brilho cintilante de um céu estrelado – sem que troquem farpas entre si...” (p. 27).

Bute: “... tem vezes em que me ponho à espreita, no caneco de uma velha faladeira, bem como se fosse maçã azeda e assada e, quando do caneco ela vai beber, bato-lhe nos beiços e derrubo-lhe a cerveja nas nojentas pelancas do pescoço...” (p. 28).

Titânea: “... Por isso os ventos, ao silvarem para nós em vão, parecem agora se vingar: sugaram dos mares névoas contagiosas que, ao caírem sobre a terra, transformaram até o mais insignificante dos rios em orgulhoso curso de água, a tal ponto que os rios subjugaram seus continentes. Assim foi que o boi esforçou-se longas horas na canga e em vão; o lavrador perdeu todo o seu suor e o milho, ainda verde no pé, apodreceu antes mesmo de criar-se a barba da juventude. O curral permanece vazio no campo alagado e os urubus engordam com os rebanhos dizimados... Por isso, pálida de raiva, a lua, governante das marés, molha o ar que se respira e faz aflorar em grande número as corizas e as doenças reumáticas. E ao longo desse tempo destemperado vemos as estações alterando-se: grisalhas e gélidas geadas caem no colo ainda quente da rosa mais vermelha; nos cabelos ralos e poucos e nevados daquele velho senhor, o Inverno, assenta-se uma coroa perfumada das doces florzinhas de verão, como se fosse zombaria; a primavera, o verão, o outono fecundo, o furioso inverno, mudam seus trajos costumeiros; e o mundo, desnorteado com o que produz cada estação, sequer sabe qual é qual. E uma igual proliferação de males nasce de nossas brigas, de nossas desavenças. Somos pais e origem desses males” (p. 31).

Oberon: “Naquele mesmo momento enxerguei (mas tu não podias enxergar), voando entre a frígida lua e a terra, Cupido, de arma em punho: fez mira, ele, na direção de uma linda vestal, coroada pelo Ocidente e libertou desde seu arco a flecha do amor, com muita habilidade e energia... como se devesse trespassar uma centena de milhares de corações. Contudo, eu pude ver a flamejante flecha extinguir-se nos castos raios de lua aguada; e a imperial devota passou adiante, em virginal meditação, livre de fantasias amorosas. Eu porém, observei onde caiu o dardo de Cupido: bem em cima de uma florzinha do Ocidente, antes branca como o leite, agora púrpura com a ferida do amor. E as donzelas chamam de amor-perfeito àquele amor ocioso...” (p. 33).

Helena: “Você me atrai, como se fosse um imã, um pedaço frio de ferro, duro como o seu coração. E contudo, você é imã que atrai ferro, pois meu coração é confiável como o aço. Dispa-se você de sua força magnetizante e eu já não terei forças para segui-lo” (p. 35).

Demétrio: “Por um acaso eu tento seduzi-la? Digo-lhe palavras amorosas? Ou não será que, ao contrário, com toda a franqueza, eu lhe digo que não a amo, nem poderia amá-la?” (p. 35).

Helena: “Sua virtude é minha proteção, pois quando vejo o seu rosto, não é noite. Tampouco este bosque carece de mundos de companhia, pois você, aos meus olhos, é o mundo todo. Então, como pode-se dizer que estou sozinha se o mundo todo está aqui, olhando para mim?” (p. 36).

Helena: “Nem a mais selvagem das feras tem um coração como o seu...” (p. 36).

Helena: “... Nós, mulheres, não podemos lutar por um amor, como os homens podem; nós devemos ser cortejadas e não fomos feitas para cortejar... Eu te seguirei e transformarei inferno em paraíso, morrendo junto às mãos que tanto amo” (p. 37).

Cena II

Lisandro: “Ah, veja o real sentido, minha querida, de minha inocência! O amor só tem significado na conversação amorosa. Eu quero dizer que meu sentimento está costurado ao seu, tanto que o nosso é um sentimento só; dois corações acorrentados por um juramento, de tal maneira que são dois corações e uma só promessa de casamento...” (p. 41).

Hérmia: “... Que o teu amor nunca se modifique antes de terminada a tua doce vida!” (p. 42).

Lisandro: “... que o sono traga a ti todo o teu repouso” (p. 42).

Bute: “... Quando acordares, perderás o sono: Por acusa do amor, não pregará o olho...” (p. 43).

Helena: “Ah, que já me falta ar, nesta ridícula caçada amorosa!... Como foi que puseram tão brilhantes aqueles olhos? Por certo que não foi com lágrimas salgadas, Fosse isso... meus olhos são muito mais vezes lavados que os dela...” (p. 43).

Lisandro: “E por ti atravessarei labaredas de fogo, doce criatura!... A natureza mostra-se mágica e consigo enxergar teu coração através de teu peito...” (p. 44).

Lisandro:”...Quem não trocaria um corvo por uma pombinha? A vontade de um homem muda de sentido conforme a razão e a razão me diz que você é a donzela mais valorosa. Enquanto ainda em crescimento, coisa nenhuma está madura até chegar a sua hora. Eu, sendo jovem, até este momento não havia amadurecido o meu raciocínio. Alcançando agora o ápice do discernimento humano, a razão torna-se mestre-de-cerimônias para meu desejo, conduz-me até seus olhos, onde posso ler verdadeiras histórias de amor, escritas nas mias preciosas páginas de amor” (p. 44 e 45).

Lisandro: “... Pois assim como o estômago detesta profundamente haver se nauseado porque empanturrou-se de doces e assim como os homens que mais detestam as falsas crenças são os que tiveram de abandoná-las, porque nelas acreditavam, do mesmo modo eu, dentre todos os que te odeiam, sou quem mais te odeia, a ti, minha náusea e minha heresia! Que todas as forças levem o meu amor e o meu vigor...” (p. 45 e 46).

Terceiro Ato
Cena I

Titânia: “Suplico-te, gentil mortal, canta de novo. Meu ouvido enamorou-se de tua voz; também meu olho encantou-se com tua forma; e a força de tuas belas virtudes por força me leva, à primeira vista, dizer, que te amo” (p. 54).

Cena II

Bute: “... Quando dão uma espiada nele, foi como gansos selvagens que o caçador, rastejando, avistasse, ou como as gralhas de plumagem parada na cabeça, em numerosa revoada, alçando vôo e esganiçando-se ao estampido de uma arma de fogo, separando-se e enlouquecidamente espalhando-se pelo céu; assim foi que , ao enxergarem-no, escafederam-se os seus camaradas. Eu sapateio com força e, assustados, um vai tropeçando uma, duas, três vezes...” (p. 59).

Demétrio: “Mas, ah... por que você rejeita este que tanto a ama? Melhor seria deitar palavras tão cáusticas sobre um cruel inimigo” (p.59).

Hérmia: “... Nem o sol foi tão verdadeiro e leal com o dia como ele foi comigo...” (p. 60).

Demétrio: “Não tem sentido acompanhá-la, com o sangue fervendo-lhe nas veias... E o peso de minha tristeza pesa cada vez mais. E o meu sono, falido por causa da tristeza, está em dívida comigo, o que traz acréscimo à minha tristeza. Mesmo que seja um pouquinho, algo dessa conta ele agora vai me pagar, pois em troca de algum descanso aqui vou me deitar” (p. 61 e 62).

Bute: “Então prevalece o destino: para cada homem que mantém sua palavra, um milhão de outros falham, quebrando um juramento depois do outro” (p. 62).

Oberon: “... é aquela que está doente de amor, fisionomia pálida, suspirando de paixão, cada suspiro custando-lhe uma gota de seu precioso e jovem sangue...” (p. 62).

Bute: “... Ele chega pelo amor dela suplicando. Podemos ver e, já daqui a pouco: ridículo espetáculo estarão encenando. Senhor, que esses mortais são bobos!” (p. 63).

Bute: “... Não tem coisa que mais me apraz na vida que as coisas extraordinariamente acontecidas” (p. 64).

Lisandro: “... Zombaria e escárnio nunca se apresentam sob a forma de lágrimas...” (p. 64).

Helena: “Você prossegue, exibindo mais e mais sua astúcia. É uma verdade destruindo outra verdade! É um combate diabólico numa guerra santa!... Coloque suas juras de amor, para ela e para mim, nos pratos de uma balança e eles vão estar equilibrados, os dois igualmente leves, cheios de palavras vazias” (p. 64).

Demétrio: “A que, meu amor, devo compara teus olhos? O cristal é turvo. Ah, quão maduros mostram-se teus lábios, essas beijáveis cerejas; quão tentadora essa fruta que é tua boca!...” (p. 65).

Demétrio: “Não desacredite uma lealdade que você desconhece, a menos que você queira pagar correr o risco de por isso pagar caro...” (pg. 66 e 67).

Helena: “... como deuses engenhosos, bordamos com nossas agulhas uma única flor, num pano só, sentadas as duas na mesma almofada, as duas garganteando a mesma música, afinadas no mesmo tom, como se nossas mãos, nossas vozes, nossas mentes, um lado do meu corpo e um lado do seu tivessem se incorporado. Assim foi que crescemos juntas, como uma cereja dupla, aparentemente dividida em duas, mas na verdade uma união dividida, duas adoráveis frutas moldadas em um único talo; éramos, assim, dois corpos em aparência, mas um só coração. Dois em um, como num brasão da heráldica, revelando a união de duas famílias numa só, com pluma ou elmo coroado na crista...” (p. 68).

Hérmia: “... O que fez você, esgueirou-se na noite e veio roubar de meu amado o próprio coração?” (p. 72).

Bute: “... Os espíritos amaldiçoados, que se fizeram enterrar nas encruzilhadas ou que se fizeram levar pelas águas, esses já se recolheram aos seus leitos infestados de vermes, com medo de que o dia testemunhe suas desgraças. Como por vontade própria exilaram-se da luz, devem agora e para sempre acompanhar, coniventes, a noite escura e carrancuda” (p. 77).

Oberon: “... Eu muitas vezes diverti-me no amor da Manhã; como um homem das florestas, posso andar pelo arvoredo até os portões de um poente totalmente rubro, que se abrirá sobre Netuno com belos e abençoados raios, transformando em amarelo dourado suas correntezas verdes e salgadas...” (p. 78).

Lisandro: “Vem, Ó gentil dia: mostra-me uma vez só tua luz pardacenta...” (p. 79).

Helena: “... E tu, sono, que às vezes cerra um olhar carregado de tristeza, poupa-me por alguns instantes de minha própria companhia” (p. 80 e 81).

Bute: “... Cupido é um grandíssimo velhaco: deixa pobres fêmeas de raciocínio fraco” (pg. 81).

Hérmia: “Nunca antes tão cansada, nunca antes tão magoada, salpicada de orvalho e arranhada por espinhos de roseira brava, não consigo mais nem me arrastar, não consigo mais seguir adiante. Minhas pernas já não acompanham a minha vontade. Aqui repousarei até o raiar do dia” (p. 81).

Bute (p. 81 e 82):

Neste chão
Sonha o teu sonho;
Minha mão
Pinga no teu olho,
gentil rapaz enamorado, uma reparação...

Quarto Ato
Cena I

Titânia: “Vem senta nesta cama florida, enquanto eu acaricio teu rosto adorável e prendo rosas almiscaradas em tua cabeça lisa e macia... alegria do meu coração” (p. 83).

Oberon: “... Estás vendo essa doce visão?... Estava ela à cata de doces mimos de flores para esse detestável bobalhão... E o mesmo orvalho que antes estava acostumado a inchar como pérolas redondas, orientais, luminosas e cristalinas nas flores em botão, agora figurava nos olhos nos olhos das lindas florzinhas como lágrimas, deplorando a sua própria desgraça... Que ele desperte quando os outros despertarem... e que não mais pensem nos incidentes desta noite, pois eles não foram nada além da agitação selvagem de um sonho...Volta a ser como costumavas ser; Volta a ver como costumavas ver...” (p. 87).

Titânia: “... Ah, como meus olhos detestam-lhe o semblante agora!” (p. 87).

Bute: “Agora, quando acordares, espreita o mundo com os teus próprios olhos de bobo” (P. 87).

Bute: “... escute e preste atenção: Da cotovia matutina já se ouve sua bela canção” (p. 88).

Oberon (p.88):

Vamos, minha rainha: em solene silêncio
Vamos bem rápido o globo circundar
As sombras da noite nós perseguiremos;
Mais rápido que a errante figura lunar.

Hipólita: “... Além do arvoredo, era o céu, as fontes d’água, toda a região ao redor parecia um único e mútuo alarido. Jamais ouvi desarmonia tão musical, trovoadas tão suaves” (p. 89).

Lisandro: “... devo responder-vos que eu mesmo estou confuso, meio sono, meio acordando. Mas, por enquanto, eu vos juro, não sei dizer mesmo como vim parar aqui. Mas, como eu penso... e eu só contaria verdade...” (p. 91).

Demétrio: “... Mas, meu caro senhor, desconheço por que forças...mas por alguma força foi...que meu amor por Hérmia como neve derreteu-se. Aquele amor agora mais me parece a lembrança de uma brincadeira à toa, de um passatempo predileto da infância...Como se fosse uma doença, passei a odiar a comida de meu prato; agora, na saúde, retorno meu paladar natural e quero-a, amo-a, desejo-a e a ela serei fiel para sempre fiel” (p. 92).

Teseu: “Belos amantes, afortunadamente vocês se encontram. Desse discurso em breve ouviremos mais...” (p. 92).

Demétrio: “Essas coisas parecem pequenas e indistintas, como montanhas ao longe, que não se podem distinguir das nuvens” (p. 92 e 93).

Hérmia: “A mim me parece que estou vendo essas coisas como vesga, quando tudo parece duplo” (p. 93).

Demétrio: “Vocês tem certeza de que estamos acordados? Parece-me que ainda estamos dormindo, sonhando...” (p. 93).

Fundilho: “... Tive uma visão das mais fantásticas. Tive um sonho e não há sabedoria humana que possa dizer que sonho foi esse. Não passa de um asno o homem que quiser começar a tentar explicar esse sonho... O olho do homem não ouviu, o ouvido do homem não viu, a mão do homem não é capaz de sentir gosto, sua língua não pode conceber, nem seu coração relatar o que foi o meu sonho...” (p. 94).

Cena II

Fundilhos: “... E, meus queridíssimos atores, não comam cebola nem alho, pois estaremos pronunciando dulcíssimas palavras...” (p. 97).

Quinto Ato
Cena

Teseu: “... Os amantes e os loucos têm cérebros tão fervilhantes, fantasias tão imaginativas, que acabam por conceber mais do que a fria razão pode compreender. O lunático, o amante e o poeta são compostos tão somente de imaginação. Um enxerga tantos demônios que estes não cabem em todo o vasto inferno; assim é o louco. O amante, tão desvairado quanto, enxerga a beleza de Helena de Tróia no rosto de uma cigana. O poeta revira os olhos num fino e furioso frenesi, lança um olhar do céu para a terra, outro da terra para o céu, à medida que a imaginação vai desenhando os contornos de coisas não conhecidas, a pena do poeta vai lhes dando formas e coloca um nada etéreo em uma habitação local e inventa-lhe um nome. Uma imaginação forte tem truques tais que, se concebe uma alegria, inclui também um causador dessa alegria; ou então à noite, imaginando algum medo, como é fácil confundir um arbusto com um urso!” (p. 98 e 99).

Teseu: “Eis que chegam os apaixonados, cheios de alegria e jovialidade. Que a alegria, queridos amigos, a alegria e dias de amor sempre renovados acompanhem os seus corações!” (p. 99).

Teseu: “... é impossível uma coisa ser equivocada quando são a singeleza e a reverência que a oferecem...” (p. 102).

Hipólita: “Eu não gosto de ver mesquinharias realçadas e tampouco gosto de ver gente esforçando-se para cumprir com sua obrigação e falhando ao tentar agradar” (p. 102).

Teseu: “Mais generosos estaremos sendo nós então, agradecendo-lhes por coisa nenhuma. Nosso divertimento será ver a fortuna que há no infortúnio deles. E aquilo que o pobre esforço não conseguir, o nobre respeito fará, percebendo a força da encenação e não seu mérito... Assim é que, no meu entender, têm língua amarrada o amor e a simplicidade: quanto menos falam, mais dizem” (p. 103).

Lisandro: “Ele tratou o prólogo como quem monta um potro selvagem para domá-lo e não sabe quando parar. Uma boa lição, milorde: não basta falar; há que se falar com correção” (p. 104).

Hipólita: “Realmente, ele apresentou o prólogo como uma criança toca a flauta: sons desgovernados” (p. 104).

Teseu: “Sua fala parecia uma corrente de elos enroscados uns nos outros; nenhum fica prejudicado, mas tudo fica desordenado...” (p. 105).

Demétrio: “Não é de se duvidar, milorde: um leão pode muito bem falar quando tantos asnos o fazem” (p. 106).

Demétrio: “Não tem remédio, meu senhor, quando sabe-se que as paredes têm ouvidos e disso não avisam” (p. 109).

Hipólita: ”Essa é a maior bobajada que já ouvi” (p. 109).

Teseu: “Os melhores nesse grupo são tão somente sombras e os piores não são piores, se a imaginação lhes der algum crédito” (p. 109).

Leão: “Vós, senhoras, vós cujos corações gentis temem o menor dos monstruosos camundongos correndo no piso, podeis aqui e agora, porventura, tremer e estremecer quando o bravo leão bradar leonino em rugido selvagem, em raiva cega. Pois saibam que eu, por ser Justinho, o marceneiro, sou um leão feroz e de modo algum uma leonina mamãe de leõezinhos; pois se eu, como leão, tivesse de entrar em combate aqui neste lugar, as senhoras teriam de ter pena de minha vida” (p. 110).

Píramo: “... Que coisa tão triste, tão dolorosa! Olhos não querem ver? Como pode isso ser?... Aproximem-se, Fúrias, vejam! Venham, Parcas, venham, para os fios, as lãs e as linhas cortar, para aniquilar, concluir e matar” (p. 113).

Tisbe: “... Lamentem-se amantes; Um alho-poró, seus olhos verdejantes. Ah, vocês, as três Parcas, as três irmãs, Venham, cheguem-se a mim em seus afãs; Minhas mãos lívidas, leitosas, Deitem-nas em sangue, vermelhosas. A vida dele vocês ceifaram, o fio de seda vocês tosquiaram. Língua, nem uma palavra! Vem, confiável espada, Fura meu peito, lâmina aguçada” (p. 116).

Oberon: “Por toda a casa, espalhem luz tremeluzente junto ao fogo quase morto, dormente...” (p. 118).

Bute (p. 120):

“Se nós, sombras, vos ofendemos,
Pensai nos seguintes termos:
O que vos sucedeu foi adormecer,
E essas visões que a vós parecíeis ver
Compuseram o nosso tema, tolo
E à toa, nada mais que um sonho.
Não censureis este nosso tema;
Perdoai-nos e haverá emenda.
No caso de sorte imerecida,
Escapando nós de vaias viperinas,
Como sou um Bute honesto,
Das retificações eu em encarrego.
Não sou Bute mentiroso
E dou boa-noite a todos.
Palmas, se quiserdes bater!
Em troca, vou a peça refazer.

“A esse propósito, diria a respeito da razão e do mito o que Chesterton dizia em relação ao poeta e ao lógico: o primeiro quer enfiar a cabeça no céu, o segundo quer enfiar o céu na cabeça: é por isso que esta arrebenta” (Augusto Novaski).


SHAKESPEARE, William. Sonho de uma Noite de Verão. Porto Alegre: L&PM, 2001.