quarta-feira, 10 de novembro de 2010

As Ninfas do Vale, Gibran Khalil Gibran


Marta, de Bem

“Atrás deste Eu encarcerado, Tenho outro Eu, alado e livre. Comparados com seus sonhos, meus sonhos são como uma corrida nas trevas. E meus desejos, comparados com os seus, são como uma agitação de esqueletos”.

“... E ela crescia como crescem as plantas e os sentimentos se formavam nela sem que o percebesse, como se forma o perfume nas flores. E, pouco a pouco, a menina tornou-se uma moça, similar a uma terra boa e virgem na qual o conhecimento não havia jogado suas sementes nem a experiência deixado suas marcas” (p.12).

“... Nós muito semeamos e pouco ceifamos. Eles ceifam o que semeiam. Somos escravos da ambição, enquanto que o contentamento os mantém sempre livres. Bebemos a vida numa taça turbada pela amargura. Eles bebem a vida em toda a sua limpidez” (p. 13).

“Naquelas ruas imundas, onde o vento se mistura com o sopro da morte...” (p. 17).

“... não és impura, embora a vida te tivesse entregue às mãos dos impuros. As manchas do corpo não atingem a alma imaculada e a neve amontoada não mata as sementes vivas. Esta vida é uma eira de provações onde os feixes das almas são debulhados antes que dêem sua colheita; e infelizes das espigas abandonadas fora da eira, pois as formigas da terra as carregarão e as aves do céu as apanharão e elas não entrarão no campo do Senhor... És vítima de uma injustiça. Mas é melhor ser vítima do que autor da injustiça. És uma flor pisada pelo animal que sobrevive no homem... Consola-te. É melhor ser a flor pisada do que o pé que pisa a flor” (p. 20).

Cinza dos Séculos e o Fogo Eterno

“Ó alma, quando o ignorante diz: ‘A alma desaparece como o corpo e o que se vai não volta mais’. Dize-lhe que as flores também passam, mas as sementes permanecem. Assim é como a essência da vida”.

“... Mas os gênios nos invejaram e insuflaram, no seu corpo delicado, os germes de uma doença estranha e enviaram o mensageiro da morte para arrebatá-la. E ele está, agora mesmo, ao lado da sua cama, rugindo como um tigre faminto, estendendo sobre ela suas asas negras, ameaçando-a com suas garras” (p.27 e 28).

“... Vou-me quando as taças do amor e da juventude estão ainda cheias de nossas mãos e os caminhos da vida se estendem diante de nós...” (p. 30).

“Passaram-se séculos. As pegadas de cada geração destruíam as pegadas das gerações anteriores. Os deuses antigos abandonaram o país. Outros deuses lhes sucederam. Os majestosos templos da Cidade do Sol foram demolidos. Os belos palácios converteram-se em pó. Os jardins verdejantes secaram. Os campos férteis se transformaram em deserto. Subsistiram apenas as ruínas gigantescas, como sombras do glorioso passado... Mas os séculos que aniquilam as realizações do homem nada podem contra seus sonhos e seus sentimentos. Estes sobrevivem como o espírito poderoso e eterno, embora desapareçam aparentemente, como o sol desaparece de noite e a lua, de dia” (p. 32).

Gibran Khalil Gibran. As Ninfas do Vale.

Nenhum comentário:

Postar um comentário