segunda-feira, 28 de março de 2011

Características dos personagens, Konstantin S. Stanislavski



Aspectos físicos

01. Raça
02. Sexo
03. Idade
04. Altura
05. Peso
06. Aparência geral
07. Cor do cabelo
08. Olhos
09. Pele
10. Voz
11. Saúde
12. Cores preferidas
13. Caminhar
14. Postura habitual
15. Gestos


Aspectos sociais

01. Nacionalidade
02. Onde vive (cidade, país, lugar, região)
03. Classe social
04. Lugar que ocupa no meio
05. Se está de acordo com o meio
06. Educação
07. Vida familiar (os pais, os filhos, se vivem, relacionamento, antepassados que interfiram)
08. Estado civil
09. Relacionamento com a pessoa amada
10. Vida econômica
11. Religião
12. Idéias políticas
13. Passatempos
14. Onde vive (como é a casa)


Aspectos psicológicos

01. Vida sexual
02. Normais morais
03. Correspondem à religião?
04. Atitude frente à vida (filosofia pessoal)
05. Ambição – o que espera conseguir?
06. Qual o maior objetivo na vida?
07. Pelo que se interessa profundamente?
08. Contratempos e desenganos
09. Temperamento
10. Complexos e inibições.
11. Qualidades e faculdades intelectuais.
12. Tem alguma psicopatia? (fobia, alucinação, mania, etc.)

Aspectos literários

01. Em que parte da obra aparece?
02. O que faz dentro da obra? (ações físicas)
03. No começo da obra, o que sente pelos outros personagens?
04. O que sentem os demais em relação a ele?
05. O que dizem a respeito dele?
06. Qual a sua relação com o protagonista?
07. Que tipo de relacionamento tem com os demais personagens?
08. Qual o seu objetivo máximo, na obra?
09. Consegue atingir seu objetivo máximo?
10. Para alcançar seu grande objetivo que gradação de objetivos menores tem que enfrentar?
11. Que obstáculos se antepõem a cada um de seus objetivos?
12. Qual a reação frente às dificuldades?
13. Causa dano ou benefício a alguém?
14. No decorrer da obra, mudam seus sentimentos em relação aos outros?
15. Mudam os sentimentos dos outros em relação a ele? Por quê?

sexta-feira, 25 de março de 2011

Teen Dreams (Body Story), part 3 - episode 4

Teen Dreams (Body Story), part 2 - episode 4

Teen Dreams (Body Story), part 1 - episode 4



This is a 7 part series about the human body...

Episode 4: Teen Dreams
Follow the flow of hormones from pituitary glands on through the bloodstream of two young teens, Darren and Natalie, as the dramatic effects of puberty unfold. The month culminates with Natalie's first menstruation and a weekend party during which Darren's body seemingly does everything it can to ruin his chances with Natalie.


Body Story - Crawl beneath your own skin for a scientific look at the inner-workings of the human body. The latest research in biology, anatomy and physiology is combined with eye-popping imagery to explore everything from puberty to food poisoning from the inside out.

Documentary by Discovery Channel.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Lucid Dreams, Discovery Channel



Human Body : Pushing The Limits - Brain Power.
The ending segment on dreams.

For information on lucid dreaming and instructional playlists see my channel. Please rate and comment.

A few things to try when your up to it.
-Teleport to other worlds:
-Pilot a ufo:
-the galaxies:

It's thought that the 'on button' to dreams is likely DMT or similar endogenous chemicals, as it's presents in the brain rises at night peaking around 4 am.
When taken artificially dmt portals you to realms of pure information inhabited by "self-transforming machine elves."

Once you begin lucid dreaming ask yourself... (slightly out of contex, but a great question none the less!)

"We are just at the brink of taking these various pieces of the god magician puzzle and putting them together, and figuring out, well what can you do? What do you do, if you can do anything? That's really the question at the end of history...Once you have overcome all limitation ...What is the human agenda?" -Terence Mckenna

Conferência XXIX: Revisão da teoria dos sonhos, Sigmund Freud


SENHORAS E SENHORES:

Depois de um intervalo de mais de quinze anos, se eu os reuni novamente para discutir com os senhores quais novidades, e quais melhoramentos, talvez, o tempo intercorrente possa ter introduzido na psicanálise, é correto e adequado, sob mais de um ponto de vista, que devamos voltar nossa atenção primeiramente para a posição que ocupa a teoria dos sonhos. Esta ocupa um lugar especial na história da psicanálise e assinala um ponto decisivo; foi com ela que a psicanálise progrediu de método psicoterapêutico para psicologia profunda. Também, desde aí, a teoria dos sonhos permaneceu o que é mais característico e peculiar na jovem ciência, algo em relação ao qual não há similar no restante de nosso conhecimento, uma área de território novo que foi reavido das crenças populares e do misticismo. O caráter exótico das asserções que ela foi obrigada a apresentar, fê-la desempenhar o papel de senha, cujo uso decidiu quem poderia tornar-se seguidor da psicanálise e a quem ela permaneceria para sempre incompreensível. Eu próprio considerei a teoria dos sonhos âncora de salvação durante aqueles tempos duros nos quais os fatos não-reconhecidos das neuroses costumavam confundir meu julgamento inexperiente. Sempre que eu começava a ter dúvidas com referência à correção de minhas conclusões hesitantes, a transformação exitosa de um sonho absurdo e intrincado em processo mental inteligível da pessoa que teve o sonho vinha renovar minha confiança de estar no caminho certo.
Portanto, é de especial interesse para nós, no caso particular da teoria dos sonhos, por um lado, seguir as vicissitudes por que passou a psicanálise durante este intervalo, e, por outro lado, verificar que progressos fez para ser compreendida e valorizada pelo mundo contemporâneo. Posso dizer-lhes desde logo que os senhores ficarão desapontados em ambos esses sentidos.
Examinemos os volumes da Internationale Zeitschrift für (ärztliche) Psychoanalyse [Revista Internacional de Psicanálise (Médica)], na qual, desde 1933, os escritos de peso em nossa área de trabalho têm sido reunidos. Nos volumes iniciais, os senhores encontrarão um título de seção que se repete, ‘Sobre a Interpretação de Sonhos’, contendo numerosas contribuições sobre diferentes pontos da teoria dos sonhos. No entanto, quanto mais prosseguirem cronologicamente nesse exame, mais raras se tornam essas contribuições e, por fim, o título de seção desaparece completamente. Os analistas fazem como se não tivessem nada mais a dizer acerca de sonhos, como se nada mais houvesse a ser acrescentado à teoria dos sonhos. Se os senhores, contudo, perguntarem quanto da interpretação de sonhos foi aceito pelos intrusos — pelos muitos psiquiatras e psicoterapeutas que aquecem sua panela de sopa em nosso fogo (aliás, sem serem muito agradecidos à nossa hospitalidade), por aqueles que são catalogados como pessoas cultas, que têm o hábito de assimilar os achados mais surpreendentes da ciência, pelos literatos e pelo público em geral —, a resposta dá poucos motivos para se ficar satisfeito. Algumas fórmulas passaram a ser do conhecimento geral, entre elas algumas que nós nunca apresentamos — tal como a tese de que todos os sonhos são de natureza sexual —, mas coisas realmente importantes, como a fundamental diferença entre o conteúdo manifesto dos sonhos e os pensamentos oníricos latentes, a percepção de que a função de realização de desejos dos sonhos não é contradita pelos sonhos de ansiedade, a impossibilidade de interpretar um sonho a menos que se tenha à disposição as respectivas associações do sonhador, acima de tudo a descoberta de que o essencial nos sonhos é o processo da elaboração onírica — tudo isso ainda parece quase tão alheio ao conhecimento da maioria das pessoas, como o era há trinta anos. Estou em condições de dizer isto, pois, no decorrer desse período, tenho recebido inumeráveis cartas cujos autores apresentam seus sonhos para interpretação, ou pedem informações acerca da natureza dos sonhos, e declaram que leram o meu trabalho A Interpretação de Sonhos, embora em cada frase revelem sua falta de compreensão de nossa teoria dos sonhos. Tudo isso, porém, não nos dissuadirá de mais uma vez dar uma descrição coerente daquilo que sabemos acerca dos sonhos. Os senhores haverão de lembrar-se de que, da última vez, dedicamos uma série inteira de conferências a mostrar como chegamos a compreender esse fenômeno mental até então inexplicado.

Suponhamos, pois, que alguém — um paciente em análise, por exemplo — nos conta um de seus sonhos. Haveremos de supor que, dessa maneira, ele nos estará fazendo uma das comunicações a que se obrigou pelo fato de haver iniciado um tratamento analítico. Por certo que é uma comunicação feita por meios inadequados, pois os sonhos não são, em si mesmos, uma forma de comunicação social, não são um meio de fornecer informação. Na verdade, nem nós compreendemos o que o sonhador tenta dizer-nos, e ele próprio igualmente o ignora. E, então, temos de tomar uma decisão rápida. Por um lado, o sonho pode ser, conforme no-lo asseguram os médicos não-analistas, um sinal de que o sonhador dormiu mal, de que nem todas as partes do seu cérebro repousaram por igual, de que algumas áreas do cérebro, sob a influência de estímulos desconhecidos, esforçaram-se por continuar funcionando, mas só foram capazes de fazê-lo de um modo muito incompleto. Se é este o caso, faremos bem em não mais nos interessar pelo produto de uma perturbação noturna destituída de valor psíquico: pois o que poderíamos esperar obter, da investigação dele, que fosse de utilidade para nossos propósitos? Ou, por outro lado — mas é claro que, desde o princípio, decidimos de outro modo. Temos — bastante arbitrariamente, forçoso é admiti-lo — feito a suposição, adotada como postulado, de que mesmo esse sonho ininteligível deve ser um ato psíquico inteiramente válido, com sentido e valor, que podemos utilizar na análise como qualquer outra comunicação. Somente o resultado de nosso experimento pode demonstrar se estamos certos. Se formos capazes de transformar o sonho em uma comunicação de valor desse tipo, evidentemente teremos a perspectiva de aprender algo novo e de receber comunicações de uma espécie que de outro modo seria inacessível para nós.
Agora, no entanto, as dificuldades de nossa tarefa e os enigmas de nosso tema surgem diante de nossos olhos. Como iremos propor a transformação do sonho em comunicação normal e como iremos explicar o fato de que algumas das comunicações do paciente assumiram uma forma que é ininteligível tanto para ele como para nós?
Como vêem senhoras e senhores, desta vez estou tomando o caminho não de uma exposição genética, mas de uma exposição dogmática. Nosso primeiro passo consiste em estabelecer nossa nova atitude para com o problema dos sonhos, introduzindo dois novos conceitos e nomes. O que tem sido chamado de sonho descrevemos como texto do sonho, ou sonho manifesto, e aquilo que estamos procurando, o que suspeitamos existir, por assim dizer, situado por trás do sonho, descreveremos como pensamentos oníricos latentes. Havendo feito isto, podemos expressar nossas duas tarefas conforme se segue. Temos de transformar o sonho manifesto em sonho latente, e explicar como, na mente do sonhador, o sonho latente se tornou sonho manifesto. A primeira parte é uma tarefa prática, pela qual é responsável a interpretação de sonho; exige uma técnica. A segunda parte é uma tarefa teórica, cuja atribuição é explicar a hipotética elaboração onírica; e só pode ser uma teoria. Ambas, a técnica de interpretação de sonhos e a teoria da elaboração onírica, têm de ser recriadas.
Por qual delas, pois, haveremos de começar? Pela técnica da interpretação de sonhos, penso eu; apresentará uma aparência mais concreta e causará uma impressão mais vívida nos senhores.

Pois bem, então o paciente nos contou um sonho, que nos caberá interpretar. Ouvimos passivamente, sem colocar em ação nossa capacidade de reflexão. Que fazemos, a seguir? Decidimos preocupar-nos o menos possível com aquilo que ouvimos, o sonho manifesto. Naturalmente, esse sonho manifesto mostra todos os tipos de características que não nos são propriamente indiferentes. Pode ser coerente, harmoniosamente construído como uma composição literária, ou pode apresentar-se confuso a ponto de ser ininteligível, quase como um delírio; pode conter elementos absurdos, ou anedotas, e conclusões aparentemente espirituosas; ao sonhador pode parecer claro e preciso, ou obscuro e nebuloso; suas imagens podem exibir uma intensidade de percepções sensoriais plenas, ou pode estar cheio de sombras como nevoeiro indistinto; as mais diversas características podem estar presentes no mesmo sonho, distribuídas por diferentes partes dele; o sonho, enfim, pode mostrar um tom afetivo indiferente, ou estar acompanhado de sentimentos da mais intensa alegria ou sofrimento. Os senhores não devem supor que não pensamos nada acerca dessa interminável diversidade encontrada nos sonhos manifestos. A ela retornaremos posteriormente, e nela encontraremos muita coisa de que podemos fazer uso em nossas interpretações. Mas, por agora, despreza-la-emos e seguiremos o caminho principal que leva à interpretação de sonhos. Ou seja, pedimos ao sonhador, também, para livrar-se da impressão que lhe causou o sonho manifesto, desviar sua atenção do sonho como um todo para as diferentes partes do seu conteúdo e nos referir sucessivamente tudo o que lhe ocorre à mente com relação a cada uma dessas partes — quais associações se lhe apresentam, se ele as focaliza uma por uma, separadamente.
É curiosa essa técnica, não? — não é a maneira habitual de lidar com uma comunicação ou expressão. E sem dúvida os senhores adivinham que, por trás desse procedimento, há hipóteses que ainda não foram explicitamente formuladas. Prossigamos, porém. Em que ordem havemos de fazer com que o paciente conte as partes do seu sonho? Aqui, várias possibilidades se nos abrem. Simplesmente podemos seguir a ordem cronológica na qual apareceram durante a narrativa do sonho. Isto é o que se pode chamar de o método mais estrito, clássico. Ou podemos dirigir o sonhador a fim de que inicie com a procura dos ‘resíduos diurnos’ no sonho; pois a experiência nos ensinou que quase todo sonho inclui remanescentes de uma recordação ou de uma alusão a algum evento (ou, freqüentemente, a diversos eventos) do dia anterior ao sonho, e, se seguimos essas conexões, muitas vezes, de modo imediato, chegamos à transição do mundo onírico, aparentemente muito remoto, para a vida real do paciente. Ou ainda, podemos dizer-lhe que comece por aqueles elementos do conteúdo do sonho que lhe chamaram a atenção por sua especial clareza e intensidade sensorial; pois sabemos que o paciente achará especialmente fácil produzir associações a eles. Não faz nenhuma diferença por qual desses métodos abordamos as associações que andamos buscando.
E a seguir obtemos essas associações. O que elas nos trazem é das mais variadas espécies: lembranças do dia anterior, o ‘dia do sonho’, e de épocas há muito transcorridas, reflexões, discussões, com argumentos pró e contra, confissões e indagações. Algumas dessas associações, o paciente as despeja; quando chega a outras, detém-se, por um momento. A maioria delas mostra nítida conexão com alguns elementos do sonho; não é para admirar, de vez que esses elementos eram o seu ponto de partida. Mas também acontece, às vezes, o paciente apresentá-las com estas palavras: ‘Isto me parece não ter absolutamente nenhuma relação com o sonho, mas conto-lhe porque me ocorre à mente.’
Se se ouvem essas abundantes associações, logo se observa que elas têm mais em comum com o conteúdo do sonho, do que seus pontos de partida sozinhos. Elas lançam surpreendente luz sobre todas as diferentes partes do sonho, preenchem lacunas entre as mesmas, e tornam inteligíveis suas estranhas justaposições. No final, é-se levado a entender a relação entre as associações e o conteúdo do sonho. Vê-se que o sonho é uma seleção resumida, feita a partir das associações, uma seleção feita, é verdade, consoante regras que ainda não temos compreendido: os elementos do sonho são como representantes escolhidos por eleição dentre uma massa de pessoas. Não pode haver dúvida de que, por meio de nossa técnica, apreendemos algo do qual o sonho é um substituto e no qual se situa o valor psíquico do sonho, mas que não mostra mais suas enigmáticas peculiaridades, sua aparência estranha e sua confusão.No entanto, não se façam confusões. As associações ao sonho ainda não são os pensamentos oníricos latentes. Estes estão contidos nas associações, assim como um álcali no líquido-mãe, mas ainda não muito inteiramente contidos nelas. Por um lado, as associações nos dão muito mais do que nos é necessário para formular os pensamentos oníricos latentes — ou seja, todas as explicações, transições e conexões que o intelecto do paciente há de produzir no decorrer de sua aproximação aos pensamentos oníricos. Por outro lado, uma associação freqüentemente sofre uma parada precisamente diante do pensamento onírico genuíno: ela somente chegou perto deste e apenas teve contato com ele através de alusões. Nesse ponto, nós próprios intervimos; completamos aquilo que são idéias vagas, tiramos conclusões inegáveis e damos expressão plena àquilo que o paciente apenas mencionou com suas associações. Isto soa como se permitíssemos ao nosso engenho e capricho brincarem com o material posto à nossa disposição pelo sonhador, e como se dele nós fizéssemos mau uso a fim de interpretar em suas comunicações aquilo que não pode ser interpretado a partir delas. E não é fácil mostrar a legitimidade de nosso procedimento numa descrição do mesmo. Basta, porém, que os senhores efetuem uma análise por si mesmos ou estudem um bom relato de uma análise em nossa bibliografia, e os senhores se certificarão da maneira convincente como atua um trabalho interpretativo como este.
Se, de modo geral, basicamente, ao interpretar sonhos, dependemos das associações do sonhador, já em relação a determinados elementos do conteúdo onírico adotamos uma atitude bastante independente, principalmente porque assim temos de fazê-lo, porque, via de regra, as associações deixam de se concretizar no caso desses mesmos elementos. Em um estágio inicial, verificamos que isto acontece sempre em relação ao mesmos elementos; não são muito numerosos, e a experiência repetida nos tem ensinado que eles devem ser considerados e interpretados como símbolos de alguma outra coisa. Em contraste com os outros elementos oníricos, pode ser-lhes atribuída uma significação fixa, a qual, no entanto, não precisa ser isenta de ambigüidade e cujo alcance é determinado por meio de regras especiais, desconhecidas para nós. De vez que nós sabemos como traduzir esses símbolos, e o sonhador não sabe, a despeito de se haver utilizado deles, pode acontecer que o sentido de um sonho possa, de imediato, se nos tornar claro tão logo tenhamos ouvido o texto do sonho, antes mesmo de havermos feito qualquer esforço de interpretá-lo, ao passo que ele ainda permanece um enigma para o sonhador. Contudo, falei-lhes tanto, em minhas conferências anteriores sobre simbolismo, sobre nossos conhecimentos acerca do mesmo e sobre os problemas que ele nos propõe, que não necessito repeti-lo hoje.
Este, pois, é o nosso método de interpretar sonhos. Uma primeira questão justificável é a seguinte: ‘Podemos interpretar todos os sonhos por meio desse método? E a resposta é: ‘Não, absolutamente não; mas são tantos os que podemos interpretar, que nos sentimos confiantes na utilidade e na correção do procedimento.’ ‘Mas por que não todos?’ A resposta a isto tem algo importante a nos ensinar, que de imediato nos conduz aos fatores determinantes psíquicos da formação dos sonhos: ‘Porque o trabalho de interpretar é efetuado contra uma resistência, que varia desde dimensões banais até a inexpugnabilidade (pelo menos até onde alcança a eficiência de nossos métodos atuais).’ É impossível, durante o nosso trabalho, desprezar as manifestações dessa resistência. Em determinados pontos, as associações são fornecidas sem hesitação e a primeira ou a segunda idéia que ocorrem ao paciente proporcionam uma explicação. Em outros pontos, há uma parada, o paciente hesita antes de nos fornecer uma associação e, com isso, muitas vezes temos de ouvir uma longa cadeia de idéias antes de receber algo que nos ajude a compreender o sonho. Certamente temos razão ao pensar que, quanto mais longa e cheia de rodeios for a cadeia de associações, tanto maior a resistência. Podemos detectar a mesma influência em ação no esquecimento de sonhos. Muito freqüentemente acontece que um paciente, apesar de todos os esforços, não consegue lembrar-se de um dos seus sonhos. Contudo, depois de termos sido capazes de, no decurso de uma certa quantidade de trabalho analítico, eliminar uma dificuldade que tinha estado perturbando sua relação com a análise, o sonho esquecido subitamente reemerge. Cabem aqui, também, duas outras observações. Freqüentemente sucede que, no início, uma parte do sonho é omitida, e, depois, acrescentada como adendo. Isto deve ser considerado como uma tentativa de esquecer essa parte. A experiência mostra que é essa determinada parte a mais importante: supomos ter havido uma resistência maior no caminho da comunicação desta, do que na das demais porções do sonho. Ademais, amiúde verificamos que uma pessoa que teve um sonho se esforça por evitar esquecer-se de seus sonhos, pondo-os por escrito imediatamente após acordar. Podemos dizer-lhe que isto não tem utilidade. Pois a resistência, contra a qual garantiu a preservação do texto do sonho, se deslocará, então, para as associações respectivas e tornará o sonho manifesto inacessível à interpretação. Tendo em vista esses fatos, não temos por que nos surpreender se um aumento adicional na resistência suprime as associações completamente e, por conseguinte, não leva a nada a interpretação do sonho.
De tudo isso concluímos que a resistência que encontramos no trabalho de interpretar os sonhos deve também ter compartilhado da origem destes. Realmente, podemos fazer uma distinção entre sonhos que surgiram sob leve e sob elevada pressão da resistência. Essa pressão, contudo, varia também de lugar para lugar, dentro de um mesmo sonho; é responsável pelas lacunas, obscuridades e confusões que podem interromper a continuidade até dos sonhos mais nítidos.
Mas, que coisa cria a resistência, e contra o que ela se dirige? Bem, a resistência é, para nós, o sinal mais seguro de um conflito. Deve haver aqui uma força que procura expressar algo e outra força que se esforça por evitar sua expressão. O que então resulta, em conseqüência, como sonho manifesto, pode combinar todas as decisões em que se condensou essa luta entre duas tendências. Num ponto, uma dessas forças pode ter conseguido efetuar o que quis dizer, ao passo que, em outro ponto, é a instância contrária que fez a comunicação pretendida eclipsar-se completamente, ou ser substituída por algo que não revela qualquer traço seu. Os casos mais comuns e mais característicos de construção onírica são aqueles nos quais o conflito terminou em uma conciliação, de forma tal que a instância com voz ativa certamente foi capaz de dizer o que quis, mas não da forma como quis — apenas numa forma acentuada, distorcida, irreconhecível. Assim, se os sonhos não fornecem um quadro fiel dos pensamentos oníricos, e se o trabalho de interpretação se faz necessário a fim de transpor o hiato entre estes, isto é resultado da instância oponente, inibidora e limitadora, que inferimos de nossa percepção da resistência enquanto estamos interpretando sonhos. Enquanto estudávamos os sonhos como fenômenos isolados, independentes das estruturas psíquicas que lhes são afins, denominávamos essa instância de o censor dos sonhos.Há muito os senhores estão cientes de que essa censura não é uma instituição exclusiva da vida onírica. Sabem que o conflito entre as duas instâncias psíquicas, que nós — impropriamente — descrevemos como o ‘reprimido inconsciente’ e o ‘consciente’, domina toda a nossa vida mental e que a resistência contra a interpretação dos sonhos, sinal de uma censura onírica, nada mais é que a resistência devida à repressão, pela qual as duas instâncias estão separadas. Os senhores também sabem que o conflito entre essas duas instâncias pode, sob determinadas condições, produzir outras estruturas psíquicas que, assim como os sonhos, são o resultado de conciliações; e os senhores não haverão de esperar que eu lhes repita aqui tudo o que estava contido em minha introdução à teoria das neuroses, a fim de lhes demonstrar o que sabemos acerca dos fatores determinantes da formação de tais conciliações. Os senhores perceberam que o sonho é um produto patológico, o primeiro membro da classe que inclui os sintomas histéricos, as obsessões e os delírios, sendo, contudo, diferenciado dos outros por sua transitoriedade e por sua ocorrência sob condições que fazem parte da vida normal. Pois levemos na devida conta que, conforme já foi assinalado por Aristóteles, a vida onírica é a forma como funciona nossa mente durante o estado de sono. O estado de sono implica um afastamento do mundo externo real, e aí temos a condição necessária para o desenvolvimento de uma psicose. O mais cuidadoso estudo das psicoses graves não nos revelará um único aspecto que seja mais característico desses estados patológicos. Nas psicoses, porém, o apartar-se da realidade é levado a cabo por duas espécies de vias: ou porque o reprimido inconsciente se tornou excessivamente forte, de modo a dominar o consciente, que se liga à realidade; ou porque a realidade se tornou tão intoleravelmente angustiante, que o ego ameaçado se lança nos braços das forças instintuais inconscientes, em uma revolta desesperada. A inofensiva psicose onírica é o resultado de uma retirada em relação ao mundo externo, retirada conscientemente desejada e apenas temporária, e desaparece quando são reassumidas as relações com o mundo externo. Durante o isolamento da pessoa em estado de sono, também se efetua uma modificação na distribuição de sua energia psíquica; uma parte do dispêndio em repressão, que normalmente é exigido a fim de submeter o inconsciente, pode sereconomizada, pois se o inconsciente faz uso de sua relativa liberação para propósitos ativos, encontra fechada a via que conduz à motilidade, e o único caminho aberto é um caminho inofensivo que leva à satisfação alucinatória. Agora, portanto, um sonho pode ser formado; mas o fato da censura mostra que, mesmo durante o sono, mantém-se muito da resistência devida à repressão.
Aqui se nos apresenta um meio de responder à pergunta que pretende saber se os sonhos também possuem uma função, se eles estão incumbidos de alguma realização útil. A condição de repouso livre de estímulo, que o estado de sono deseja estabelecer, é ameaçada desde três direções diferentes: de modo relativamente casual, por estímulos externos, durante o sono, e por interesses do dia anterior, que não podem ser interrompidos, e, de uma forma inevitável, pelos impulsos instintuais reprimidos insatisfeitos que estão à espera de uma oportunidade de se expressarem. Em conseqüência da diminuição das repressões, no sono, haveria o risco de que o repouso proporcionado pelo sono fosse interrompido sempre que uma estimulação de fora ou de dentro conseguisse vincular-se com uma fonte instintual inconsciente. O processo de sonhar permite ao produto de elementos confluentes desse tipo encontrar uma saída através de uma experiência alucinatória inofensiva, e desse modo assegura a continuação do sono. O fato de um sonho ocasionalmente acordar a pessoa que dorme, quando se desenvolve ansiedade, não contradiz essa função, mas antes, talvez, assinala que o guardião considera a situação por demais perigosa e não se sente mais em condições de controlá-la. E então, muito freqüentemente, enquanto ainda dormimos, ocorre-nos um consolo que busca impedir-nos o despertar: ‘Mas, afinal, é apenas um sonho!’
Isto era o que eu queria dizer-lhes, senhoras e senhores, acerca da interpretação de sonhos, cuja tarefa é abrir caminho do sonho manifesto para os pensamentos oníricos latentes. Quando isto foi conseguido, o interesse por um sonho, na medida em que diz respeito à análise prática, na sua maior parte chega ao fim. A comunicação que recebemos na forma de sonho, nós a acrescentamos ao restante das comunicações do paciente e prosseguimos com a análise. Entretanto, temos interesse em nos demorar um pouco mais no sonho. Somos tentados a estudar o processo pelo qual os pensamentos oníricos latentes são transformados em sonho manifesto. A isto denominamos ‘elaboração onírica’. Conforme os senhores se recordam, descrevi esse processo de modo tão detalhado em minhas conferências anteriores, que posso limitar minha atual revisão ao resumo mais conciso.O processo da elaboração onírica, portanto, é algo inteiramente novo e diferente, não se assemelhando a nada conhecido anteriormente. Ele nos deu a oportunidade de entrevermos, pela primeira vez, os processos que se realizam no sistema inconsciente, mostrando-nos que são bastante diferentes daquilo que conhecemos acerca de nosso pensar consciente, e a este forçosamente hão de parecer absurdos e incorretos. A importância dessa constatação foi ainda acrescida da descoberta de que, na construção dos sintomas neuróticos, estão em atividade os mesmos mecanismos (não nos aventuramos a dizer ‘processos de pensamento’) que aqueles que transformaram os pensamentos oníricos latentes em sonho manifesto.
Nisto que segue, não poderei evitar um método esquemático de exposição. Suponhamos que, num determinado caso, temos diante de nós todos os pensamentos latentes, carregados de uma quantidade maior ou menor de afeto, pelos quais o sonho manifesto foi substituído após sua interpretação ter sido completada. Então nos causará espécie uma diferença entre esses pensamentos latentes, e essa diferença nos assinala um ponto importante. Quase todos esses pensamentos oníricos são reconhecidos ou identificados pelo sonhador; ele admite haver pensado isto, agora ou em alguma outra época, ou admite que pudesse haver pensado. Há somente um único pensamento que recusa aceitar; é-lhe estranho ou até mesmo repulsivo; talvez possa rejeitá-lo com sentimentos veementes. Torna-se agora evidente para nós que os outros pensamentos são partes de uma cadeia de pensamentos conscientes ou, mais precisamente, pré-conscientes. Podem ter sido pensados na vida desperta, também, e, na verdade, foram formados provavelmente durante o dia precedente. Esse único pensamento, o pensamento repudiado, porém, ou, para dizer melhor, esse único impulso é filho da noite; pertence ao inconsciente do sonhador, e por esse motivo é repudiado e rejeitado por ele. Teve de esperar pelo relaxamento noturno da repressão, a fim de chegar a alguma forma de expressão. Ainda assim, é uma expressão acentuada, deformada e disfarçada; sem nosso trabalho de interpretação de sonhos não o teríamos encontrado. Esse impulso inconsciente tem de agradecer à sua vinculação com os demais pensamentos oníricos, os não-censuráveis, pela oportunidade de transpor furtivamente a barreira da censura em um disfarce não evidente. Por outro lado, os pensamentos oníricos pré-conscientes têm de agradecer a essa mesma vinculação pela possibilidade de ocupar a vida mental também durante o sono. Pois não há dúvida quanto a isto: esse impulso inconsciente é o verdadeiro criador do sonho; é o que produz a energia psíquica para a construção do sonho. Assim como qualquer outro impulso instintual, não pode tender a nenhuma outra coisa se não à sua própria satisfação; e nossaexperiência em interpretar sonhos nos mostra também que este é o sentido de todo o sonhar. Em todo sonho existe um impulso instintual que é apresentado como estando já satisfeito. Pelo fato de que, durante o sono, a vida mental está cerrada à realidade e se produz uma regressão a mecanismos primitivos, isto possibilita que a almejada satisfação seja experimentada numa forma alucinatória, como estando a ocorrer no presente. Em conseqüência dessa regressão que existe, no sonho, as idéias são transformadas em imagens visuais, ou seja, os pensamentos oníricos latentes são dramatizados e ilustrados.
Esse elemento da elaboração onírica dá-nos informações acerca de alguns dos mais surpreendentes e peculiares aspectos dos sonhos. Repetirá o curso dos eventos da formação onírica. Para começar: o desejo de dormir é o afastamento intencional do mundo externo. E depois, duas conseqüências disto para o aparelho mental: a primeira, a possibilidade de nele emergirem métodos de funcionamento mais antigos e mais primitivos — a regressão; a segunda, a diminuição da resistência devida à repressão que pesa sobre o inconsciente. Como resultado desse último fator, surge a possibilidade para a formação de um sonho, e disto tiram vantagem as causas precipitantes, os estímulos internos e externos que se tornaram ativos. O sonho que se origina dessa maneira já é uma estrutura fundada em conciliação. Tem uma dupla função: por um lado, é egossintônico, pois, eliminando os estímulos que estão interferindo com o sono, serve ao desejo de dormir; por outro lado, permite que um impulso instintual reprimido obtenha a satisfação que nessas circunstâncias é possível na forma da realização alucinada de um desejo. Todo o processo de formar um sonho, que é permitido pelo ego em estado de sono, é, entretanto, sujeito à condição da censura, exercida pelo resto de repressão ainda operante. Não posso apresentar de modo mais simples esse processo: ele não é mais simples. Posso, contudo, prosseguir, agora, com minha descrição da elaboração onírica.
Retornemos, uma vez mais, aos pensamentos oníricos latentes. Seu elemento mais poderoso é o impulso instintual reprimido, que neles criou uma expressão para si mesmo, com base na presença de estímulos casuais e pela transferência para os resíduos diurnos — embora uma expressão atenuada e disfarçada. Como todo impulso instintual, também ele pressiona no sentido da satisfação pela ação; mas o seu caminho à motilidade está bloqueado pelas regulações fisiológicas que o estado de sono implica; é compelido a tomar o caminho de retorno em direção à percepção e acontentar-se com uma satisfação alucinada. Os pensamentos oníricos latentes se transformam, pois, em um agrupamento de imagens sensoriais e de cenas visuais. O que nos parece tão novo e tão estranho é o modo como lhes ocorre fazer esse percurso. Todos os instrumentos lingüísticos pelos quais expressamos as relações mais sutis dos pensamentos — as conjunções e as preposições, as alterações devidas à declinação e à conjugação — são eliminados, porque não há meio de representá-los; assim como uma linguagem primitiva, sem nenhuma gramática, expressa-se apenas a matéria-prima do pensamento, e os termos abstratos são substituídos pelos termos concretos que estão na sua base. Depois disso, o que resta certamente pode parecer desconexo. O abundante emprego de símbolos, que se tornaram estranhos ao pensar consciente, para representar determinados objetos e processos, está em harmonia semelhante com a regressão arcaica do aparelho mental e com as exigências da censura.
Outras modificações feitas nos elementos dos pensamentos oníricos, contudo, vão muito além disto. Aqueles elementos que podem permitir que qualquer ponto de contato seja detectado entre eles, são condensados em novas unidades. No processo de transformar os pensamentos em imagens, dá-se inequívoca preferência àqueles que permitem esse agrupamento, essa condensação; é como se atuasse uma força que sujeitasse o material à compressão e concentração. Em conseqüência da condensação, um elemento do sonho manifesto pode corresponder a numerosos elementos dos pensamentos oníricos latentes; mas, também, inversamente, um elemento dos pensamentos oníricos pode estar representado por diversas imagens no sonho.
Ainda mais notável é o outro processo — deslocamento ou mudança do acento — que, no pensar consciente, encontramos somente como raciocínio falho ou como meio de construir uma anedota. As diversas idéias contidas nos pensamentos oníricos, na realidade, não possuem todas valor igual; são caracterizadas com quotas de afeto de magnitude variável e, por conseguinte, julgadas importantes e merecedoras de interesse em maior ou menor grau. Na elaboração onírica, essas idéias estão separadas dos afetos a elas vinculados. Os afetos são tratados independentemente; podem ser deslocados para alguma coisa diversa, podem ser mantidos, podem sofrer modificações, ou podem absolutamente não aparecer no sonho. A importância das idéias que foram despojadas de seu afeto retorna, no sonho, como intensidade sensorial das imagens oníricas; mas observamos que esse acento passou de elementos importantes para elementos indiferentes. Assim, algo que desempenhou apenas um papel secundário nos pensamentos oníricos, parece ter sidoempurrado para o primeiro plano, no sonho, como sendo a coisa principal; ao passo que, pelo contrário, o que era a essência dos pensamentos oníricos só encontra passagem e representação indistinta no sonho. Nenhuma outra parte da elaboração onírica é tão responsável por tornar o sonho estranho e incompreensível para o sonhador. O deslocamento é o meio principal usado na distorção onírica, à qual os pensamentos oníricos devem submeter-se sob a influência da censura.
Após haverem essas influências sido aplicadas sobre os pensamentos oníricos, o sonho está quase completo. Um fator adicional, um tanto variável, também entra em jogo — o fator conhecido como ‘elaboração secundária’ — depois de o sonho ter sido apresentado perante a consciência como objeto da percepção. Neste ponto, tratamo-lo como em geral estamos acostumados a tratar os conteúdos de nossa percepção: preenchemos as lacunas e introduzimos conexões, e, ao fazê-lo, freqüentemente somos culpados de grandes equívocos. Essa atividade, que poderia ser descrita como uma atividade racionalizadora e que, pelo menos, provê o sonho de uma aparência externa homogênea que não pode corresponder ao seu conteúdo verdadeiro, também pode, contudo, estar omitida ou apenas estar expressa em grau muito modesto — caso em que o sonho exibirá ostensivamente todas as suas fendas e rachaduras. Também não se deve esquecer, por outro lado, que a elaboração onírica nem sempre opera com igual energia; muitas vezes limita-se apenas a determinadas partes dos pensamentos oníricos, e a outras permite que apareçam inalteradas no sonho. Em tais casos, tem-se a impressão de o sonho ter efetuado as mais delicadas e complexas operações intelectuais, de haver meditado, feito chistes, chegado a decisões e resolvido problemas, enquanto tudo isso é produto de nossa atividade mental normal, pode ter sido executado igualmente durante o dia anterior ao sonho, assim como durante a noite, não tem nenhuma relação com a elaboração onírica e não esclarece nada de característico dos sonhos. E não é demais insistir, mais uma vez, no contraste existente, dentro dos próprios pensamentos oníricos, entre o impulso instintual inconsciente e os resíduos diurnos. Enquanto estes mostram toda a multiplicidade de nossos atos mentais, aquele, que se torna propriamente a força motriz da formação do sonho, encontra sua saída invariavelmente na realização de um desejo.

Eu poderia ter-lhes dito todas essas coisas há quinze anos atrás; e, na verdade, creio ter dito, de fato, naquela época. Agora, permitam-me reunir essas mudanças e descobertas novas tal como podem ter sido feitas durante o intervalo. Já expressei meu temor de que os senhores achem que istorepresenta muito pouco e deixem de compreender por que eu os obriguei a ouvir a mesma coisa duas vezes. No entanto, nesse período se passaram quinze anos, e espero ser este o meu mais fácil meio de restabelecer contato com os senhores. Ademais, estas são coisas tão fundamentais, de tão decisiva importância para compreender a psicanálise, que se pode sentir-se satisfeito ao ouvi-las uma segunda vez; e vale a pena saber que permaneceram exatamente as mesmas por quinze anos.
Na bibliografia desse período, os senhores, naturalmente, encontrarão uma grande quantidade de material que confirma os dados anteriores e que aduz novos detalhes, e disto pretendo dar-lhes algumas amostras. Aliás, também poderei dizer-lhes algumas coisas que, de fato, já eram conhecidas anteriormente. O que está em questão é principalmente o simbolismo nos sonhos e os outros métodos de representação dos mesmos. Agora ouçam isto. Faz só bem pouco tempo, a faculdade de medicina de uma universidade americana recusou-se a permitir à psicanálise o status de ciência, com base no fato de que ela não comporta nenhuma prova experimental. Poderiam ter levantado a mesma objeção com relação à astronomia; na realidade, a experimentação com corpos celestes é particularmente difícil. Aí, tem-se de buscar apoio na observação. Não obstante, alguns investigadores vienenses efetivamente deram um passo inicial com a confirmação experimental de nosso simbolismo onírico. Já em 1912, um certo Dr. Schrötter verificou que, se forem dadas instruções para sonhar sobre temas sexuais a pessoas profundamente hipnotizadas, então, no sonho que assim é provocado, o material sexual emerge, sendo o seu lugar ocupado por símbolos que nos são familiares. Por exemplo, foi dito a uma mulher que sonhasse com relação sexual com uma amiga. Em seu sonho, aparecia com um saco de viagem no qual estava colado o letreiro: ‘Só para Senhoras’. Experimentos ainda mais impressionantes foram efetuados por Betlheim e Hartmann, em 1924. Eles trabalharam com pacientes que sofriam daquilo que se conhece como psicose confusional de Korsakoff. A esses pacientes contaram histórias do tipo evidentemente sexual e observaram as distorções que apareciam quando os pacientes eram instruídos a reproduzir o que lhes havia sido contado. Também aí surgiram os símbolos de órgãos sexual e de relação sexual que conhecemos — entre eles, o símbolo da escada, o qual, conforme acertadamente observam os escritores, jamais poderia ter sido alcançado por um desejo consciente de deformar.Em uma série de experimentos muito interessante, Herbert Silberer [1909 e 1912] mostrou que se pode, por assim dizer, pegar em flagrante a elaboração onírica no ato de transformar pensamentos abstratos em imagens visuais. Se ele tentava forçar a si mesmo a executar trabalho intelectual enquanto estava em estado de fadiga e sonolência, o pensamento muitas vezes desaparecia e era substituído por uma visão, que obviamente era um substituto do pensamento.
Aqui está um exemplo simples. ‘Eu pensei’, diz Silberer, ‘em ter que revisar uma passagem imperfeita em um ensaio.’ A visão: ‘Vi-me aplainando um pedaço de madeira.’ Durante essas experiências, muitas vezes sucedeu que o conteúdo da visão não era o pensamento de que então se tratava, mas o próprio estado subjetivo do experimentador, enquanto este fazia o esforço — o estado em lugar do objeto. Isto é descrito por Silberer como um ‘fenômeno funcional’. Um exemplo mostrar-lhes-á prontamente o que se quer dizer com isso. O autor estava esforçando-se por comparar as opiniões de dois filósofos acerca de determinada questão. Em sua condição sonolenta, porém, uma dessas opiniões passou a escapar dele e, finalmente, ele teve uma visão de que estava pedindo informações a uma secretária descortês que estava inclinada sobre sua escrivaninha e que começou a não lhe dar atenção, e então ela lançou-lhe um olhar desagradável e inamistoso. As condições sob as quais os experimentos foram feitos provavelmente explicam por si mesmas por que a visão, que foi induzida, representava com tanta freqüência um evento de auto-observação.
Ainda não terminamos esse assunto dos símbolos. Existem alguns que acreditamos ter identificado, os quais, não obstante, nos preocuparam porque não pudemos explicar como esse determinado símbolo veio a ter essa determinada significação. Em tais casos, confirmações de outras fontes — da filologia, do folclore, da mitologia ou do ritual — tinham de ser especialmente bem-vindas. Um exemplo desse tipo é o símbolo de um sobretudo ou capote [em alemão ‘Mantel‘]. Temos afirmado que, num sonho de uma mulher, isto significa um homem. Suponho que os senhores ficarão impressionados ao ouvir que Theodor Reik (1920) nos dá esta informação: ‘Duranteas extremamente antigas cerimônias nupciais dos beduínos, o noivo cobre a noiva com um capote especial conhecido como “Aba” e diz as seguintes palavras rituais: “De hoje em diante, ninguém te cobrirá, exceto eu!”’ (Citado de Robert Eisler [1910, 2, 599 e seg.]). Também encontramos diversos símbolos novos; a respeito de pelo menos dois deles eu lhes falarei. Segundo Abraham (1922), uma aranha, em sonhos, é um símbolo da mãe, mas da mãe fálica, a qual tememos; assim, o medo de aranhas expressa temor do incesto materno e horror aos genitais femininos. Os senhores sabem, talvez, que a criação mitológica, a cabeça da Medusa, pode ser atribuída ao mesmo motif do medo de castração. O outro símbolo, sobre o qual quero falar-lhes, é o da ponte, que foi explicado por Ferenczi (1921 e 1922). Primeiro, ela significa o órgão masculino, que une os pais no coito; mas depois desenvolve outras significações que derivam desta primeira. Na medida em que é absolutamente graças a esse órgão que somos capazes de vir ao mundo, para fora do líquido amniótico, uma ponte se torna a travessia desde o outro mundo (o estado de não-nascido, o útero) até este mundo (a vida); e, como os homens também descrevem a morte como um retorno ao útero (a água), uma ponte também adquire o significado de algo que leva à morte, e finalmente, em mais uma mudança de seu sentido original, significa transições ou modificações de condição, genericamente. Está de acordo com isto o fato de que uma mulher, que ainda não sobrepujou seu desejo de ser homem, tenha freqüentes sonhos com pontes que são muito curtas para alcançar a outra margem.
No conteúdo manifesto dos sonhos, com muita freqüência encontramos quadros e situações que lembram temas familiares em contos de fadas, lendas e mitos. A interpretação de tais temas, portanto, elucida os interesses originais que criaram esses temas, embora, ao mesmo tempo, não devamos esquecer, naturalmente, a alteração de significado pela qual esse material foi atingido no decorrer do tempo. Nosso trabalho de interpretação traz à luz, por assim dizer, a matéria-prima, que deve, no mais das vezes, ser descrita como sexual no mais amplo sentido, mas que encontrou as mais variadas aplicações em adaptações posteriores. Derivações desse tipo são capazes de fazer despenhar sobre nós a fúria de todos os eruditos investigadores não-analíticos, como se nós estivéssemos procurando negar ou menosprezar tudo o que foi posteriormente erigido em sua base original. Não obstante, tais descobertas são instrutivas e interessantes. O mesmo fato procede, quando se situa a origem de determinados temas nas artes plásticas, como, por exemplo, quando M. J. Eisler (1919), seguindo indicações de sonhos de seus pacientes, deu umainterpretação analítica do jovem brincando com um menininho, representado no Hermes de Praxíteles. E, por fim, não posso resistir à vontade de assinalar quão freqüentemente a interpretação dos sonhos elucida, de modo especial, temas mitológicos. Assim por exemplo, a lenda do Labirinto pode ser reconhecida como uma representação do nascimento anal: as vias sinuosas são os intestinos e o fio de Ariadne é o cordão umbilical.
Os métodos de representação empregados pela elaboração onírica — material fascinante, dificilmente capaz de ser exaurido — têm-se tornado, através de estudo mais atento, cada vez mais familiares para nós. Dar-lhes-ei alguns exemplos deles. Assim, por exemplo, os sonhos representam uma relação de freqüência por meio da multiplicação de coisas semelhantes. Eis aqui um notável sonho de uma jovem. Sonhou que chegava a um grande saguão e encontrava nele alguém sentado numa cadeira; isto se repetia seis ou oito vezes, ou mais; porém, em cada uma das vezes, era seu pai. Compreende-se isto facilmente quando descobrimos, partindo de detalhes acessórios da interpretação, que tal sala significava o útero. O sonho então se torna equivalente à fantasia, habitualmente encontrada em meninas, de se haverem encontrado com o pai já durante sua vida intra-uterina, quando ele visitava o útero enquanto sua mãe estava grávida. Os senhores não devem confundir-se pelo fato de algo estar invertido no sonho — que o ‘entrar’ de seu pai é deslocado para ela; aliás, isto também tem um significado especial todo próprio. A multiplicação da figura do pai só pode expressar o fato de que o evento em questão ocorria repetidas vezes. Afinal, deve-se admitir que o sonho não se está excedendo muito ao expressar a freqüência através da multiplicidade. Foi necessário apenas remontar à significação original da primeira palavra; hoje ela significa para nós uma repetição no tempo, contudo deriva de uma acumulação no espaço. De modo geral, com efeito, onde é possível, a elaboração onírica muda as relações temporais em espaciais, e assim as representa. Em um sonho, por exemplo, pode-se ver uma cena entre duas pessoas que parecem muito pequenas e à grande distância, como se estivessem sendo olhadas pelo lado errado de um binóculo de ópera. Aqui, tanto a pequenez como o distanciamento no espaço têm o mesmo significado: o que significa é o distanciamento no tempo e devemos entender que a cena é de um passado remoto.
E, também, os senhores podem recordar que, em minhas conferências anteriores, já lhes disse (e ilustrei o fato com exemplos) que aprendemos afazer uso, em nossas interpretações, até mesmo dos aspectos puramente formais do sonho manifesto — isto é, transformá-los em material oriundo dos pensamentos oníricos latentes. Conforme os senhores já sabem, todos os sonhos que se passam numa noite só pertencem a um mesmo contexto. Não é, contudo, um fato destituído de importância se esses sonhos parecem, ao sonhador, um todo contínuo, ou se ele os divide em diversas partes, e em quantas partes. O número de tais partes, com freqüência, corresponde a igual número de pontos focais separados na formação estrutural dos pensamentos oníricos latentes, ou de tendências conflitantes na vida mental da pessoa que teve o sonho, cada um dos quais encontra uma expressão dominante, embora nunca exclusiva, em uma determinada parte do sonho. Um sonho introdutório breve e um sonho principal, mais longo, que àquele se segue, freqüentemente estão na relação de prótase e de apódose [cláusulas condicional e conseqüencial], da qual um exemplo claro será encontrado nas anteriores conferências. Um sonho que é descrito pelo sonhador como ‘um tanto interpolado’ realmente corresponderá a uma cláusula dependente nos pensamentos oníricos. Franz Alexander (1925) mostrou, em um estudo sobre pares de sonhos, que não raro acontece dois sonhos de uma mesma noite compartilharem do cumprimento da tarefa do sonho produzindo uma realização de desejos em dois estádios, se eles são tomados conjuntamente, embora cada sonho separadamente não atinja esse resultado. Suponha-se, por exemplo, que o desejo contido no sonho tenha como seu conteúdo alguma ação ilícita com relação a determinada pessoa. Então, no primeiro sonho, a pessoa aparecerá sem disfarce, mas a ação será apenas timidamente insinuada. O segundo sonho comportar-se-á de modo diferente. A ação será nomeada sem disfarce, mas a pessoa será tornada irreconhecível ou será substituída por alguém indiferente. Isto, os senhores haverão de recordar, dá uma impressão de efetiva astúcia. Outra relação semelhante entre dois membros de um par de sonhos se encontra onde um representa uma punição e o outro representa a realização de desejos condenáveis. Equivale ao seguinte: ‘se se aceita o castigo por isto, pode-se continuar a se permitir a coisa proibida.’

Não posso deter os senhores, por mais tempo, nessas descobertas de menor importância ou nas discussões relativas ao emprego da interpretação de sonhos no trabalho da análise. Sinto que seguramente os senhores estão impacientes por ouvir quais mudanças foram feitas em nossos pontos de vista fundamentais relativos à natureza e significação dos sonhos. Já os avisei de que, precisamente nisto, há pouco a relatar-lhes. O ponto mais controvertido em toda a teoria foi, sem dúvida, a afirmação de que todos os sonhos são realizações de desejos. A objeção inevitável e sempre recorrente, levantada pelos leigos, de que, não obstante, há tantos sonhos de ansiedade, foi, penso que posso dizê-lo, completamente eliminada em minhas conferências anteriores. Com a divisão em sonhos de realização de desejos, sonhos de ansiedade e sonhos de punição, mantivemos intacta nossa teoria.
Também os sonhos de punição constituem realizações de desejo, embora não de desejos dos impulsos instintuais, mas de desejos da instância crítica, censora e punidora da mente. Se temos diante de nós um sonho de punição puro, uma operação mental fácil nos possibilitará restaurar o sonho de realização de desejos ao qual o sonho de punição é a resposta correta, e que, devido a esse repúdio, foi substituído como sonho manifesto. Como sabem, senhoras e senhores, o estudo dos sonhos foi o que por primeiro nos auxiliou a compreender as neuroses, e os senhores julgarão natural que nosso conhecimento das neuroses, posteriormente, conseguiu influenciar nossa visão dos sonhos. Conforme os senhores haverão de ouvir, fomos obrigados a postular a existência, na mente, de uma especial instância crítica e proibidora, a qual denominamos de ‘superego’. Embora reconhecendo que a censura dos sonhos é também uma função dessa instância, fomos levados a examinar, com maior cuidado, a parte desempenhada pelo superego na construção dos sonhos.
Contra a teoria da realização de desejos dos sonhos surgiram apenas duas dificuldades sérias. Uma discussão a respeito destas afastar-nos-ia muito do caminho que seguimos e, na verdade, ainda não nos proporcionou qualquer conclusão inteiramente satisfatória.
A primeira dessas dificuldades apresenta-se no fato de que as pessoas que experimentaram um choque, um trauma psíquico grave — tal como acontecia, com tanta freqüência, durante a guerra, e tal como propicia a base para a histeria traumática —, são regularmente reconduzidas, em seus sonhos, à situação traumática. De acordo com nossas hipóteses referentes à função dos sonhos, isto não deveria ocorrer. Que impulso decorrente de desejospoderia satisfazer-se retornando, dessa maneira, a essa experiência traumática tão desagradável? É difícil imaginar.
Encontramos a segunda dificuldade quase diariamente no curso de nosso trabalho analítico; e não implica objeção tão importante quanto a outra. Uma das atribuições da psicanálise, como sabem, é erguer o véu da amnésia que oculta os anos iniciais da infância, e trazer à memória consciente as manifestações do início da vida sexual infantil que está contida neles. Ora, essas experiências sexuais iniciais de uma criança estão vinculadas a penosas vivências de ansiedade, proibição, desapontamento e punição. Podemos entender que tenham sido reprimidas; mas, sendo assim, não podemos compreender como têm elas acesso tão livre à vida onírica, como oferecem o padrão para tantas fantasias oníricas e como os sonhos se enchem de reproduções dessas cenas das infância e de alusões às mesmas. Deve-se admitir que seu caráter desagradável e o propósito realizador de desejos da elaboração onírica parecem estar longe de serem mutuamente compatíveis. Pode ser, contudo, que, nesse caso, estejamos exagerando a dificuldade. Afinal, essas mesmas experiências infantis têm ligadas a elas todos os desejos instintuais não satisfeitos, duradouros, os quais, através da vida, proporcionam a energia para a construção dos sonhos e a que podemos sem dúvida creditar a possibilidade de, em sua poderosa irrupção, forçar a vinda à superfície, junto com o restante, do material de eventos penosos. E, por outro lado, a maneira e a forma em que esse material é reproduzido mostra inequivocamente os esforços da elaboração onírica dirigidos a negar o desprazer, por meio da deformação, e a transformar a decepção em concessão.
Nas neuroses traumáticas as coisas são diferentes. No caso destas, os sonhos regularmente terminam em geração de ansiedade. Não teríamos receio de admitir, penso eu, que aqui a função do sonho falhou. Não invocarei o ditado segundo o qual a exceção comprova a regra: sua sabedoria me parece ser a mais questionável. Mas, sem dúvida, a exceção não subverte a regra. Se, no interesse de estudá-la, isolamos determinada função psíquica, como o sonhar, do mecanismo psíquico como um todo, possibilitamos a descoberta das leis que lhe são peculiares; quando, porém, a inserimos novamente no contexto geral, devemos estar preparados para descobrir que esses achados são obscurecidos e prejudicados por colidirem com outras forças. Dizemos que um sonho é a realização de um desejo; mas se os senhores querem levar em conta essas últimas objeções, os senhores podem dizer, ainda assim, que um sonho é uma tentativa de realização de um desejo. Ninguém que possa devidamente constatar a dinâmica da mente haverá de supor que os senhores tenham dito algo diferente disto. Em determinadas circunstâncias, um sonho só é capaz de levar a efeito a sua intenção de modo muito incompleto, ou, então, tem de abandoná-la por inteiro. A fixação inconsciente a um trauma parece estar, acima de tudo, entre esses obstáculos à função de sonhar. Enquanto a pessoa que dorme é obrigada a sonhar, porque o relaxamento da repressão, à noite, permite que se torne ativa a pressão ascendente da fixação traumática, há um fracasso no funcionamento da sua elaboração onírica, que gostaria de transformar os traços de memória do evento traumático em realização de um desejo. Nessas circunstâncias, acontecerá que a pessoa não pode dormir, que ela desiste de dormir por medo de que falhe a função do sonhar. As neuroses traumáticas oferecem-nos aqui um caso extremo; mas devemos admitir que as experiências da infância também são de natureza traumática, e não há por que nos surpreendermos se interferências relativamente banais na função dos sonhos podem surgir também sob outras condições.

Conferência XXIX: Revisão da teoria dos sonhos (1933[1932]). In: FREUD, Sigmund, V. XXII.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Encontros através de gerações: Hanna Segal, Betty Joseph, Anne Marie Sandler, Edna O'Shaughnessy, Egle Laufer, Elizabeth Spillius



Encounters through generations.

Joe Sacco



Joe Sacco combines the techniques of eyewitness reportage with graphic storytelling to explore complex, emotionally weighted situations in some of the most volatile regions of the globe. His series Palestine set new standards for the use of the comic book as a documentary medium, and his 240-page exploration of a Muslim enclave in Serbia titled Safe Area Gorazde: The War in Eastern Bosnia 19921995 received widespread critical acclaim. Sacco is praised for the depth of his research and his sensitive handling of delicate political topics as well as his dynamic layouts and sophisticated narratives. Join him for a visual tour of his celebrated approach to comics journalism. Copresented by Rain Taxi Review of Books.

Leitura de obras on-line

http://www.olivreiro.com.br/livros/?acao=lerOnline

quinta-feira, 17 de março de 2011

Crônica da Loucura, Luis Fernando Verissimo


O melhor da Terapia é ficar observando os meus colegas loucos. Existem dois tipos de loucos. O louco propriamente dito e o que cuida do louco: o analista, o terapeuta, o psicólogo e o psiquiatra. Sim, somente um louco pode se dispor a ouvir a loucura de seis ou sete outros loucos todos os dias, meses, anos. Se não era louco, ficou.

Durante quarenta anos, passei longe deles. Pronto, acabei diante de um louco, contando as minhas loucuras acumuladas. Confesso, como louco confesso, que estou adorando estar louco semanal.

O melhor da terapia é chegar antes, alguns minutos e ficar observando os meus colegas loucos na sala de espera. Onde faço a minha terapia é uma casa grande com oito loucos analistas. Portanto, a sala de espera sempre tem três ou quatro ali, ansiosos, pensando na loucura que vão dizer dali a pouco.

Ninguém olha para ninguém. O silêncio é uma loucura. E eu, como
escritor, adoro observar pessoas, imaginar os nomes, a profissão,
quantos filhos têm, se são rotarianos ou leoninos, corintianos ou
palmeirenses.

Acho que todo escritor gosta desse brinquedo, no mínimo, criativo. E a sala de espera de um "consultório médico", como diz a atendente
absolutamente normal (apenas uma pessoa normal lê tanto Paulo Coelho como ela), é um prato cheio para um louco escritor como eu. Senão, vejamos:

Na última quarta-feira, estávamos:
1. Eu
2. Um crioulinho muito bem vestido,
3. Um senhor de uns cinqüenta anos e
4. Uma velha gorda.

Comecei, é claro, imediatamente a imaginar qual seria o problema de cada um deles. Não foi difícil, porque eu já partia do principio que todos eram loucos, como eu. Senão, não estariam ali, tão cabisbaixos e ensimesmados.

(2) O pretinho, por exemplo. Claro que a cor, num país racista como o nosso, deve ter contribuído muito para levá-lo até aquela poltrona de vime. Deve gostar de uma branca, e os pais dela não aprovam o namoro e não conseguiu entrar como sócio do "Harmonia do Samba"? Notei que o tênis estava um pouco velho. Problema de ascensão social, com certeza. O olhar dele era triste, cansado. Comecei a ficar com pena dele. Depois notei que ele trazia uma mala. Podia ser o corpo da namorada esquartejada lá dentro.. Talvez apenas a cabeça. Devia ser um assassino, ou suicida, no mínimo.. Podia ter também uma arma lá dentro. Podia ser perigoso. Afastei-me um pouco dele no sofá. Ele dava olhadas furtivas para dentro da mala assassina.

(3)E o senhor de terno preto, gravata, meias e sapatos também pretos? Como ele estava sofrendo, coitado. Ele disfarçava, mas notei que tinha um pequeno tique no olho esquerdo. Corno, na certa. E manso. Corno manso sempre tem tiques. Já notaram? Observo as mãos. Roía as unhas. Insegurança total, medo de viver. Filho drogado? Bem provável. Como era infeliz esse meu personagem. Uma hora tirou o lenço e eu já estava esperando as lágrimas quando ele assoou o nariz violentamente, interrompendo o Paulo Coelho da outra. Faltava um botão na camisa. Claro, abandonado pela esposa. Devia morar num flat, pagar caro, devia ter dívidas astronômicas. Homossexual? Acho que não. Ninguém beijaria um homem com um bigode daqueles. Tingido.

(4) Mas a melhor, a mais doida, era a louca gorda e baixinha. Que bunda imensa. Como sofria, meu Deus. Bastava olhar no rosto dela. Não devia fazer amor há mais de trinta anos. Será que se masturbaria? Será que era esse o problema dela? Uma velha masturbadora? Não! Tirou um terço da bolsa e começou a rezar. Meu Deus, o caso é mais grave do que eu pensava. Estava no quinto cigarro em dez minutos. Tensa. Coitada. O que deve ser dos filhos dela? Acho que os filhos não comem a macarronada dela há dezenas e dezenas de domingos. Tinha cara também de quem mentia para o analista. Minha mãe rezaria uma Salve-Rainha por ela, se a conhecesse. Acabou o meu tempo. Tenho que ir conversar com o meu psicanalista. Conto para ele a minha "viagem" na sala de espera.
Ele ri... Ri muito, o meu psicanalista, e diz:
- O Ditinho é o nosso office-boy.
- O de terno preto é representante de um laboratório multinacional de remédios lá no Ipiranga e passa aqui uma vez por mês com as novidades.
- E a gordinha é a Dona Dirce, a minha mãe.
- "E você, não vai ter alta tão cedo..."

quarta-feira, 16 de março de 2011

Homenaje Derechos Humanos, Mempo Giardinelli



Homenaje Derechos Humanos. Realizado por Asociación Madres de Plaza de Mayo. Emilio Cartoy Díaz. TEA Imagen. Masato Media y Radiotea.

terça-feira, 15 de março de 2011

Entrevista com Jeans Andermann



Jeans Andermann, professor na Universidade de Londres, fala sobre seu trabalho em entrevista durante o I Encontro Internacional Conexões Itaú Cultural, evento que lançou o mapeamento da literatura brasileira no exterior e a reunião de profissionais estrangeiros que estudam ou pesquisam esse tema.

Saiba mais: http://www.conexoesitaucultural.org.br/

Entrevista com Charles Perrona



Charles Perrona, tradutor e professor de português e de literatura e cultura luso-brasileira na Universidade da Flórida EUA, conta sobre seu trabalho de tradução em entrevista durante o I Encontro Internacional Conexões Itaú Cultural, evento que lançou o mapeamento da literatura brasileira no exterior e a reunião de profissionais estrangeiros que estudam ou pesquisam esse tema.

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segunda-feira, 14 de março de 2011

Minha tradução do poema À memória de Sigmund Freud, de W.H. Auden

Quando há tantos a quem devemos lamentar,
quando da aflição emerge à débil consciência
o nó que suprime a angústia
que vem atar a época inteira,
de quem falaremos? A cada dia sepultam-se entre nós
os que fizeram do bem um legado,
os que não se vergaram ao jugo
e pereceram em esperanças
para a mudança vicejar.

Assim foi este doutor: ainda aos oitenta desejou
pensar a vida, não pelo auspicioso futuro,
e sim a partir dos desvios,
das obediências, das adulações
que subordinam a todos,
mas o tal anseio foi negado: fechou os olhos sobre a imagem derradeira,
comum a todos, dos familiares reunidos,
uns perplexos; outros, enciumados, no leito de morte.


Até o fim, a fauna noturna,
ansiosa por se desvelar
no fulgente halo do reconhecimento,
acompanhou-o, e as sombras,
infusas em mistérios,
agora tristes, voltaram-se alhures,
pois, em meio ao exílio,
em terras londrinas,
o importante Judeu
por lá faleceu
e deixou à deriva
os interesses de outrora.

Apenas o Ódio exultava-se
com a possibilidade de alargar domínios
por meio da legião dos sombrios artífices,
que cobrem de cinzas os jardins
e acreditam purificar-se pela barbárie.

Porque os acolheu, sem rancor ou falsidade,
é que eles ainda sobrevivem
num mundo diverso,
transformado pelo simples olhar
de quem tem a honestidade da criança
e a aptidão de rememorar do velho.

Não era de todo astuto: apenas pediu ao infeliz Presente
que declamasse ao Passado, em modos de lição poética,
o trecho em que se deu, há tempos atrás,
a gênese das acusações
e, de repente, vendo no verso a estupefação,
sentiu-se mais humilde, solidário à vida,
capaz de tratar o futuro como a um amigo,
sem constrangimentos e livre da máscara da retidão
que petrifica e artificializa os gestos.

Não é de se admirar que os cânones culturais da Antiguidade,
munidos de técnicas de descolonização,
previssem o declínio dos príncipes,
o colapso dos padrões econômicos de lucro e de frustração:
se ele seguisse adiante,
a vida de hoje se tornaria impossível,
o monólito Estatal ruiria
e esterilizaria a ação dos vingadores.


É claro que recorreram a Deus,
mas ele, à semelhança de Dante,
manteve o curso em direção à fossa infecta,
em meio aos rebotalhos, condenados à rejeição e à calúnia,
e nos mostrou a face rebuçada do mal,
não a conhecida, que pune os atos vis,
mas a que negamos, por falta de fé,
com as nossas concupiscências opressoras e hipócritas.

Se ele assumia a pose autocrática e o rigor paterno, que tanto execrava,
como ardil para camuflar os discursos e as declarações,
era porque vivia há muito entre inimigos
e precisava de tais recursos como amuleto:
muitas vezes, pode ter se equivocado ou proferido absurdos,
só que agora já não é mais homem,
é todo o clima de opiniões
sob o qual conduzimos nossas vidas:
ele, assim como o tempo, pode ou não ajudar,
o orgulho, jactar-se,
os tiranos, imitá-lo sem prestigiá-lo;
nada disso importa:
encontra-se sorrateiramente entranhado
nos ciclos da evolução
e estende-se até mesmo ao remoto e mísero ducado;

ao tatear a robustez dos ossos, insuflou ânimo às crianças,
abandonadas em sua pequenez, essa turba anônima,
que no mel sorveu o azedume e provou o gosto do medo,
foi relegada à negligência,
confinada em lares de liberdade cerceada,
e agora ressurgem, dos confins da censura,
como se fossem espectros delidos da memória,
para que as devolvamos o brilho
e as restituamos os valores ofuscados;

jogos que imaginaríamos deixar de lado ao crescermos,
ruídos que jamais nos atreveríamos a rir,
caretas que fazemos quando ninguém nos olha.
Sim, quis mais do que isso. Ser livre
é irmanar-se à solidão. Unir as metades desiguais,
fraturadas pelo próprio senso de justiça,
foi o que almejou,

e também restabelecer a vontade e a lucidez aos altaneiros;
às minorias, devolver as posses,
que serviriam apenas às áridas contendas
e daria ao filho a próspera dádiva de sentir como sua mãe o fez:
nos alertaria para sermos mais otimistas em meio às trevas,
não pelas maravilhas cifradas em seus interstícios,
mas porque o obscuro merece a nossa afeição. Já as criaturas encantadoras
suplicam com o olhar para que as convidemos
a cegamente nos seguir:
são exiladas que habitam o futuro
que vive em nosso poder
e que se rejubilariam,
se o permitíssemos,
em conceder iluminação à humanidade,
assim como ele o fez,
e até mesmo conteriam em si
o grito por “Judas” que haveríamos de emitir,
assim como ele o suportou,
e todos, a exemplo, deveriam fazer.
A voz unívoca e racional claudica. Sob a sua lápide,
a caterva de Impulsos lamenta a perda do ente querido:
triste encontra-se Eros, construtor de cidades,
e chorosa está a anárquica Afrodite.

sexta-feira, 11 de março de 2011

"In Memory of Sigmund Freud", W.H. Auden



Freud died on September 23, 1939. This poem appeared in 1940. Auden was 32.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Garrison Keillor: advice to writers



Garrison Keillor gives advice to writers during the 2008 Erma Bombeck Writers' Workshop at the University of Dayton.

terça-feira, 1 de março de 2011

Interview with George Gopen



George Gopen of Duke University talks about his early career and a survey of Legal Writing programs done in the mid-1970s.

The Science of Scientific Writing, George Gopen, Judith Swan (AMERICAN SCIENTIST)

The Science of Scientific Writing
If the reader is to grasp what the writer means, the writer must understand what the reader needs

This article was originally published in the November-December 1990 issue of American Scientist.

Science is often hard to read. Most people assume that its difficulties are born out of necessity, out of the extreme complexity of scientific concepts, data and analysis. We argue here that complexity of thought need not lead to impenetrability of expression; we demonstrate a number of rhetorical principles that can produce clarity in communication without oversimplifying scientific issues. The results are substantive, not merely cosmetic: Improving the quality of writing actually improves the quality of thought.

The fundamental purpose of scientific discourse is not the mere presentation of information and thought, but rather its actual communication. It does not matter how pleased an author might be to have converted all the right data into sentences and paragraphs; it matters only whether a large majority of the reading audience accurately perceives what the author had in mind. Therefore, in order to understand how best to improve writing, we would do well to understand better how readers go about reading. Such an understanding has recently become available through work done in the fields of rhetoric, linguistics and cognitive psychology. It has helped to produce a methodology based on the concept of reader expectations.

Writing with the Reader in Mind: Expectation and Context
Readers do not simply read; they interpret. Any piece of prose, no matter how short, may "mean" in 10 (or more) different ways to 10 different readers. This methodology of reader expectations is founded on the recognition that readers make many of their most important interpretive decisions about the substance of prose based on clues they receive from its structure.

This interplay between substance and structure can be demonstrated by something as basic as a simple table. Let us say that in tracking the temperature of a liquid over a period of time, an investigator takes measurements every three minutes and records a list of temperatures. Those data could be presented by a number of written structures. Here are two possibilities:

t(time)=15', T(temperature)=32º, t=0', T=25º; t=6', T=29º; t=3', T=27º; t=12', T=32º; t=9'; T=31º
time (min) temperature(ºC)
0 25
3 27
6 29
9 31
12 32
15 32

Precisely the same information appears in both formats, yet most readers find the second easier to interpret. It may be that the very familiarity of the tabular structure makes it easier to use. But, more significantly, the structure of the second table provides the reader with an easily perceived context (time) in which the significant piece of information (temperature) can be interpreted. The contextual material appears on the left in a pattern that produces an expectation of regularity; the interesting results appear on the right in a less obvious pattern, the discovery of which is the point of the table.

If the two sides of this simple table are reversed, it becomes much harder to read.

temperature(ºC) time (min)
25 0
27 3
29 6
31 9
32 12
32 15

Since we read from left to right, we prefer the context on the left, where it can more effectively familiarize the reader. We prefer the new, important information on the right, since its job is to intrigue the reader.

Information is interpreted more easily and more uniformly if it is placed where most readers expect to find it. These needs and expectations of readers affect the interpretation not only of tables and illustrations but also of prose itself. Readers have relatively fixed expectations about where in the structure of prose they will encounter particular items of its substance. If writers can become consciously aware of these locations, they can better control the degrees of recognition and emphasis a reader will give to the various pieces of information being presented. Good writers are intuitively aware of these expectations; that is why their prose has what we call "shape."

This underlying concept of reader expectation is perhaps most immediately evident at the level of the largest units of discourse. (A unit of discourse is defined as anything with a beginning and an end: a clause, a sentence, a section, an article, etc.) A research article, for example, is generally divided into recognizable sections, sometimes labeled Introduction, Experimental Methods, Results and Discussion. When the sections are confused—when too much experimental detail is found in the Results section, or when discussion and results intermingle—readers are often equally confused. In smaller units of discourse the functional divisions are not so explicitly labeled, but readers have definite expectations all the same, and they search for certain information in particular places. If these structural expectations are continually violated, readers are forced to divert energy from understanding the content of a passage to unraveling its structure. As the complexity of the context increases moderately, the possibility of misinterpretation or noninterpretation increases dramatically.

We present here some results of applying this methodology to research reports in the scientific literature. We have taken several passages from research articles (either published or accepted for publication) and have suggested ways of rewriting them by applying principles derived from the study of reader expectations. We have not sought to transform the passages into "plain English" for the use of the general public; we have neither decreased the jargon nor diluted the science. We have striven not for simplification but for clarification.

Reader Expectations for the Structure of Prose
Here is our first example of scientific prose, in its original form:

The smallest of the URF's (URFA6L), a 207-nucleotide (nt) reading frame overlapping out of phase the NH2-terminal portion of the adenosinetriphosphatase (ATPase) subunit 6 gene has been identified as the animal equivalent of the recently discovered yeast H+-ATPase subunit 8 gene. The functional significance of the other URF's has been, on the contrary, elusive. Recently, however, immunoprecipitation experiments with antibodies to purified, rotenone-sensitive NADH-ubiquinone oxido-reductase [hereafter referred to as respiratory chain NADH dehydrogenase or complex I] from bovine heart, as well as enzyme fractionation studies, have indicated that six human URF's (that is, URF1, URF2, URF3, URF4, URF4L, and URF5, hereafter referred to as ND1, ND2, ND3, ND4, ND4L, and ND5) encode subunits of complex I. This is a large complex that also contains many subunits synthesized in the cytoplasm.*
[*The full paragraph includes one more sentence: "Support for such functional identification of the URF products has come from the finding that the purified rotenone-sensitive NADH dehydrogenase from Neurospora crassa contains several subunits synthesized within the mitochondria, and from the observation that the stopper mutant of Neurospora crassa, whose mtDNA lacks two genes homologous to URF2 and URF3, has no functional complex I." We have omitted this sentence both because the passage is long enough as is and because it raises no additional structural issues.]

Ask any ten people why this paragraph is hard to read, and nine are sure to mention the technical vocabulary; several will also suggest that it requires specialized background knowledge. Those problems turn out to be only a small part of the difficulty. Here is the passage again, with the difficult words temporarily lifted:

The smallest of the URF's, and [A], has been identified as a [B] subunit 8 gene. The functional significance of the other URF's has been, on the contrary, elusive. Recently, however, [C] experiments, as well as [D] studies, have indicated that six human URF's [1-6] encode subunits of Complex I. This is a large complex that also contains many subunits synthesized in the cytoplasm.
It may now be easier to survive the journey through the prose, but the passage is still difficult. Any number of questions present themselves: What has the first sentence of the passage to do with the last sentence? Does the third sentence contradict what we have been told in the second sentence? Is the functional significance of URF's still "elusive"? Will this passage lead us to further discussion about URF's, or about Complex I, or both?

Information is interpreted more easily and more uniformly if it is placed where most readers expect to find it.

Knowing a little about the subject matter does not clear up all the confusion. The intended audience of this passage would probably possess at least two items of essential technical information: first, "URF" stands for "Uninterrupted Reading Frame," which describes a segment of DNA organized in such a way that it could encode a protein, although no such protein product has yet been identified; second, both APTase and NADH oxido-reductase are enzyme complexes central to energy metabolism. Although this information may provide some sense of comfort, it does little to answer the interpretive questions that need answering. It seems the reader is hindered by more than just the scientific jargon.

To get at the problem, we need to articulate something about how readers go about reading. We proceed to the first of several reader expectations.

Subject-Verb Separation
Look again at the first sentence of the passage cited above. It is relatively long, 42 words; but that turns out not to be the main cause of its burdensome complexity. Long sentences need not be difficult to read; they are only difficult to write. We have seen sentences of over 100 words that flow easily and persuasively toward their clearly demarcated destination. Those well-wrought serpents all had something in common: Their structure presented information to readers in the order the readers needed and expected it.

Beginning with the exciting material and ending with a lack of luster often leaves us disappointed and destroys our sense of momentum.

The first sentence of our example passage does just the opposite: it burdens and obstructs the reader, because of an all-too-common structural defect. Note that the grammatical subject ("the smallest") is separated from its verb ("has been identified") by 23 words, more than half the sentence. Readers expect a grammatical subject to be followed immediately by the verb. Anything of length that intervenes between subject and verb is read as an interruption, and therefore as something of lesser importance.

The reader's expectation stems from a pressing need for syntactic resolution, fulfilled only by the arrival of the verb. Without the verb, we do not know what the subject is doing, or what the sentence is all about. As a result, the reader focuses attention on the arrival of the verb and resists recognizing anything in the interrupting material as being of primary importance. The longer the interruption lasts, the more likely it becomes that the "interruptive" material actually contains important information; but its structural location will continue to brand it as merely interruptive. Unfortunately, the reader will not discover its true value until too late—until the sentence has ended without having produced anything of much value outside of that subject-verb interruption.

In this first sentence of the paragraph, the relative importance of the intervening material is difficult to evaluate. The material might conceivably be quite significant, in which case the writer should have positioned it to reveal that importance. Here is one way to incorporate it into the sentence structure:

The smallest of the URF's is URFA6L, a 207-nucleotide (nt) reading frame overlapping out of phase the NH2-terminal portion of the adenosinetriphosphatase (ATPase) subunit 6 gene; it has been identified as the animal equivalent of the recently discovered yeast H+-ATPase subunit 8 gene.
On the other hand, the intervening material might be a mere aside that diverts attention from more important ideas; in that case the writer should have deleted it, allowing the prose to drive more directly toward its significant point:

The smallest of the URF's (URFA6L) has been identified as the animal equivalent of the recently discovered yeast H+-ATPase subunit 8 gene.
Only the author could tell us which of these revisions more accurately reflects his intentions.

These revisions lead us to a second set of reader expectations. Each unit of discourse, no matter what the size, is expected to serve a single function, to make a single point. In the case of a sentence, the point is expected to appear in a specific place reserved for emphasis.

The Stress Position
It is a linguistic commonplace that readers naturally emphasize the material that arrives at the end of a sentence. We refer to that location as a "stress position." If a writer is consciously aware of this tendency, she can arrange for the emphatic information to appear at the moment the reader is naturally exerting the greatest reading emphasis. As a result, the chances greatly increase that reader and writer will perceive the same material as being worthy of primary emphasis. The very structure of the sentence thus helps persuade the reader of the relative values of the sentence's contents.

The inclination to direct more energy to that which arrives last in a sentence seems to correspond to the way we work at tasks through time. We tend to take something like a "mental breath" as we begin to read each new sentence, thereby summoning the tension with which we pay attention to the unfolding of the syntax. As we recognize that the sentence is drawing toward its conclusion, we begin to exhale that mental breath. The exhalation produces a sense of emphasis. Moreover, we delight in being rewarded at the end of a labor with something that makes the ongoing effort worthwhile. Beginning with the exciting material and ending with a lack of luster often leaves us disappointed and destroys our sense of momentum. We do not start with the strawberry shortcake and work our way up to the broccoli.

When the writer puts the emphatic material of a sentence in any place other than the stress position, one of two things can happen; both are bad. First, the reader might find the stress position occupied by material that clearly is not worthy of emphasis. In this case, the reader must discern, without any additional structural clue, what else in the sentence may be the most likely candidate for emphasis. There are no secondary structural indications to fall back upon. In sentences that are long, dense or sophisticated, chances soar that the reader will not interpret the prose precisely as the writer intended. The second possibility is even worse: The reader may find the stress position occupied by something that does appear capable of receiving emphasis, even though the writer did not intend to give it any stress. In that case, the reader is highly likely to emphasize this imposter material, and the writer will have lost an important opportunity to influence the reader's interpretive process.

The stress position can change in size from sentence to sentence. Sometimes it consists of a single word; sometimes it extends to several lines. The definitive factor is this: The stress position coincides with the moment of syntactic closure. A reader has reached the beginning of the stress position when she knows there is nothing left in the clause or sentence but the material presently being read. Thus a whole list, numbered and indented, can occupy the stress position of a sentence if it has been clearly announced as being all that remains of that sentence. Each member of that list, in turn, may have its own internal stress position, since each member may produce its own syntactic closure.

Within a sentence, secondary stress positions can be formed by the appearance of a properly used colon or semicolon; by grammatical convention, the material preceding these punctuation marks must be able to stand by itself as a complete sentence. Thus, sentences can be extended effortlessly to dozens of words, as long as there is a medial syntactic closure for every piece of new, stress-worthy information along the way. One of our revisions of the initial sentence can serve as an example:

The smallest of the URF's is URFA6L, a 207-nucleotide (nt) reading frame overlapping out of phase the NH2-terminal portion of the adenosinetriphosphatase (ATPase) subunit 6 gene; it has been identified as the animal equivalent of the recently discovered yeast H+-ATPase subunit 8 gene.
By using a semicolon, we created a second stress position to accommodate a second piece of information that seemed to require emphasis.

We now have three rhetorical principles based on reader expectations: First, grammatical subjects should be followed as soon as possible by their verbs; second, every unit of discourse, no matter the size, should serve a single function or make a single point; and, third, information intended to be emphasized should appear at points of syntactic closure. Using these principles, we can begin to unravel the problems of our example prose.

Note the subject-verb separation in the 62-word third sentence of the original passage:

Recently, however, immunoprecipitation experiments with antibodies to purified, rotenone-sensitive NADH-ubiquinone oxido-reductase [hereafter referred to as respiratory chain NADH dehydrogenase or complex I] from bovine heart, as well as enzyme fractionation studies, have indicated that six human URF's (that is, URF1, URF2, URF3, URF4, URF4L, and URF5, hereafter referred to as ND1, ND2, ND3, ND4, ND4L and ND5) encode subunits of complex I.
After encountering the subject ("experiments"), the reader must wade through 27 words (including three hyphenated compound words, a parenthetical interruption and an "as well as" phrase) before alighting on the highly uninformative and disappointingly anticlimactic verb ("have indicated"). Without a moment to recover, the reader is handed a "that" clause in which the new subject ("six human URF's") is separated from its verb ("encode") by yet another 20 words.

If we applied the three principles we have developed to the rest of the sentences of the example, we could generate a great many revised versions of each. These revisions might differ significantly from one another in the way their structures indicate to the reader the various weights and balances to be given to the information. Had the author placed all stress-worthy material in stress positions, we as a reading community would have been far more likely to interpret these sentences uniformly.

We couch this discussion in terms of "likelihood" because we believe that meaning is not inherent in discourse by itself; "meaning" requires the combined participation of text and reader. All sentences are infinitely interpretable, given an infinite number of interpreters. As communities of readers, however, we tend to work out tacit agreements as to what kinds of meaning are most likely to be extracted from certain articulations. We cannot succeed in making even a single sentence mean one and only one thing; we can only increase the odds that a large majority of readers will tend to interpret our discourse according to our intentions. Such success will follow from authors becoming more consciously aware of the various reader expectations presented here.

We cannot succeed in making even a single sentence mean one and only one thing; we can only increase the odds that a large majority of readers will tend to interpret our discourse according to our intentions.

Here is one set of revisionary decisions we made for the example:

The smallest of the URF's, URFA6L, has been identified as the animal equivalent of the recently discovered yeast H+-ATPase subunit 8 gene; but the functional significance of other URF's has been more elusive. Recently, however, several human URF's have been shown to encode subunits of rotenone-sensitive NADH-ubiquinone oxido-reductase. This is a large complex that also contains many subunits synthesized in the cytoplasm; it will be referred to hereafter as respiratory chain NADH dehydrogenase or complex I. Six subunits of Complex I were shown by enzyme fractionation studies and immunoprecipitation experiments to be encoded by six human URF's (URF1, URF2, URF3, URF4, URF4L, and URF5); these URF's will be referred to subsequently as ND1, ND2, ND3, ND4, ND4L and ND5.
Sheer length was neither the problem nor the solution. The revised version is not noticeably shorter than the original; nevertheless, it is significantly easier to interpret. We have indeed deleted certain words, but not on the basis of wordiness or excess length. (See especially the last sentence of our revision.)

When is a sentence too long? The creators of readability formulas would have us believe there exists some fixed number of words (the favorite is 29) past which a sentence is too hard to read. We disagree. We have seen 10-word sentences that are virtually impenetrable and, as we mentioned above, 100-word sentences that flow effortlessly to their points of resolution. In place of the word-limit concept, we offer the following definition: A sentence is too long when it has more viable candidates for stress positions than there are stress positions available. Without the stress position's locational clue that its material is intended to be emphasized, readers are left too much to their own devices in deciding just what else in a sentence might be considered important.

In revising the example passage, we made certain decisions about what to omit and what to emphasize. We put subjects and verbs together to lessen the reader's syntactic burdens; we put the material we believed worthy of emphasis in stress positions; and we discarded material for which we could not discern significant connections. In doing so, we have produced a clearer passage—but not one that necessarily reflects the author's intentions; it reflects only our interpretation of the author's intentions. The more problematic the structure, the less likely it becomes that a grand majority of readers will perceive the discourse in exactly the way the author intended.

The information that begins a sentence establishes for the reader a perspective for viewing the sentence as a unit.

It is probable that many of our readers--and perhaps even the authors—will disagree with some of our choices. If so, that disagreement underscores our point: The original failed to communicate its ideas and their connections clearly. If we happened to have interpreted the passage as you did, then we can make a different point: No one should have to work as hard as we did to unearth the content of a single passage of this length.

The Topic Position
To summarize the principles connected with the stress position, we have the proverbial wisdom, "Save the best for last." To summarize the principles connected with the other end of the sentence, which we will call the topic position, we have its proverbial contradiction, "First things first." In the stress position the reader needs and expects closure and fulfillment; in the topic position the reader needs and expects perspective and context. With so much of reading comprehension affected by what shows up in the topic position, it behooves a writer to control what appears at the beginning of sentences with great care.

The information that begins a sentence establishes for the reader a perspective for viewing the sentence as a unit: Readers expect a unit of discourse to be a story about whoever shows up first. "Bees disperse pollen" and "Pollen is dispersed by bees" are two different but equally respectable sentences about the same facts. The first tells us something about bees; the second tells us something about pollen. The passivity of the second sentence does not by itself impair its quality; in fact, "Pollen is dispersed by bees" is the superior sentence if it appears in a paragraph that intends to tell us a continuing story about pollen. Pollen's story at that moment is a passive one.

Readers also expect the material occupying the topic position to provide them with linkage (looking backward) and context (looking forward). The information in the topic position prepares the reader for upcoming material by connecting it backward to the previous discussion. Although linkage and context can derive from several sources, they stem primarily from material that the reader has already encountered within this particular piece of discourse. We refer to this familiar, previously introduced material as "old information." Conversely, material making its first appearance in a discourse is "new information." When new information is important enough to receive emphasis, it functions best in the stress position.

When old information consistently arrives in the topic position, it helps readers to construct the logical flow of the argument: It focuses attention on one particular strand of the discussion, both harkening backward and leaning forward. In contrast, if the topic position is constantly occupied by material that fails to establish linkage and context, readers will have difficulty perceiving both the connection to the previous sentence and the projected role of the new sentence in the development of the paragraph as a whole.

Here is a second example of scientific prose that we shall attempt to improve in subsequent discussion:

Large earthquakes along a given fault segment do not occur at random intervals because it takes time to accumulate the strain energy for the rupture. The rates at which tectonic plates move and accumulate strain at their boundaries are approximately uniform. Therefore, in first approximation, one may expect that large ruptures of the same fault segment will occur at approximately constant time intervals. If subsequent main shocks have different amounts of slip across the fault, then the recurrence time may vary, and the basic idea of periodic mainshocks must be modified. For great plate boundary ruptures the length and slip often vary by a factor of 2. Along the southern segment of the San Andreas fault the recurrence interval is 145 years with variations of several decades. The smaller the standard deviation of the average recurrence interval, the more specific could be the long term prediction of a future mainshock.
This is the kind of passage that in subtle ways can make readers feel badly about themselves. The individual sentences give the impression of being intelligently fashioned: They are not especially long or convoluted; their vocabulary is appropriately professional but not beyond the ken of educated general readers; and they are free of grammatical and dictional errors. On first reading, however, many of us arrive at the paragraph's end without a clear sense of where we have been or where we are going. When that happens, we tend to berate ourselves for not having paid close enough attention. In reality, the fault lies not with us, but with the author.

We can distill the problem by looking closely at the information in each sentence's topic position:

Large earthquakes
The rates
Therefore...one
subsequent mainshocks
great plate boundary ruptures
the southern segment of the San Andreas fault
the smaller the standard deviation...
Much of this information is making its first appearance in this paragraph—in precisely the spot where the reader looks for old, familiar information. As a result, the focus of the story constantly shifts. Given just the material in the topic positions, no two readers would be likely to construct exactly the same story for the paragraph as a whole.

If we try to piece together the relationship of each sentence to its neighbors, we notice that certain bits of old information keep reappearing. We hear a good deal about the recurrence time between earthquakes: The first sentence introduces the concept of nonrandom intervals between earthquakes; the second sentence tells us that recurrence rates due to the movement of tectonic plates are more or less uniform; the third sentence adds that the recurrence rates of major earthquakes should also be somewhat predictable; the fourth sentence adds that recurrence rates vary with some conditions; the fifth sentence adds information about one particular variation; the sixth sentence adds a recurrence-rate example from California; and the last sentence tells us something about how recurrence rates can be described statistically. This refrain of "recurrence intervals" constitutes the major string of old information in the paragraph. Unfortunately, it rarely appears at the beginning of sentences, where it would help us maintain our focus on its continuing story.

In reading, as in most experiences, we appreciate the opportunity to become familiar with a new environment before having to function in it. Writing that continually begins sentences with new information and ends with old information forbids both the sense of comfort and orientation at the start and the sense of fulfilling arrival at the end. It misleads the reader as to whose story is being told; it burdens the reader with new information that must be carried further into the sentence before it can be connected to the discussion; and it creates ambiguity as to which material the writer intended the reader to emphasize. All of these distractions require that readers expend a disproportionate amount of energy to unravel the structure of the prose, leaving less energy available for perceiving content.

We can begin to revise the example by ensuring the following for each sentence:

1. The backward-linking old information appears in the topic position.
2. The person, thing or concept whose story it is appears in the topic position.
3. The new, emphasis-worthy information appears in the stress position.
Once again, if our decisions concerning the relative values of specific information differ from yours, we can all blame the author, who failed to make his intentions apparent. Here first is a list of what we perceived to be the new, emphatic material in each sentence:

time to accumulate strain energy along a fault
approximately uniform
large ruptures of the same fault
different amounts of slip
vary by a factor of 2
variations of several decades
predictions of future mainshock

Now, based on these assumptions about what deserves stress, here is our proposed revision:

Large earthquakes along a given fault segment do not occur at random intervals because it takes time to accumulate the strain energy for the rupture. The rates at which tectonic plates move and accumulate strain at their boundaries are roughly uniform. Therefore, nearly constant time intervals (at first approximation) would be expected between large ruptures of the same fault segment. [However?], the recurrence time may vary; the basic idea of periodic mainshocks may need to be modified if subsequent mainshocks have different amounts of slip across the fault. [Indeed?], the length and slip of great plate boundary ruptures often vary by a factor of 2. [For example?], the recurrence intervals along the southern segment of the San Andreas fault is 145 years with variations of several decades. The smaller the standard deviation of the average recurrence interval, the more specific could be the long term prediction of a future mainshock.
Many problems that had existed in the original have now surfaced for the first time. Is the reason earthquakes do not occur at random intervals stated in the first sentence or in the second? Are the suggested choices of "however," "indeed," and "for example" the right ones to express the connections at those points? (All these connections were left unarticulated in the original paragraph.) If "for example" is an inaccurate transitional phrase, then exactly how does the San Andreas fault example connect to ruptures that "vary by a factor of 2"? Is the author arguing that recurrence rates must vary because fault movements often vary? Or is the author preparing us for a discussion of how in spite of such variance we might still be able to predict earthquakes? This last question remains unanswered because the final sentence leaves behind earthquakes that recur at variable intervals and switches instead to earthquakes that recur regularly. Given that this is the first paragraph of the article, which type of earthquake will the article most likely proceed to discuss? In sum, we are now aware of how much the paragraph had not communicated to us on first reading. We can see that most of our difficulty was owing not to any deficiency in our reading skills but rather to the author's lack of comprehension of our structural needs as readers.

In our experience, the misplacement of old and new information turns out to be the No. 1 problem in American professional writing today.

In our experience, the misplacement of old and new information turns out to be the No. 1 problem in American professional writing today. The source of the problem is not hard to discover: Most writers produce prose linearly (from left to right) and through time. As they begin to formulate a sentence, often their primary anxiety is to capture the important new thought before it escapes. Quite naturally they rush to record that new information on paper, after which they can produce at their leisure contextualizing material that links back to the previous discourse. Writers who do this consistently are attending more to their own need for unburdening themselves of their information than to the reader's need for receiving the material. The methodology of reader expectations articulates the reader's needs explicitly, thereby making writers consciously aware of structural problems and ways to solve them.

Put in the topic position the old information that links backward; put in the stress position the new information you want the reader to emphasize.

A note of clarification: Many people hearing this structural advice tend to oversimplify it to the following rule: "Put the old information in the topic position and the new information in the stress position." No such rule is possible. Since by definition all information is either old or new, the space between the topic position and the stress position must also be filled with old and new information. Therefore the principle (not rule) should be stated as follows: "Put in the topic position the old information that links backward; put in the stress position the new information you want the reader to emphasize."

Perceiving Logical Gaps
When old information does not appear at all in a sentence, whether in the topic position or elsewhere, readers are left to construct the logical linkage by themselves. Often this happens when the connections are so clear in the writer's mind that they seem unnecessary to state; at those moments, writers underestimate the difficulties and ambiguities inherent in the reading process. Our third example attempts to demonstrate how paying attention to the placement of old and new information can reveal where a writer has neglected to articulate essential connections.

The enthalpy of hydrogen bond formation between the nucleoside bases 2'deoxyguanosine (dG) and 2'deoxycytidine (dC) has been determined by direct measurement. dG and dC were derivatized at the 5' and 3' hydroxyls with triisopropylsilyl groups to obtain solubility of the nucleosides in non-aqueous solvents and to prevent the ribose hydroxyls from forming hydrogen bonds. From isoperibolic titration measurements, the enthalpy of dC:dG base pair formation is -6.65±0.32 kcal/mol.
Although part of the difficulty of reading this passage may stem from its abundance of specialized technical terms, a great deal more of the difficulty can be attributed to its structural problems. These problems are now familiar: We are not sure at all times whose story is being told; in the first sentence the subject and verb are widely separated; the second sentence has only one stress position but two or three pieces of information that are probably worthy of emphasis—"solubility ...solvents," "prevent... from forming hydrogen bonds" and perhaps "triisopropylsilyl groups." These perceptions suggest the following revision tactics:

1. Invert the first sentence, so that (a) the subject-verb-complement connection is unbroken, and (b) "dG" and "dC" are introduced in the stress position as new and interesting information. (Note that inverting the sentence requires stating who made the measurement; since the authors performed the first direct measurement, recognizing their agency in the topic position may well be appropriate.)

2. Since "dG and "dC" become the old information in the second sentence, keep them up front in the topic position.

3. Since "triisopropylsilyl groups" is new and important information here, create for it a stress position.

4. "Triisopropylsilyl groups" then becomes the old information of the clause in which its effects are described; place it in the topic position of this clause.

5. Alert the reader to expect the arrival of two distinct effects by using the flag word "both." "Both" notifies the reader that two pieces of new information will arrive in a single stress position.
Here is a partial revision based on these decisions:

We have directly measured the enthalpy of hydrogen bond formation between the nucleoside bases 2'deoxyguanosine (dG) and 2'deoxycytidine (dC). dG and dC were derivatized at the 5' and 3' hydroxyls with triisopropylsilyl groups; these groups serve both to solubilize the nucleosides in non-aqueous solvents and to prevent the ribose hydroxyls from forming hydrogen bonds. From isoperibolic titration measurements, the enthalpy of dC:dG base pair formation is -6.65±0.32 kcal/mol.
The outlines of the experiment are now becoming visible, but there is still a major logical gap. After reading the second sentence, we expect to hear more about the two effects that were important enough to merit placement in its stress position. Our expectations are frustrated, however, when those effects are not mentioned in the next sentence: "From isoperibolic titration measurements, the enthalpy of dC:dG base pair formation is -6.65±0.32 kcal/mol." The authors have neglected to explain the relationship between the derivatization they performed (in the second sentence) and the measurements they made (in the third sentence). Ironically, that is the point they most wished to make here.

At this juncture, particularly astute readers who are chemists might draw upon their specialized knowledge, silently supplying the missing connection. Other readers are left in the dark. Here is one version of what we think the authors meant to say, with two additional sentences supplied from a knowledge of nucleic acid chemistry:

We have directly measured the enthalpy of hydrogen bond formation between the nucleoside bases 2'deoxyguanosine (dG) and 2'deoxycytidine (dC). dG and dC were derivatized at the 5' and 3' hydroxyls with triisopropylsiyl groups; these groups serve both to solubilize the nucleosides in non-aqueous solvents and to prevent the ribose hydroxyls from forming hydrogen bonds. Consequently, when the derivatized nucleosides are dissolved in non-aqueous solvents, hydrogen bonds form almost exclusively between the bases. Since the interbase hydrogen bonds are the only bonds to form upon mixing, their enthalpy of formation can be determined directly by measuring the enthalpy of mixing. From our isoperibolic titration measurements, the enthalpy of dG:dC base pair formation is -6.65±0.32 kcal/mol.
Each sentence now proceeds logically from its predecessor. We never have to wander too far into a sentence without being told where we are and what former strands of discourse are being continued. And the "measurements" of the last sentence has now become old information, reaching back to the "measured directly" of the preceding sentence. (It also fulfills the promise of the "we have directly measured" with which the paragraph began.) By following our knowledge of reader expectations, we have been able to spot discontinuities, to suggest strategies for bridging gaps, and to rearrange the structure of the prose, thereby increasing the accessibility of the scientific content.

Locating the Action
Our final example adds another major reader expectation to the list.

Transcription of the 5S RNA genes in the egg extract is TFIIIA-dependent. This is surprising, because the concentration of TFIIIA is the same as in the oocyte nuclear extract. The other transcription factors and RNA polymerase III are presumed to be in excess over available TFIIIA, because tRNA genes are transcribed in the egg extract. The addition of egg extract to the oocyte nuclear extract has two effects on transcription efficiency. First, there is a general inhibition of transcription that can be alleviated in part by supplementation with high concentrations of RNA polymerase III. Second, egg extract destabilizes transcription complexes formed with oocyte but not somatic 5S RNA genes.
The barriers to comprehension in this passage are so many that it may appear difficult to know where to start revising. Fortunately, it does not matter where we start, since attending to any one structural problem eventually leads us to all the others.

We can spot one source of difficulty by looking at the topic positions of the sentences: We cannot tell whose story the passage is. The story's focus (that is, the occupant of the topic position) changes in every sentence. If we search for repeated old information in hope of settling on a good candidate for several of the topic positions, we find all too much of it: egg extract, TFIIIA, oocyte extract, RNA polymerase III, 5S RNA, and transcription. All of these reappear at various points, but none announces itself clearly as our primary focus. It appears that the passage is trying to tell several stories simultaneously, allowing none to dominate.

We are unable to decide among these stories because the author has not told us what to do with all this information. We know who the players are, but we are ignorant of the actions they are presumed to perform. This violates yet another important reader expectation: Readers expect the action of a sentence to be articulated by the verb.

Here is a list of the verbs in the example paragraph:

is
is...is
are presumed to be
are transcribed
has
is...can be alleviated
destabilizes
The list gives us too few clues as to what actions actually take place in the passage. If the actions are not to be found in the verbs, then we as readers have no secondary structural clues for where to locate them. Each of us has to make a personal interpretive guess; the writer no longer controls the reader's interpretive act.

As critical scientific readers, we would like to concentrate our energy on whether the experiments prove the hypotheses.

Worse still, in this passage the important actions never appear. Based on our best understanding of this material, the verbs that connect these players are "limit" and "inhibit." If we express those actions as verbs and place the most frequently occurring information—"egg extract" and "TFIIIA"—in the topic position whenever possible,* we can generate the following revision:

In the egg extract, the availability of TFIIIA limits transcription of the 5S RNA genes. This is surprising because the same concentration of TFIIIA does not limit transcription in the oocyte nuclear extract. In the egg extract, transcription is not limited by RNA polymerase or other factors because transcription of tRNA genes indicates that these factors are in excess over available TFIIIA. When added to the nuclear extract, the egg extract affected the efficiency of transcription in two ways. First, it inhibited transcription generally; this inhibition could be alleviated in part by supplementing the mixture with high concentrations of RNA polymerase III. Second, the egg extract destabilized transcription complexes formed by oocyte but not by somatic 5S genes.
[*We have chosen these two pieces of old information as the controlling contexts for the passage. That choice was neither arbitrary nor born of logical necessity; it was simply an act of interpretation. All readers make exactly that kind of choice in the reading of every sentence. The fewer the structural clues to interpretation given by the author, the more variable the resulting interpretations will tend to be.]

As a story about "egg extract," this passage still leaves something to be desired. But at least now we can recognize that the author has not explained the connection between "limit" and "inhibit." This unarticulated connection seems to us to contain both of her hypotheses: First, that the limitation on transcription is caused by an inhibitor of TFIIIA present in the egg extract; and, second, that the action of that inhibitor can be detected by adding the egg extract to the oocyte extract and examining the effects on transcription. As critical scientific readers, we would like to concentrate our energy on whether the experiments prove the hypotheses. We cannot begin to do so if we are left in doubt as to what those hypotheses might be—and if we are using most of our energy to discern the structure of the prose rather than its substance.

Writing and the Scientific Process
We began this article by arguing that complex thoughts expressed in impenetrable prose can be rendered accessible and clear without minimizing any of their complexity. Our examples of scientific writing have ranged from the merely cloudy to the virtually opaque; yet all of them could be made significantly more comprehensible by observing the following structural principles:

1. Follow a grammatical subject as soon as possible with its verb.
2. Place in the stress position the "new information" you want the reader to emphasize.
3. Place the person or thing whose "story" a sentence is telling at the beginning of the sentence, in the topic position.
4. Place appropriate "old information" (material already stated in the discourse) in the topic position for linkage backward and contextualization forward.
5. Articulate the action of every clause or sentence in its verb.
6. In general, provide context for your reader before asking that reader to consider anything new.
7. In general, try to ensure that the relative emphases of the substance coincide with the relative expectations for emphasis raised by the structure.
It may seem obvious that a scientific document is incomplete without the interpretation of the writer; it may not be so obvious that the document cannot "exist" without the interpretation of each reader.

None of these reader-expectation principles should be considered "rules." Slavish adherence to them will succeed no better than has slavish adherence to avoiding split infinitives or to using the active voice instead of the passive. There can be no fixed algorithm for good writing, for two reasons. First, too many reader expectations are functioning at any given moment for structural decisions to remain clear and easily activated. Second, any reader expectation can be violated to good effect. Our best stylists turn out to be our most skillful violators; but in order to carry this off, they must fulfill expectations most of the time, causing the violations to be perceived as exceptional moments, worthy of note.

A writer's personal style is the sum of all the structural choices that person tends to make when facing the challenges of creating discourse. Writers who fail to put new information in the stress position of many sentences in one document are likely to repeat that unhelpful structural pattern in all other documents. But for the very reason that writers tend to be consistent in making such choices, they can learn to improve their writing style; they can permanently reverse those habitual structural decisions that mislead or burden readers.

We have argued that the substance of thought and the expression of thought are so inextricably intertwined that changes in either will affect the quality of the other. Note that only the first of our examples (the paragraph about URF's) could be revised on the basis of the methodology to reveal a nearly finished passage. In all the other examples, revision revealed existing conceptual gaps and other problems that had been submerged in the originals by dysfunctional structures. Filling the gaps required the addition of extra material. In revising each of these examples, we arrived at a point where we could proceed no further without either supplying connections between ideas or eliminating some existing material altogether. (Writers who use reader-expectation principles on their own prose will not have to conjecture or infer; they know what the prose is intended to convey.) Having begun by analyzing the structure of the prose, we were led eventually to reinvestigate the substance of the science.

The substance of science comprises more than the discovery and recording of data; it extends crucially to include the act of interpretation. It may seem obvious that a scientific document is incomplete without the interpretation of the writer; it may not be so obvious that the document cannot "exist" without the interpretation of each reader. In other words, writers cannot "merely" record data, even if they try. In any recording or articulation, no matter how haphazard or confused, each word resides in one or more distinct structural locations. The resulting structure, even more than the meanings of individual words, significantly influences the reader during the act of interpretation. The question then becomes whether the structure created by the writer (intentionally or not) helps or hinders the reader in the process of interpreting the scientific writing.

The writing principles we have suggested here make conscious for the writer some of the interpretive clues readers derive from structures. Armed with this awareness, the writer can achieve far greater control (although never complete control) of the reader's interpretive process. As a concomitant function, the principles simultaneously offer the writer a fresh re-entry to the thought process that produced the science. In real and important ways, the structure of the prose becomes the structure of the scientific argument. Improving either one will improve the other.

The methodology described in this article originated in the linguistic work of Joseph M. Williams of the University of Chicago,Gregory G. Colomb of the Georgia Institute of Technology and George D. Gopen. Some of the materials presented here were discussed and developed in faculty writing workshops held at the Duke University Medical School.

Bibliography
•Colomb, Gregory G., and Joseph M. Williams. 1985. Perceiving structure in professional prose: a multiply determined experience. In Writing in Non-Academic Settings, eds. Lee Odell and Dixie Goswami. Guilford Press, pp. 87-128.
•Gopen, George D. 1987. Let the buyer in ordinary course of business beware: suggestions for revising the language of the Uniform Commercial Code. University of Chicago Law Review 54:1178-1214.
•Gopen, George D. 1990. The Common Sense of Writing: Teaching Writing from the Reader's Perspective.
•Williams, Joseph M. 1988. Style: Ten Lessons in Clarity and Grace. Scott, Foresman, & Co.



You can find this online at http://www.americanscientist.org/issues/num2/the-science-of-scientific-writing/1
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