quinta-feira, 7 de abril de 2011

O ponto de vista ou Foco Narrativo, Norman Friedman

Norman Friedman, num importante estudo que dedicou ao ponto de vista – “Point of view in fiction: the development of a critical concept”, in: Form and meaning in fiction, Athens, The University of Georgia Press, 1975 – apresentou uma extensa e minuciosa classificação das modalidades possíveis de ponto de vista:
a) onisciência do autor-editor
O autor goza de direitos ilimitados sobre a narrativa, multiplicando as intrusões mais ou menos relacionadas com a história (Fielding, Tom Jones)
b) Onisciência neutra
O autor abstém-se de intromissões na narrativa, falando de modo impessoal na terceira pessoa, mas revelando onisciência dos fatos narrados (Thomas Hardy, Tess of the D´Urbervilles)
c) Eu como testemunha
Ponto de vista que caracteriza o romance na primeira pessoa em que o narrador é uma personagem periférica (Conrad, O coração das trevas)
d) Eu como protagonista
Ponto de vista que ocorre nos romances na primeira pessoa em que o narrador é a personagem principal (Charles Dickens, As grandes esperanças)
e) Onisciência multi-seletiva
Desaparecimento do narrador, sendo a história apresentada diretamente pelas personagens que a vivem (Virgínia Wolf, As ondas)
f) Onisciência seletiva
O ponto de vista que comanda a organização do romance é o ponto de vista de uma personagem, sendo por isso fixo (James Joyce, O retrato do artista quando jovem)
g) Modo dramático
São representados apenas os atos e as palavras das personagens (Hemingway, Hills like white elephants)
h) Câmera
Caso limite, caracterizado pelo propósito de captar une tranche de vie, à margem de qualquer processo artístico de seleção e de organização.

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