terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Provocações, Cristovão Tezza (Parte 3)

Provocações, Cristovão Tezza (Parte 2)

Provocações, Cristovão Tezza (Parte 1)



Programa do dia 01 de Fevereiro - Provocações recebe um dos nomes mais importantes da literatura contemporânea brasileira, com mais de trinta e cinco anos de carreira literária.

Autor do premiadíssimo O Filho Eterno, ele está no Provocações não para falar sobre seu sucesso, mas sobre a vida: "Sou apenas um escritor. Alguém que, logo no começo da formação, escolheu ser um escritor e não sabia direito a encrenca em que estava se metendo."

Natural de Santa Catarina, e morando atualmente em Curitiba, Paraná, ele fala sobre suas influências literárias quando jovem e o quanto sua cidade é marcante e presente em sua obra, assim como também os trabalhos do grande autor Dalton Trevisan.

Como viajante, conta um pouco de suas passagens pela Alemanha e depois pelo Acre, onde cursou a faculdade de Letras.
Ele é... Cristovão Tezza!

Provocações - Cristovão Tezza (Programa 501) - 01/02/2011 - Parte 2/3
http://www.youtube.com/watch?v=0YajU2QeasY

Sujeitos Leitores, Cristovão Tezza



Campanha Sujeitos Leitores realizada pelo Colégio Nossa Senhora Medianeira.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Literatura Policial - Jogo de Idéias (Parte 2)

Literatura Policial - Jogo de Idéias (Parte 1)



Trecho de entrevista com Luiz Alfredo Garcia-Roza e Joaquim Nogueira para o Jogo de Idéias, programa de TV do Itaú Cultural com convidados da música, da literatura, do teatro, da educação, entre outras áreas.

Apresentação e direção: Claudiney Ferreira

Entrelinhas, Luiz Alberto Garcia-Roza



O programa entrevista o mais renomado escritor de romances de detetive do Brasil, Luiz Alfredo Garcia-Roza um professor de filosofia e autor de livros de psicanálise que migrou para a ficção policial. Criador do investigador Espinosa cujo nome é inspirado num importante filósofo do século 17, Baruch Spinoza , Garcia-Roza falou ao Entrelinhas sobre sua personagem e sobre os paralelos entre a investigação de crimes e o mergulho psicanalítico nos mistérios do inconsciente.

Céu de origamis, Luiz Alfredo Garcia-Roza

Na Multidão, Luiz Alfredo Garcia-Roza



O escritor Luiz Alfredo Garcia-Roza fala à TV Estadão sobre o livro Na Multidão. Entrevista à repórter Patrícia Villalba.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Capítulo I: o saber psiquiátrico, Luiz Alfredo Garcia-Roza

A produção da loucura implica tanto um conjunto de práticas de dominação e controle, como a elaboração de um saber. Segundo Foucault, a característica fundamental da relação entre o saber e o poder psiquiátricos, nessa época, é que nela a verdade do saber e o psiquiátrico nunca é colocada em questão. Seu objetivo exclusivo é justificar o conjunto de práticas que se articulam no interior do espaço asilar. Mais do que a pureza epistêmica do seu discurso, importava à psiquiatria apresentar o louco como um indivíduo perigoso e o psiquiatra como aquele que poderia resguardar a sociedade da ameaça que ele representava.
O saber, nesse caso, não funcionava no sentido de procurar alguma razão na loucura ou de determinar as formas diferenciais segundo as quais ela se manifestava, mas no sentido de apontar, de forma absoluta, se o indivíduo era ou não louco. O diagnóstico psiquiátrico, como salienta ainda Foucault, não era diferencial, mas absoluto.
O passo seguinte ao da denúncia da loucura não era propriamente a cura, mas o controle disciplinar do indivíduo. O louco não era curado, mas domado. Esse é o momento em que a loucura deixa de ser vista apenas como desrazão, para ser vista também como paixão descontrolada. A cura não é mais a recuperação da verdade, mas o retorno à ordem. Perversão da paixão e da vontade e não mais erro da razão, a loucura é encarda para poder ser domada. Esse é também o momento em que o poder psiquiátrico se sobrepõe ao saber psiquiátrico (p. 28 e 29).

GARCIA-ROZA, Luiz Alfredo. Freud e o inconsciente. 17 ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2000.

Capítulo IV: a sexualidade infantil, Luiz Alfredo Garcia-Roza


É no segundo dos Três ensaios que Freud vai desenvolver sua teoria da sexualidade infantil que provocou tanta reação e que se tornou fundamento essencial da teoria psicanalítica. Já vimos, no capítulo I, como a sexualidade infantil, longe de ser negada no século XIX, se revelava através das formas de controle e vigilância exercidas sobre a criança. Se a sexualidade infantil não era ainda colocada em discurso, ela já se fazia notar de forma evidente através de um conjunto de práticas exercidas pelo social no sentido de conjurar a ameaça que ela representava. Essa ameaça se fazia sentir, segundo Freud, de duas maneiras principais: a primeira, pela negação pura e simples da da existência de uma sexualidade na infância; a segunda, pela amnésia que incide sobre os primeiros anos de nossa infância. Ao recusarmos o reconhecimento de uma sexualidade infantil, o que estamos fazendo é negar o reconhecimento dos nossos próprios impulsos sexuais infantis, isto é, estamos mantendo o interdito que sobre eles lançamos na nossa infância. Assim, o "esquecimento" por parte do saber da sexualidade infantil é uma das formas pelas quais se manifesta a recusa de nossa própria infância perversa. Nos três ensaios, Freud se propõe exatamente a reconstuir essa pré-história da sexualidade e as vicissitudes a que ela foi submetida (p. 98).

GARCIA-ROZA, Luiz Alfredo. Freud e o inconsciente. 17 ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2000.

Capítulo IX: o sujeito e o eu, Luiz Alfredo Garcia-Roza


Após o longo percurso empreendido, eis-nos de volta à questão do cogito. Começamos com o cogito cartesiano e chegamos ao cogito freudiano. O primeiro, na sua formulação orifginal, afirmava: "Penso, logo sou." O segundo, numa das formulações que lhe empresta Lacan, afirma: "Penso onde não sou, portanto sou onde não me penso."
Se o cogito cartesiano apresentava o Eu como o lugar da verdade, o cogito freudiano nos revela que ele é sobretudo o lugar do ocultamento. São duas concepções de subjetividade completamente diferentes. Não se trata, em Freud, de apontar uma nova dimensão da consciência, algo que pudesse ser entendido como a sua face oculta, mas de apontar um novo objeto - o inconsciente. Com isso, a questão do sujeito sofre um deslocamento radical.
Assim, enquanto Descartes pensava o eu como uma entidade original, Freud o pensa como engendrado; enquanto descartes nos falava do sujeito da ciência, Freud nos fala do sujeito do desejo. Antes de Freud o sujeito se identificava com a consciência; a partir de Freud temos de nos perguntar por esse sujeito do inconsciente e por sua articulação com o sujeito consciente.
Não podemos mais identificar a história do Eu com a história do Sujeito; sujeito e eu não são termos que se recobrem. Tampouco se recobrem o Eu, objeto da psicologia e identificado com a totalidade da pessoa, e o Ego, conceito psicanalítico. Se recuarmos até o Projeto de 1895, verificaremos que nele o ego sequer é um sujeito.
Mas, se a distinção entre o ego cartesiano e o ego freudiano não apresenta grandes dificuldades, o mesmo não ocorre quando nos voltamos para os vários empregos que Freud faz do termo Ich dentro de sua obra. Assim sendo, começarei por tentar delimitar, nos textos freudianos, os vários registros da noção de ego, deixando para mais tarde a questão do sujeito (p. 196 a 197).

GARCIA-ROZA, Luiz Alfredo. Freud e o inconsciente. 17 ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2000.

Professor Richard Pipes, "Property and Freedom" (Part 2)

Professor Richard Pipes, "Property and Freedom" (Part 1)



Public Lecture by Professor Richard Pipes - Harvard University at JIMS Israel

Richard Edgar Pipes is Baird Professor of History, Emeritus, at Harvard University who specializes in Russian history, particularly with respect to the history of the Soviet Union. During the Cold War era he headed Team B, a team of analysts organized by the Central Intelligence Agency who analyzed the strategic capacities and goals of the Soviet military and political leadership. In 1981 and 1982 he served as a member of the National Security Council, holding the post of Director of East European and Soviet Affairs under President Ronald Reagan.

In his book "Property and Freedom" Richard Pipes offers a vigorous defense of a fundamental freedom private property. "While property in some form is possible without liberty, the contrary is inconceivable," he says. Property rights give rise to the political and legal institutions that secure freedom. Their absence practically invites atrocity. The sinister regimes of Communist Russia and Nazi Germany were fiercely opposed to private property. Those regimes' "simultaneous violation of property rights and destruction of human lives," he emphasizes, "were not mere coincidences."

Friedrich von Hayek: his life and thought



Friedrich A. Hayek interviewed by John O'Sullivan in 1985.

Friedrich August von Hayek (1899-1992), was an Austrian-born economist and philosopher known for his defence of classical liberalism and free-market capitalism against socialist and collectivist thought. He is considered by some to be one of the most important economists and political philosophers of the twentieth century. Hayek's account of how changing prices communicate signals which enable individuals to coordinate their plans is widely regarded as an important achievement in economics. Hayek also wrote on the topics of jurisprudence, neuroscience and the history of ideas.

Hayek is one of the most influential members of the Austrian School of economics, and in 1974 shared the Nobel Memorial Prize in Economics for his "pioneering work in the theory of money and economic fluctuations and [his] penetrating analysis of the interdependence of economic, social and institutional phenomena." He also received the U.S. Presidential Medal of Freedom in 1991 from president George H. W. Bush.

Hayek lived in Austria, Great Britain, the United States and Germany, and became a British subject in 1938. He spent most of his academic life at the LSE, the University of Chicago, and the University of Freiburg. (Source: Wikipedia)

Biography of F.A. Hayek
http://mises.org/about/3234

Selected online books and essays by F.A. Hayek:

The Road to Serfdom
http://www.atlasusa.org/reports/Road_to_Serfdom_condensed.pdf

Intellectuals and Socialism
http://mises.org/resources/1019

Individualism and Economic Order
http://mises.org/resources/4015

Tiger by the Tail
http://mises.org/resources/4098

A Free-Market Monetary System and Pretense of Knowledge
http://mises.org/resources/3925

What Price a Planned Economy?
http://mises.org/daily/4004

Engineers and Planners
http://mises.org/daily/2782

A Free-Market Monetary System
http://mises.org/daily/3204

The Pure Theory of Capital
http://mises.org/resources/3032

Reflections on the Pure Theory of Money of Mr. J.M. Keynes
http://mises.org/resources/3035

Road to Serfdom in Cartoons
http://mises.org/resources/1003

The Mythology of Capital
http://mises.org/resources/3034

Can We Still Avoid Inflation?
http://mises.org/resources/2672

Choice in Currency
http://mises.org/resources/3983

Denationalisation of Money: the Argument Refined
http://mises.org/resources/3970

Economics and Knowledge
http://mises.org/resources/88

Monetary Nationalism and International Stability
http://mises.org/resources/570

Monetary Theory and the Trade Cycle
http://mises.org/daily/3121

The Meaning of Competition
http://mises.org/daily/4181

Prices and Production
http://mises.org/resources/3665

Profits, Interest, and Investment
http://mises.org/resources/4901

Investment that Raises the Demand for Capital
http://mises.org/resources/3033

The Non Sequitur of the Dependence Effect
http://mises.org/resources/1039

Substitute for Foreign Aid
http://mises.org/daily/3596

Decline of the Rule of Law
http://mises.org/daily/3610

Mises As We Knew Him
http://mises.org/daily/3511

The Skillful Professor Rothbard
http://mises.org/daily/1964

The Use of Knowledge in Society
http://mises.org/resources/89

The Pretence of Knowledge
http://mises.org/resources/1002

Related links:
http://hayekcenter.org
http://www.econlib.org/library/Enc/bios/Hayek.html
http://www.iea.org.uk
http://mises.org
http://www.lewrockwell.com

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Uma tarefa análoga à do arqueólogo, Jean-Michel Quinodoz


Freud mostra primeiramente que o trabalho do analista visa eliminar as repressões ocorridas na infância e que estão ma origem dos sintomas e inibições neuróticos. Para cehgar a esse objetivo terapêutico, é preciso que o paciente encontre lembranças e experiências afetivas precoces, e estas aparecem através das associações livres, dos sonhos e da repetição de relações afetivas na transferência. Se a tarefa do analisado consiste em rememorar o que viveu e reprimiu, a do psicanalista consiste em restituir, a partir dessas indicações, uma imagem tão fiel quanto possível dos anos esquecidos pelo paciente: "É necessário que, a partir das indicações que escaparam ao esquecimento, ele descubra ou, mais exatamente, construa o que foi esquecido" (p.271). Esse trabalho de construção ou, se preferirmos, de reconstrução, apresenta analogias com o do arqueólogo. Mas, diferentemente deste último, de um lado, "o objeto psíquico é incomparavelmente mais complicado que o objeto material do arqueólogo" e, de outro, "para o arqueólogo, a reconstrução é o objetivo e a finalidade de seu esforço, enquanto que para o anaçista a construção é apenas um trabalho preliminar" (p.272). (p. 283).

QUINODOZ, Jean-Michel. Ler Freud: guia de leitura da obra de S. Freud. Trad. Fátima Murad. Porto Alegre: Artmed, 2007.

A necessidade da análise do analista, Jean-Michel Quinodoz


Freud se volta para os psicanalistas, apoiando-se em um trabalho de Ferenczi (1928) que mostrava que é indispensável para o êxito de uma nálise que "o analista tenha aprendido suficientemente com seus próprios 'desvios e erros' e que tenha submetido ao seu poder os 'pontos fracos de sua personalidade'" (p. 262). Evidentemente, prossegue Freud, os analistas são homens como outros quaisquer, e "é incontestável que os analistas nçao atingiram completamente em sua própria personalidade o grau de normalidade psíquica a que pretendem conduzir seus pacientes" (p. 263). Contudo, no interesse de seus pacientes, é legítimo que se exija da analista "um grau bastante elevado de normalidade e de retidão psíquica" (p. 263). É por isso que a análise pessoal do psicanalista lhe parece uma ocndição indispensável para a preparação de sua atividade futura. Além disso, com o objetivo de evitar tanto quanto possível os vários perigos que rondam o próprio analista em sua prática, Freud recomenda a todo psicanalista que retome periodicamente uma análise, a cada cinco anos, "sem ter vergonha desse procedimento" (p. 265).(p. 282).

QUINODOZ, Jean-Michel. Ler Freud: guia de leitura da obra de S. Freud. Trad. Fátima Murad. Porto Alegre: Artmed, 2007.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O estabelecimento do setting psicanalítico, Jean-Michel Quinodoz


Para criar as condições ótimas para o desenvolvimento desse processo, há algumas exigências particulares. Eis as que Freud propõe aos seus pacientes: "Dedico a cada um de meus doentes uma hora de minha jornada de trabalho; essa hora lhe pertence e é debitada em sua conta mesmo que não faça uso dela" (1913c, p. 84). Freud pede ao paciente que deite no divã, e se senta atrás dele. Dedica uma sessão diária a cada paciente, ou seja, seis sessões por semana e, embora admita fazer exceções, isso não costuma ocorrer: "Para os casos leves ou para aqueles cujo tratamento já está bem avançado, três horas por semana são suficientes. De resto, não é interesse nem do médico nem do doente que o número de horas seja reduzido, e essa redução deve inclusive ser proscrita no início do tratamento" (1913c, p. 85).
Quanto à duração da cura, Freud estima que é quase impossível determiná-la por antecipação. Naturalmente. O paciente tem total liberdade de interromper sua cura a qualquer momento, afirma, mas ele corre o risco de um agravamento. Freud menciona várias vezes as pressões que vêm de todos os lados visando a abreviar a duração da psicanálise sob os pretextos mais variados: "Como conseqüência da incompreensão dos doentes, à qual se alia a insinceridade do médico, requer-se da análise que ela satisfaça às exigências mais desmesuradas no prazo mais curto" (1913c, p. 86).
A questão do encurtamento da duração da análise é recorrente, lembra Freud, que responde com humor a esse tipo de objeção: "Evidentemente, ninguém imaginaria que é possível erguer uma mesa pesada só com dois dedos, como se fosse um banquinho, ou construir uma casa enorme no mesmo lapso de tempo que uma pequena cabana de madeira. No entanto, quando se trata da neurose (...), mesmo as pessoas mais inteligentes esquecem que existe necessariamente uma proporção entre o tempo, o trabalho e o resultado" (1913c, p. 96). Freud aborda igualmente a questão do pagamento de honorários e salienta a significação sexual inconsciente que o dinheiro costuma ter nas trocas entre paciente e analista; ele recomenda ao analista que exija o pagamento regularmente e que não deixe que se acumulem as somas devidas. Ele menciona a questão dos tratamentos gratuitos que praticou por muito tempo, assinalando que eles aumentam bastante as resistências, e discute a questão do acesso à análise para as pessoas pobres e para as de classe média (p. 128 e 129).

QUINODOZ, Jean-Michel. Ler Freud: guia de leitura da obra de S. Freud. Trad. Fátima Murad. Porto Alegre: Artmed, 2007.

Dar-se todo o tempo necessário, Jean-Michel Quinodoz


Na medida emq ue se confia em que o paciente encontrará por si mesmo o caminho que leva à solução de conflitos, concebe-se que "psicanálise exige muito tempo - mais do que o doente gostaria" (1913c, p. 88), como Freud repete insistentemente em seus escritos técnicos. Ele considera ainda que "o desejo de abreviar o tratamento é plenamente justificável" e acrescnta que, infelizmente, "um fator muito importante contraia essas tentaivas: a lentdão das modificações psíquicas profundas e em primeiro lugar, sem dúvida, a "intemporalidade" de nossos processos inconscientes" (1913c, p. 89).
Freud expressa claramente por que o psicanalista não tem outra escolha a não ser respeitar o desenrolar do processo psicanalíticop depois de iniciado: "Uma vez desencadeado, o processo segue em frnte seu caminho, e sua direção não pode ser modificada nem seu curso desviado, e a ordem das diferentes etapas permanece a mesma. O poder do analista sobre os sintomas é de algum modo comparável à potência sexual; mesmo o homem mais forte, capaz de criar um filho inteiro, não poderia produzir no organismo feminino uma cabeça, um braço ou uma perna isoladamente e nem escolher o sexo da criança. A única coisa que lhe é permitida é deslanchar um processo extremamente complexo, deternminado por uma série de fenômenos e que culmina com a separação da criança de sua mãe. A neurose tem a mesma característica de um organismo..." (1913c, p. 89). Ele acrescenta que, em face do gasto de tempo e de dinheiro que representa uma psicanálise, alguns se contentariam em se livrar de um único sintoma, mas considera que o método psicanalítico deve ser tomado em sua totalidade, visto que constitui um conjunto indissociável: "O psicanalista deve dar preferência aos que aspiram à cura total na medida em que podem conseguir isso e que dedicam todo o tempo necessário ao tratmento. É preciso dizer que são raros os casos em que se apresentam conjunturas tão favoráveis" (1913c, p. 90). (p. 128).

QUINODOZ, Jean-Michel. Ler Freud: guia de leitura da obra de S. Freud. Trad. Fátima Murad. Porto Alegre: Artmed, 2007.

Deixar-se surpreender, Jean-Michel Quinodoz


Conforme Freud aprimora sua técnica, constata-se que ele tebnde a confiar mais no curso natural e espontâneo dos pensamentos do paciente e que renuncia pouco a pouco a tirar do material associativo aquilo que interessa mais a ele próprio, na tentativa de chegar a uma reconstrução interpretativa. Ele parece ter dado essa guinada capital quando da análise do Homem dos ratos, em 1907. Essa mudança de perspectiva implica que o analista renuncia a um resto de atitude "ativa", impondo suas próprias reconstruções ao paciente, ao invés de confiar no desenrolar do processo psicanalítico. Freud preconiza ess mudança de atitude nos seguintes termos: "Os melhores resultados terapêuticos, ao contrário, são obtidos quando o analista age sem ter traçado um plano prévio, quando se deixa surpreender por qualquer fato inesperado, conserva uma attude distanciada e evita qualquer idéia preconcebida" (1912e, p. 65 [148]). (p. 127).

QUINODOZ, Jean-Michel. Ler Freud: guia de leitura da obra de S. Freud. Trad. Fátima Murad. Porto Alegre: Artmed, 2007.

Sexualidade e agressividade: o tema do duplo, Antonino Ferro


O problema do duplo pode ser seguido ao longo de dois eixos, mas remete sempre a um continente inadequado em relação à necessidade de dar lugar a emoções muito intensas.
Existem situações em que há uma cisão que ermanece estável, por isso comparece em cenao outro, o duplo, o perseguidor como presença "perturbadora" pela qual nos sentimos perturbados, atacados, colocados em discussão. Gerlamente se apresenta atarvés de alguém que personifique esta parte numa gama que vai do "gêmeo imaginário" (quando a cisão é total) (Bion, 1950) ao "amigo secreto" (quando o duplo começa a poder ser incluído) (Gaburri, 1986).
Mas existe também uma outra situação: aquela na qual o duplo se configura não como um outro perseguidor (por exemplo, Williamson de Poe), mas como outra configuração possível, compositiva de si mesmo.
Um exemplo é o de Carlo, que descreveu longamente duas configurações emocionais de si mesmo em oscilação, ou melhor, em equilíbrio instável entre elas, que variavam a favor ou contra uma ou outra configuração de acordo com o clima emocional do campo, como se este constituísse uma espécie de pH (p. 161).

FERRO, Antonino. Na Sala de análise: emoções, relatos, transformações. Trad. Mércia Justum. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1998.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

IV Jornada de Psicologia da Saúde, Psicossomática e Psico-oncologia, David Zimerman




9h ABERTURA Professora Associada Dra. Elisa Maria Parahyba Campos - IP/USP Prof. Dr. Avelino Luiz Rodrigues - IP/USP

9h30 CONFERÊNCIA: Abordagem Psicoterápica de Pacientes com Queixa Orgânica Prof. Dr. David Zimerman. PUC-RS - Psicanalista, Membro Didata da Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre, Docente da PUC-RS.


10h45 INTERVALO E APRESENTAÇÃO DE PAINEIS


11h APRESENTAÇÃO DE CASO CLÍNICO: Emoções e luto em doença coronariana Andrea Cristina Boldrim P. Gomes - Psicóloga clínica, especialista em Psicologia Hospitalar pelo InCor - Instituto do Coração da Faculdade de Medicina da USP e mestranda em Psicologia Clínica pela Universidade de São Paulo.


11h30 DISCUSSÃO COM O PROF. DAVID ZIMERMAN


12h15 INTERVALO PARA ALMOÇO


14h CONFERÊNCIA: Técnicas de atuação em Psico-oncologia Profª. Drª. Maria Margarida Carvalho (Magui) - IP-USP - Introdutora da Psico-Oncologia no Brasil


15h15 INTERVALO E APRESENTAÇÃO DE PAINEIS


15h30 APRESENTAÇÃO DE CASO CLÍNICO: Intervenção em grupo em psico-oncologia Profª. Drª. Livre Docente Elisa Maria Parahyba Campos - IP-USP, coordenadora do Centro Humanístico de Reabilitação em Oncologia e Saúde (Chronos-USP)


16h DISCUSSÃO COM A PROFª DRª MARIA MARGARIDA CARVALHO

17h ENCERRAMENTO


Organização:

Laboratório Sujeito e Corpo (SuCor)
Centro Humanístico de Reabilitação em Oncologia e Saúde (Chronos-USP).

IV Jornada de Psicologia da Saúde, Psicossomática e Psico-oncologia, David Zimerman

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O "narrador" e o medo, Antonino Ferro


O fracasso da narração

Podemos, portanto, pensar as fobias como um fracasso "circunscrito" das capacidades da mente para operar narrações transformadoras sobre os próprios protofantasmas. Existem, no entanto, situações ainda mais graves, aquelas em que o fracasso da possibilidade de mentalizar os fantasmas é ainda maior. Um conto de Bradbury, O Veldt, parece-me fornecer um bom exemplo disso.

O Veldt

Numa casa do futuro há um quarto particular, a nursery, com paredes e teto bidimensionais, mas que podem tridimensionalizar-se e adquirir profundidade de acordo com os conteúdos mentais das crianças. Surgirão assim a história e os personagens de Aladim, de Alice, ou de qualquer outra realidade emocional.
um dia, porém, os pais das duas crianças protagonistas da história começam a se preocupar pela insistência de imagens de leões ferozes sobre as paredes do quarto, a ponto de decidir fechá-la, justamente pelo temor que essas imagens tão vivas suscitam neleas. As crianças ficam cramente tristes... obtêm por uma última vez a permissão de brincar no quarto... atraem os pais para lá e... "George Hadley olhou para sua mulher... as feras se aproximam devagar... atocaiadas no mato... Agora os leões tinham terminado a refeição... os urubus desciam um por um do céu ofuscante".
Esta me pareceu uma extraordinária descrição do virtual que se concretiza, ou do que acontece quando é o campo que entra em colapso e as comuniações do paciente perdem o seu estatuto de virtualidade e são "tomadas" como se fizessem parte da realidade externa e não da realidade funcional do campo.
Deve-se notar que o episíodio narrado no conto se passa numa casa completamente automatizada, na qual somente as paredes da nursery constituem um espaço do "primitivo"; deve-se acrescentar, também, que os pais, apavorados pelos fantasmas da realidade virtual, apesar de terem prometido às crianças que estavam "livres para brincar" como quisessem na nursery, tinham ido ao quadro de comando e tinham abaixado a alavanca que matava a nursery.
Ou seja, quando o automatismo da relação e das intrepretações ou das teorias na sessão acende imagens muito primitivas ou evacuações de telas B, aquele é o momento perigoso em que piode haver o colapso do campo, enquanto o analista perde a capacidade de virtualizar a comunicação do paciente e é capturado num jogo real; perdem-se assim as carcterísticas que constituem o jogo analítico, onde tudo é permitido em termos de jogo, sob pena de perder a nursery e a própria situação analítica.
Mas deslocando-nos para a clínica, o que acontece quando a função da mente de pictografar narrativamente as proto-emoções fracassa? Hic sunt leones, utilizando as palavras de Bradbury.
Mas esses leões, esses acúmulos de impensabilidade, que destino têm? A evacuação, que poderá ser maior ou menor e deslocar-se ao longo de um gradiente que irá desde as evacuações mais maciças e destrutivas, as alucinações, até doenças psicossomáticas e os comportamentos sem espessura de pensamento, com os das atuações caracteropáticas, deliqüenciais ou toxicômanas.
Todas essas são situações nas quais a possibilidade de terapia passa através de uma tecedura narrativa de tudo o que não tinha sido possível "digerir"; não importa em qual dos dialetos da dupla analítica se dará tal transformaç~eos, se no dialeto histórico-reconstrutivo, se no fantasmático do mundo interno ou... mas estes são somente possíveis "tipos cozinha".
Bion sustenta que em cada indivíduo existe uma "função psicanalítica da personalidade" (1962) e que o analista, quando interpreta, faz o mesmo que o pai e a mãe quando através da rêverie compreendem o seu filho. Aliás, também Kennedy (1978) afirma que os pais influenciam a capacidade de auto-observação e de insight pela maneira como lhe ensinam a se comportar com os próprios impulsos e os próprios sentimentos.
Fonagy e Moran (1991), referindo-se à "teoria da mente" na acepção que lhe dão Premack e Woodruff (1978), os quais indicam os processos psíquicos subjacentes ao emergir progressivo de teorias sobre "o estado da própria mente assim como o estado das mentes dos outros", afirmam que em circunstâncias que induzem a antecipação de uma intolerável dor mental, alguns pacientes borderline limitam fortemente a própria capacidade de formar uma opinião sobre o seu estado mental ou o de outros. Esta observação me leva a considerar o tema do insight, na formulação que faz Bion a propósito do mesmo em Atenção e Interpretação, cujo subtítulo, convém lembrar, é justamente "A scientific Approach to Insight in Psycho-Analysis and Groups". Bion afirma que para alguns pacientes "o contato com a realidade apresenta maiores dificuldades quando essa realidade é justamente o próprio estado mental". Existem também pessoas que não têm nenhuma tolerância quanto à dor e à frustração e "sentem a dor sem serem capazes de sofrê-la". Afirma também que o processo rumo ao amadurecimento mental é doloroso e, após o famoso exemplo da "fábula dos mentirosos", afirma que "os pensamentos, se pensados, conduzem à saúde mental, se não pensados dão origem ao distúrbio".
Bion afirma também que "o analista deve resistir a qualquer tentativa de agarrar-se ao que sabe, a fim de realizar um estado mental análogo ao da posição esquizoparanóide"; tal estado mental é o que remete às "capacidades negativas", à paciência, à tolerância pela frustração de não saber, embora consciente de que "o animal homem nunca parou de ser perseguido pela própria mente e pelos pensamentos geralmente ligaods a ela, qualquer que seja a sua origem" (p. 177, 178, 179).



FERRO, Antonino. Na Sala de análise: emoções, relatos, transformações. Trad. Mércia Justum. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1998.