segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Dar-se todo o tempo necessário, Jean-Michel Quinodoz


Na medida emq ue se confia em que o paciente encontrará por si mesmo o caminho que leva à solução de conflitos, concebe-se que "psicanálise exige muito tempo - mais do que o doente gostaria" (1913c, p. 88), como Freud repete insistentemente em seus escritos técnicos. Ele considera ainda que "o desejo de abreviar o tratamento é plenamente justificável" e acrescnta que, infelizmente, "um fator muito importante contraia essas tentaivas: a lentdão das modificações psíquicas profundas e em primeiro lugar, sem dúvida, a "intemporalidade" de nossos processos inconscientes" (1913c, p. 89).
Freud expressa claramente por que o psicanalista não tem outra escolha a não ser respeitar o desenrolar do processo psicanalíticop depois de iniciado: "Uma vez desencadeado, o processo segue em frnte seu caminho, e sua direção não pode ser modificada nem seu curso desviado, e a ordem das diferentes etapas permanece a mesma. O poder do analista sobre os sintomas é de algum modo comparável à potência sexual; mesmo o homem mais forte, capaz de criar um filho inteiro, não poderia produzir no organismo feminino uma cabeça, um braço ou uma perna isoladamente e nem escolher o sexo da criança. A única coisa que lhe é permitida é deslanchar um processo extremamente complexo, deternminado por uma série de fenômenos e que culmina com a separação da criança de sua mãe. A neurose tem a mesma característica de um organismo..." (1913c, p. 89). Ele acrescenta que, em face do gasto de tempo e de dinheiro que representa uma psicanálise, alguns se contentariam em se livrar de um único sintoma, mas considera que o método psicanalítico deve ser tomado em sua totalidade, visto que constitui um conjunto indissociável: "O psicanalista deve dar preferência aos que aspiram à cura total na medida em que podem conseguir isso e que dedicam todo o tempo necessário ao tratmento. É preciso dizer que são raros os casos em que se apresentam conjunturas tão favoráveis" (1913c, p. 90). (p. 128).

QUINODOZ, Jean-Michel. Ler Freud: guia de leitura da obra de S. Freud. Trad. Fátima Murad. Porto Alegre: Artmed, 2007.

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