segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Deixar-se surpreender, Jean-Michel Quinodoz


Conforme Freud aprimora sua técnica, constata-se que ele tebnde a confiar mais no curso natural e espontâneo dos pensamentos do paciente e que renuncia pouco a pouco a tirar do material associativo aquilo que interessa mais a ele próprio, na tentativa de chegar a uma reconstrução interpretativa. Ele parece ter dado essa guinada capital quando da análise do Homem dos ratos, em 1907. Essa mudança de perspectiva implica que o analista renuncia a um resto de atitude "ativa", impondo suas próprias reconstruções ao paciente, ao invés de confiar no desenrolar do processo psicanalítico. Freud preconiza ess mudança de atitude nos seguintes termos: "Os melhores resultados terapêuticos, ao contrário, são obtidos quando o analista age sem ter traçado um plano prévio, quando se deixa surpreender por qualquer fato inesperado, conserva uma attude distanciada e evita qualquer idéia preconcebida" (1912e, p. 65 [148]). (p. 127).

QUINODOZ, Jean-Michel. Ler Freud: guia de leitura da obra de S. Freud. Trad. Fátima Murad. Porto Alegre: Artmed, 2007.

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