segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Sexualidade e agressividade: o tema do duplo, Antonino Ferro


O problema do duplo pode ser seguido ao longo de dois eixos, mas remete sempre a um continente inadequado em relação à necessidade de dar lugar a emoções muito intensas.
Existem situações em que há uma cisão que ermanece estável, por isso comparece em cenao outro, o duplo, o perseguidor como presença "perturbadora" pela qual nos sentimos perturbados, atacados, colocados em discussão. Gerlamente se apresenta atarvés de alguém que personifique esta parte numa gama que vai do "gêmeo imaginário" (quando a cisão é total) (Bion, 1950) ao "amigo secreto" (quando o duplo começa a poder ser incluído) (Gaburri, 1986).
Mas existe também uma outra situação: aquela na qual o duplo se configura não como um outro perseguidor (por exemplo, Williamson de Poe), mas como outra configuração possível, compositiva de si mesmo.
Um exemplo é o de Carlo, que descreveu longamente duas configurações emocionais de si mesmo em oscilação, ou melhor, em equilíbrio instável entre elas, que variavam a favor ou contra uma ou outra configuração de acordo com o clima emocional do campo, como se este constituísse uma espécie de pH (p. 161).

FERRO, Antonino. Na Sala de análise: emoções, relatos, transformações. Trad. Mércia Justum. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1998.

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