terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Uma tarefa análoga à do arqueólogo, Jean-Michel Quinodoz


Freud mostra primeiramente que o trabalho do analista visa eliminar as repressões ocorridas na infância e que estão ma origem dos sintomas e inibições neuróticos. Para cehgar a esse objetivo terapêutico, é preciso que o paciente encontre lembranças e experiências afetivas precoces, e estas aparecem através das associações livres, dos sonhos e da repetição de relações afetivas na transferência. Se a tarefa do analisado consiste em rememorar o que viveu e reprimiu, a do psicanalista consiste em restituir, a partir dessas indicações, uma imagem tão fiel quanto possível dos anos esquecidos pelo paciente: "É necessário que, a partir das indicações que escaparam ao esquecimento, ele descubra ou, mais exatamente, construa o que foi esquecido" (p.271). Esse trabalho de construção ou, se preferirmos, de reconstrução, apresenta analogias com o do arqueólogo. Mas, diferentemente deste último, de um lado, "o objeto psíquico é incomparavelmente mais complicado que o objeto material do arqueólogo" e, de outro, "para o arqueólogo, a reconstrução é o objetivo e a finalidade de seu esforço, enquanto que para o anaçista a construção é apenas um trabalho preliminar" (p.272). (p. 283).

QUINODOZ, Jean-Michel. Ler Freud: guia de leitura da obra de S. Freud. Trad. Fátima Murad. Porto Alegre: Artmed, 2007.

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