quarta-feira, 24 de abril de 2013

Antonino Ferro, A Rêverie e o Après-coup

Quando ouço a apresentação de um caso clínico, é como se ele estivesse precedido por: "Tive um sonho sobre este paciente". Essa modalidade de escuta não é muito diferente da que eu adoto nas sessões de análise: o início da sessão contém sempre um implícito "tive um sonho" por parte do paciente, qualquer que seja o contexto da narração. Isto, naturalmente, se refere ao meu trabalho de "cozinha analítica"; no "restaurante analítico", na parte em contato com o paciente, o prato interpretativo poderá ser apresentado de maneiras muito diversas, inclusive – na eventualidade – com o molho de um compartilhar do conteúdo manifesto. A operação que eu faço é a de desconstrução da narração do paciente e de reconstrução de uma cena através das transformações que eu realizo. A desconstrução acontece também por meio de uma escuta cada vez mais irrealista e "resonhando" o que é dito, organizando o sentido segundo "organizadores oníricos" que são espontâneos e, de certa forma, arbitrários, e dão origem a uma cena que necessita, continuamente, encontrar uma sucessiva validação (p. 114). FERRO, Antonino. Evitar as emoções, viver as emoções. Tradução: Marta Petricciani. Porto Alegre: Artmed, 2011.

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