quinta-feira, 1 de agosto de 2013

O que muda na técnica em uma teoria do campo?, Antonino Ferro


O que muda na técnica em uma teoria do campo?

Vou dar um exemplo. Um paciente que nega qualquer emoção, qualquer envolvimento afetivo, qualquer dependência emocional do outro, antes das férias de verão, relata que Pina, prima de sua noiva, está muito mal porque o namorado precisa se afastar em virtude de um longo período de trabalho nos Estados Unidos. Ele não conhece esta moça, mas a noiva perguntou se eu posso indicar um analista que cuide dela. Esta “pessoa” (que não me diz respeito se ela existe fora da sala) é, para mim, um lugar da sala que está se tornando permeável em relação ao sentir as emoções. As histórias, as vicissitudes desta pessoa, Pina, com sua analista, pertencem todas ao campo analítico, assim como a prima da analista do meu paciente, que fica horrorizada porque eu dei um nome de uma analista para Pina. Para mim, estas são todas presenças e movimentos do campo. Não são transferências colaterais, mas são constituintes do nosso mundo, do nosso ecossistema analítico, onde coabitam analistas, pacientes, primos, noivas: todas as presenças em trânsito e transformação perene (p. 47).
FERRO, Antonino. Evitar as emoções, viver as emoções. Tradução Marta Petricciani. Porto Alegre: Artmed, 2011.

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